Os Lusíadas – O poeta (lamenta-se) em canção

Os Milladoiro dedicaram-se a Luís de Camões. Foram aos Cantos I e III de Os Lusíadas, selecionaram quatro oitavas, deram-lhes uma outra arrumação e fizeram cantiga:

Eis as estâncias selecionadas conforme são cantadas, sendo que a primeira é de leitura obrigatória no 12º ano, pois constitui uma das reflexões do poeta. Aqui Camões lamenta essa imensa fragilidade do ser humano, que (sobre)vive sempre sujeito a forças incontroláveis!

“No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno 
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Canto I, estância 106 

119 
Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano. 

120 
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

118
(…)
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi Rainha.” 

Canto III, estâncias 118-120

O episódio daquela “Que depois de ser morta foi rainha” também aqui está presente, pois ela, Inês, venceu o tempo e o espaço: a sua história não se perdeu no passado e rasgou fronteiras… 

E este é um belíssimo momento, um ponto de partida ou “ponto de fuga” para essa obra magnífica, que Camões nos legou…

Os Lusíadas!

Bom trabalho!

IA

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

2 opiniões sobre “Os Lusíadas – O poeta (lamenta-se) em canção”

  1. Muito obrigada, David, por visitar este Paraíso!

    Tento fazer com que aquilo que ensino seja também aliciante… É óbvio que o estudo e o trabalho são o essencial da atividade letiva. Mas a motivação é crucial, principalmente quando os textos a abordar têm séculos e são geralmente encarados pelos alunos como sendo “uma (grande) seca”…
    Infelizmente, é esta a visão que domina entre os nossos pequenos quando se fala de Camões ou de “Os Lusíadas”! Eu só (ou também) queria que eles compreendessem o poeta e a obra e constatassem a sua atualidade e o caráter universal de ambos…
    beijinho,
    IA

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