Felizmente há luar (6)

E para terminar as apresentações….

Boss AC & Mariza, Alguém me ouviu

Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não
presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a
minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz?

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se
esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto
daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz?

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se
esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar
Parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida prá morte
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém
Há de surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando
A esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz
Mantém-te firme

Nós escolhemos o tema “Alguém me ouviu”, de Boss AC e  Mariza, porque é um tema muito emocionante, que mexe muito connosco. 

Nesta canção não se aborda nenhuma questão social, mas, quando a stora disse que devíamos também estabelecer relações com Felizmente Há Luar, nós não hesitámos, pois achamos que, no tema musical, há muitos aspetos que podemos relacionar, principalmente, com Matilde de Melo, mulher do general Gomes Freire de Andrade.

Matilde muda o seu estado de espírito ao longo do ato II (só neste ato é que esta personagem surge). A sua personalidade parece transformar-se no decorrer do enredo. A canção “fala” de revolta, tristeza, penitência e amor também, ou seja, tudo aquilo que a personagem sente quando luta pela libertação do general. Gostámos muito do momento em que ela se despede dele, de uma forma única, como se ele não tivesse morrido, mas estivesse, sim, com ela. Ela também acredita que aquilo não é um adeus, mas um até já!

Estes dois cantores de estilos tão diferentes (o dele é hip hop, R&B e rap; o dela é maioritariamente fado) juntaram-se numa canção muito sentida, que nos comove e faz pensar.

Gostámos muito de apresentar esta canção à nossa turma.

Ana, nº 2 e Catarina, nº 7

Deolinda, Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração
E nem me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!

Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Que para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
Se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me para quê?’
Há alguém bem pior do que eu na tv.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

“Parva que eu sou” foi a música que escolhemos para a apresentação oral, na disciplina de Português. Esta canção é um inédito do grupo Deolinda e foi apresentada ao público, pela primeira vez, no Coliseu do Porto, a 23 de janeiro de 2011.

Deolinda é um grupo musical de Lisboa, constituído por quatro membros, que se inspira no fado e na música popular portuguesa.

Nós escolhemos esta canção, porque trata da atualidade portuguesa, mais propriamente do desemprego e das condições de vida dos jovens.

Não há uma ligação direta com a obra Felizmente Há Luar, porque o problema social vivido pela nossa geração deve-se ao facto de os jovens terem habilitações superiores que não são necessárias para os “empregos” que conseguem arranjar. Por isso, na canção se diz “Que mundo tão parvo / que para ser escravo é preciso estudar!”.  Na obra de Luís Sttau Monteiro, podemos ver que o povo vive na miséria: todos parecem mendigar e todos são analfabetos. Só alguns “espertos”, como Vicente, conseguem escapar à fome.

Bruna, nº6 e David, nº 8

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

4 opiniões sobre “Felizmente há luar (6)”

  1. Parabéns, Bruna e David! Gostei muito da vossa apresentação, porque foram bastante explícitos e escolheram bem os argumentos.
    Gostei da escolha do tema musical.

    Beijinhos,
    Alexandra

    Gostar

  2. Ana e Catarina,
    Gostei muito desta canção, que, não denunciando uma realidade social, é certo, foi muito bem relacionada com “Felizmente há luar”. Vocês viram, nos versos cantados por Mariza, os diferentes estados de espírito de Matilde de Melo e fundamentaram pertinentemente com passagens da obra as vossas afirmações.
    A mistura dos dois estilos musicais na mesma canção também resulta bem!
    Parabéns!
    IA

    Bruna e David,

    Grande canção esta!
    Infelizmente, o vosso tempo está aqui “chapadinho” e vocês compreenderam bem a mensagem que o grupo Deolinda quer transmitir. Viram também a especificidade do contexto social presente e a dificuldade em encontrar semelhanças com o retratado na peça. Mas mostraram, e bem, as diferenças!
    Gostei MUITO!
    IA

    Gostar

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