Felizmente há luar (3)

Prosseguindo com as seleções musicais dos alunos…

Bob Marley, Redemption Song

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty
We forward in this generation
Triumphantly

Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
‘Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Some say it’s just a part of it
We’ve got to fulfill the Book

Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs

A Redemption Song do grande e único Bob Marley, o Rei do Reggae, foi  a minha escolha para a apresentação oral, por vários motivos. Em primeiro lugar,  porque Marley é um dos meus cantores preferidos; em segundo, porque a canção foi uma das últimas a ser criada, antes de o compositor jamaicano nos deixar; e, em terceiro lugar, porque achei que alguns dos versos denunciavam uma realidade social, ainda atual.

Também porque se pode estabelecer um paralelismo com Felizmente Há luar, uma vez que o tema musical também denuncia a opressão de um povo que foi escravizado no passado e continua a sê-lo mentalmente no presente. Este facto comprova-se nos quatro primeiros versos da primeira estrofe e no primeiro da terceira (assinalados a bold na letra da canção).

Foi, para mim, um momento emocionante passar o meu Bob na aula de Português! Acho que os meus colegas gostaram…

Ana Sofia, nº 4

Sam the kid, Sofia

Advertência

A letra do tema “Sofia” do rapper Sam the Kid está presente no videoclipe e contém expressões em gíria, calão e linguagem de natureza sexual explícita. Tudo bem: a linguagem está ao serviço da mensagem. Também contém diversos erros linguísticos que foram detetados por nós, pelos colegas e pela professora, quando fizemos a apresentação oral.  É pena, porque Sam the Kid merecia ser tratado com mais cuidado!

Quando a stora pediu que escolhêssemos uma canção de que gostássemos e que denunciasse uma realidade social atual, pensámos logo na “Sofia”. Talvez também porque somos adolescentes. A canção é longa e narra a história de um jovem que se envolve com Sofia, nascendo dessa relação uma criança não planeada. O tema é a gravidez na adolescência, um mal do nosso tempo.

Mas a canção é mais do que isso. Ela propõe uma outra reflexão: até que ponto temos razão em nos queixar das nossas escolhas? Afinal, por mais que a nossa realidade não nos agrade, a verdade é que, se tivéssemos escolhido outro caminho, poderíamos encontrar outros problemas, certamente bem mais graves. Como é o caso.

Que relação com Felizmente Há Luar?

Talvez os versos que a canção pediu emprestados a um texto que não conseguimos identificar e ditos por (parece) Mário Viegas respondam a esta questão.

“Cada um é alvo incessante das suas influências, sabes? / E entre as influências há as boas e más, negativas / e positivas”

Poderiam Manuel e os restantes populares acreditar na mudança, se o General Gomes Freire, a única esperança (a influência positiva), lhes foi roubado pelos Governadores do Reino?

Foi mesmo muito bom ouvir (mais uma vez) Sam The Kid!

 Inês, nº 9 e João, nº 10

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Outras lutas

E agora, onde vamos? 

Hoje, foi dia de cinema na aula de Português. O filme impunha-se pelos tempos conturbados que a Europa e o mundo vivem com a ameaça do terrorismo. Mas também por várias pontes possíveis com a obra de Luís Sttau Monteiro.

É libanês e fez-se pela mão de uma mulher, a realizadora e atriz Nadine Labaki. Criou-o com aquela doçura tão feminina, talvez a única arma capaz de derrotar não só a amargura das mulheres que sofrem (com) a morte dos seus mais queridos mas também a raiva e prepotência dos homens que desejam a guerra.

Afinal, como diz Matilde de Melo, em Felizmente há luar,  “As mulheres (…) estão sempre dispostas a colaborar com a tirania para conservarem os maridos em casa.”. Aqui não se compactuou com a tirania. Outras foram as estratégias… Algumas bem divertidas!

E assim se cumpriu a lição.

IA

Felizmente há luar (2)

Prosseguindo com as seleções musicais dos alunos…

KLEPHT,  EMBORA DOA 

É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar…
Qual papel será o meu? 
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

Porque nada surpreende.
Já vivemos com o medo.
Quem nos chama à razão?
Ao som de armas adormeço…

Embora doa, não me faz perder o sono.
Embora doa…

Escorre sangue pelo ouro em directo na tv
Explode a carne em mãos de quem nada fez

Embora doa, não me sujo desse sangue 
Embora doa, há sempre outro canal

Embora doa…

Embora doa…
Não me sujo desse sangue
Embora doa…
Há sempre outro canal.

