Felizmente há luar (2)

Prosseguindo com as seleções musicais dos alunos…

KLEPHT,  EMBORA DOA 

É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar…
Qual papel será o meu? 
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

Porque nada surpreende.
Já vivemos com o medo.
Quem nos chama à razão?
Ao som de armas adormeço…

Embora doa, não me faz perder o sono.
Embora doa…

Escorre sangue pelo ouro em directo na tv
Explode a carne em mãos de quem nada fez

Embora doa, não me sujo desse sangue 
Embora doa, há sempre outro canal

Embora doa…

Embora doa…
Não me sujo desse sangue
Embora doa…
Há sempre outro canal.

É a dúvida que resta que me leva a perguntar…

O tema musical que escolhemos para esta apresentação oral é dos Klepht, que são uma banda portuguesa composta por Diogo Dias, Marco Reis e Mário Sousa. A banda formou-se em 2000 e o seu estilo musical é Pop Rock.

Nós escolhemos “Embora Doa”, porque achamos que a letra tem uma mensagem importante e a música bonita e calma. A canção “fala”  da guerra que é vista por todos na TV e contra a qual nada podemos fazer. Diz-nos também que há morte de muitos inocentes e o intérprete vê tudo isto na televisão e não consegue fazer nada, dizendo mesmo que há sempre um outro canal que podemos ver.

A relação que se pode estabelecer entre o tema musical e a obra de Luís Sttau Monteiro tem a ver com a personagem Manuel. Este popular também nos diz que não consegue fazer nada para mudar a situação em que o povo vive. O povo não tinha armas para se defender, mal se aguentava em pé porque a fome era tanta e pouco ou nada podia decidir sobre a sua vida. É um pouco como na canção, quando se diz: 

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.” (…)

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…”

Gostámos muito de apresentar esta canção à turma.

Ana, nº 3 e Rafaela, nº 14

DILLAZ,  SR. PRESIDENTE 

Esta é a minha carta escrita, Sr. Presidente,

Tenho reparado que a vida pra si é diferente

Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

 

Venha dar valor à vida, à maioria que vive contrariado
Ver o que são seis cabeças apenas com um ordenado
Ver a inveja e a ganância, a confiança e o mau olhado
Ver que não tem futuro pelo que fez no passado

É complicado, também não encontro uma explicação:
Ver um puto que tinha um parque, agora só brinca no chão
Olhe prós meus olhos, eu olho bem nos seus
Eu faço a pergunta, “acha que o meu bairro morreu?”

Investimento noutros sítios, porquê que a madorna não tem
Você conhece mal a zona, a polícia conhece bem
Não invista pró seu luxo, não gaste no que não convém
Se o meu povo investe dez, vocês chegam e roubam cem

Sr. presidente, diga, explique-me o porquê
Porquê que não ajuda um idoso se ele trabalhou mais que você
Continue a pôr os olhos na cara da multidão
Que tem metade do ordenado mínimo, outra metade da solidão

Não dá para a luz, não dá para a água, pra comida nem pro gás
Quinze contos só de fraldas, quem é que alimenta o rapaz?
Rapariga vai crescendo e segue a tabuleta errada
O homem pensa que tem filha e afinal tem uma enteada

Nada muda, não dê de fuga nem descalce a luva
Muitos não morreram de cirrose, porque faltava uma uva
Lembre-se que não somos cães numa matilha
E nesta situação podia ‘tar a sua filha

Mas a esperança é a única coisa que faz remar contra maré
Porque a vida é uma injustiça, a vida é o que ela é
Não diga que acabou, não diga que é o fim
Porque eu nasci em 91 e Portugal não era assim

A pensar se guardo a guita, porque amanhã ela baza
Não ter uma cara feia cada vez que saio de casa
Acorde e volte à terra porque os problemas estão em brasa
Se prefere outros planetas, pense em trabalhar na NASA

Porque há quem pense em aproveitar a luz do dia
Pense no assunto, faça-me essa primazia
Sr. presidente, a gente precisa de harmonia
Venda o seu BM e mande para aqui alegria

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Para este trabalho, solicitado pela professora, escolhemos o cantor Dillaz, com o tema “Sr. Presidente”, onde são comparadas diferentes classes sociais. O cantor salienta a facilidade com que “os ricos” conseguem tudo e as dificuldades por que passam “os menos abonados”, neste caso os que vivem nos bairros sociais.

O mesmo se passa na obra Felizmente há luar, na qual  os três governadores do reino levam vidas luxuosas e desafogadas e os pobres (o povo) vivem na rua, dormem no chão e comem e vestem-se do que lhes derem como esmola. Infelizmente, nos nossos dias isto ainda acontece, o que faz com que a obra de Luís Sttau Monteiro seja atual, a este nível também.

O cantor Dillaz chama-se André, vive na Madorna, um bairro social, que aparenta estar esquecido por aqueles que nos governam. O seu estilo musical é o Hip hop, que também não é muito valorizado socialmente, mas consegue transmitir várias ideias e críticas, de modo muito claro.

Adorámos apresentar esta canção à turma!

Alexandra, nº 1, Ângela, nº 5

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

3 opiniões sobre “Felizmente há luar (2)”

  1. Ana e Rafaela,
    A vossa seleção musical foi pertinente e vocês defenderam bem as vossas ideias. A articulação do estado de espírito do sujeito poético (da canção) com Manuel, que revela uma fragilidade enorme (porque se sente impotente face ao contexto político, social e económico) na abertura dos dois atos que constituem a obra, está muito bem conseguida! Parabéns!
    IA

    Alexandra e Ângela,
    Deu para ver, na vossa apresentação oral, que Dillaz é, de facto, um dos vossos ídolos. Vocês “pegaram” bem no tema e fizeram-no com muita expressividade. Foram muito “completas” e pertinentes na apresentação e defesa das vossas ideias. Gostei muito!
    IA

    Gostar

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