Felizmente há luar (4)

Os Homens da Luta, E o Povo, Pá?

É o desemprego, pá
Corrupção, pá
Endividamento, pá
A depressão, pá
O aquecimento, pá
A recessão, pá
E como se isto não bastasse a reação, pá
E os oprimidos, pá
Os endividados, pá
Os suprimidos, pá
Os separados, pá
Os desvalidos, pá
Desalinhados, pá
Os sem abrigo coitadinhos dormem no chão, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
São indigentes, pá
São insolventes, pá
São repetentes, pá
Delinquentes, pá
É só aumentos, pá
Despedimentos, pá
Aluimentos, pá
Desinvestimentos, pá
E os camponeses, pá
Os professores, pá
Os reformados, pá
E os pescadores, pá
E os subsídios, pá
E os ordenados, pá
E as dívidas e os créditos mal parados, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo 
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
Ah pois quer, pá
O povo também quer Ferraris (pois quer, pá)
O povo também quer Maseratis e Bentleys e Lamborghinis (muito bem, pá)
Porque é que hão de ser só os jogadores da bola a ter, pá?
O povo também quer o CLK200 da Mercedes, pá (apoiado, pá)
O povo também quer um BMW Z3, pá, aquele muito bonito, com os estofos creme em pele, pá, e com a manete das mudanças em marfim, pá 

O povo também quer o novo Audi A8 com motor V12, pá
Gasta 35 litros aos 100 mas dá a volta a 270 na autoestrada, pá
O povo também trabalha, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá

Nós escolhemos, para a apresentar à turma, o tema “E o povo, pá?”, escrito por Vasco Duarte e Nuno Duarte, também conhecidos como Falâncio e Neto. Estes dois cantores e comediantes formaram uma banda, à qual deram o nome Homens da Luta. Este tema trata  das dificuldades do povo português, do desemprego e das grandes desigualdades sociais e demonstra também, com ironia (brincando), alguma revolta, apelando à mudança, sem gerar conflitos nem feridas entre os portugueses. No fundo, fala-se, a brincar, do estado social do país e “luta-se” por melhores condições de vida.

Esta canção tem semelhanças com a obra Felizmente há luar, pois ambas refletem a tristeza e as dificuldades  por que passam todos os que são dominados por aqueles que os governam.

Foi um momento alegre na aula de Português!

Mara, nº 11 e Ruben, nº 16

Força Suprema,  Geração à Raska –  2011

Eu ‘tou farto dessa merda  desse stress todo o dia
Dessa rua dessa esquina é sempre a mesma porcaria
Eu ‘tou farto de acordar e já não ter o que comer
Porque os empregos ‘tão fodidos já nem sei o que fazer
… Eu ‘tou farto “motherfucker” já não quero saber da crise
Nós sabemos que ela existe tragam soluções, please
Oh, e ainda pensa que eu sou louco
Quando vejo todos os dias famílias no sufoco?

Eu já não consigo ligar a televisão
Sem que alguém reclame do preço da água ou do pão
É dia sim (dia sim) dia não mais uma manifestação
Acaba quase sempre em confusão
Essa é a conclusão povo na miséria político num novo carrão
Povo na barraca político na mansão
E os velhos que têm como companhia a solidão

Refrão
Eu ‘tou farto de mentiras e ver só gente a sofrer
Eu ‘tou farto de injustiças e ver o povo a morrer
Andamos atrás do pilin andamos atrás da paca
Inocentes aflitos é geração à raska


Justiça é encenação
Eles dizem que é um só povo uma só nação
O pobre rouba vai para a prisão
Direitos iguais é o que diz na constituição
Voz do povo é a voz da razão
Quando á falta de emprego o povo culpa a imigração
Pobreza não escolhe cor tudo na mesma situação
Tá fodida a nossa geração

Eu ‘tou farto dos impostos a subirem em flecha
Dos abonos atrasados onde é que a gente se queixa?
E essa merda está um caos
As cadeias estão lotadas mas não só de homens maus
Mas sim de alguns que procuravam sustento
Que fartaram das mentiras dos senhores do parlamento

(Estamos fartos) E hoje anda tudo atrás da paca
Todos aflitos geração à raska

Refrão
Eu ‘tou farto de mentiras e ver só gente a sofrer
Eu ‘tou farto de injustiças e ver o povo a morrer
Andamos atrás do pillin andamos atrás da paca
Inocentes aflitos é geração à raska

A música que escolhi para apresentar à turma é “Geração à Raska” dos Força Suprema, um grupo de Hip hop e Rap.

Este tema musical revela problemas sociais, resultantes da situação económica do nosso país. Os políticos que nos governam são criticados por contribuírem, com as suas decisões, para o facto de “os ricos estarem cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres”.

Esta banda, constituída por quatro elementos de origem africana, usa nas  suas “rimas” calão como forma de mostrar o seu desagrado face à crise que o país atravessa. Há também , ao longo da canção, alguns excertos de discursos políticos, que se misturam com a letra dos Força Suprema.

A relação da música com Felizmente Há Luar tem a ver com a forma como o povo é descrito nos versos que estão acima destacados a bold. Tanto na canção como na obra, os mais pobres são sempre explorados pelos mais ricos, que fazem dos desgraçados o que querem, até condená-los.

Soraia, nº 17

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

6 opiniões sobre “Felizmente há luar (4)”

  1. Muitos parabéns, Soraia! Gostamos muito da tua apresentação e da escolha do tema relativamente à obra “Felizmente há luar “, de Luís Sttau Monteiro. Achamos que a tua apresentação foi muito pertinente e bem organizada.
    Um beijo,
    da Mara e do Rúben.

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  2. Gosto muito desta música, porque relata exatamente a nossa Sociedade (os jovens). A tua apresentação foi muito pertinente, com informação muito interessante! Muitos parabéns, Soraia.

    João

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  3. A música apresentada pela Mara e pelo Rúben, apesar de ter dado para rir, trata de assuntos bastante sérios e atuais do nosso país. Ótima escolha, deu para descontrair! 🙂

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  4. Mara e Rúben,
    Foi um momento bastante animado! Como já foi referido no comentários acima, deu para descontrair, falando de coisas sérias.
    Vocês compreenderam muito bem a mensagem presente na canção, bem como a relacionaram com rigor com a obra em estudo. Viram até a ironia bem patente em alguns versos do tema musical. Quanto ao modo como geriram a vossa apresentação oral, que posso eu dizer? Foi perfeito! Por momentos, pensei que estava a assistir a um programa televisivo animado a dois!
    Parabéns!
    IA

    Soraia,

    Estavas com alguns problemas porque a canção tinha umas “palavrinhas” menos próprias, mas tu lá explicaste muito bem que, além de caracterizar socialmente o grupo musical, “essas palavrinhas que são mais palavrões” tinham também o propósito de denunciar uma realidade social com a qual Força Suprema não concorda e contra a qual se impõe. Estiveste bem, com desenvoltura! Falaste do essencial e relacionaste de modo pertinente com a obra de Sttau Monteiro. Parabéns!
    IA

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