É a dúvida que resta que me leva a perguntar…

O tema musical que escolhemos para esta apresentação oral é dos Klepht, que são uma banda portuguesa composta por Diogo Dias, Marco Reis e Mário Sousa. A banda formou-se em 2000 e o seu estilo musical é Pop Rock.

Nós escolhemos “Embora Doa”, porque achamos que a letra tem uma mensagem importante e a música bonita e calma. A canção “fala”  da guerra que é vista por todos na TV e contra a qual nada podemos fazer. Diz-nos também que há morte de muitos inocentes e o intérprete vê tudo isto na televisão e não consegue fazer nada, dizendo mesmo que há sempre um outro canal que podemos ver.

A relação que se pode estabelecer entre o tema musical e a obra de Luís Sttau Monteiro tem a ver com a personagem Manuel. Este popular também nos diz que não consegue fazer nada para mudar a situação em que o povo vive. O povo não tinha armas para se defender, mal se aguentava em pé porque a fome era tanta e pouco ou nada podia decidir sobre a sua vida. É um pouco como na canção, quando se diz: 

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.” (…)

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…”

Gostámos muito de apresentar esta canção à turma.

Ana, nº 3 e Rafaela, nº 14

DILLAZ,  SR. PRESIDENTE 

Esta é a minha carta escrita, Sr. Presidente,

Tenho reparado que a vida pra si é diferente

Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

 

Venha dar valor à vida, à maioria que vive contrariado
Ver o que são seis cabeças apenas com um ordenado
Ver a inveja e a ganância, a confiança e o mau olhado
Ver que não tem futuro pelo que fez no passado

É complicado, também não encontro uma explicação:
Ver um puto que tinha um parque, agora só brinca no chão
Olhe prós meus olhos, eu olho bem nos seus
Eu faço a pergunta, “acha que o meu bairro morreu?”

Investimento noutros sítios, porquê que a madorna não tem
Você conhece mal a zona, a polícia conhece bem
Não invista pró seu luxo, não gaste no que não convém
Se o meu povo investe dez, vocês chegam e roubam cem

Sr. presidente, diga, explique-me o porquê
Porquê que não ajuda um idoso se ele trabalhou mais que você
Continue a pôr os olhos na cara da multidão
Que tem metade do ordenado mínimo, outra metade da solidão

Não dá para a luz, não dá para a água, pra comida nem pro gás
Quinze contos só de fraldas, quem é que alimenta o rapaz?
Rapariga vai crescendo e segue a tabuleta errada
O homem pensa que tem filha e afinal tem uma enteada

Nada muda, não dê de fuga nem descalce a luva
Muitos não morreram de cirrose, porque faltava uma uva
Lembre-se que não somos cães numa matilha
E nesta situação podia ‘tar a sua filha

Mas a esperança é a única coisa que faz remar contra maré
Porque a vida é uma injustiça, a vida é o que ela é
Não diga que acabou, não diga que é o fim
Porque eu nasci em 91 e Portugal não era assim

A pensar se guardo a guita, porque amanhã ela baza
Não ter uma cara feia cada vez que saio de casa
Acorde e volte à terra porque os problemas estão em brasa
Se prefere outros planetas, pense em trabalhar na NASA

Porque há quem pense em aproveitar a luz do dia
Pense no assunto, faça-me essa primazia
Sr. presidente, a gente precisa de harmonia
Venda o seu BM e mande para aqui alegria

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Para este trabalho, solicitado pela professora, escolhemos o cantor Dillaz, com o tema “Sr. Presidente”, onde são comparadas diferentes classes sociais. O cantor salienta a facilidade com que “os ricos” conseguem tudo e as dificuldades por que passam “os menos abonados”, neste caso os que vivem nos bairros sociais.

O mesmo se passa na obra Felizmente há luar, na qual  os três governadores do reino levam vidas luxuosas e desafogadas e os pobres (o povo) vivem na rua, dormem no chão e comem e vestem-se do que lhes derem como esmola. Infelizmente, nos nossos dias isto ainda acontece, o que faz com que a obra de Luís Sttau Monteiro seja atual, a este nível também.

O cantor Dillaz chama-se André, vive na Madorna, um bairro social, que aparenta estar esquecido por aqueles que nos governam. O seu estilo musical é o Hip hop, que também não é muito valorizado socialmente, mas consegue transmitir várias ideias e críticas, de modo muito claro.

Adorámos apresentar esta canção à turma!

Alexandra, nº 1, Ângela, nº 5