Formação de palavras

Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a derivação e a composiçãoA diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical (forma de base), enquanto no processo de composição  haverá no mínimo dois radicais. Hoje, só trataremos da DERIVAÇÃO

Em anexo, segue uma listagem de prefixos e sufixos da Língua Portuguesa.

Derivação

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada forma de base. Observe o quadro abaixo:

Forma de Base

Derivada

mar marítimo, marinheiro, marujo
terra enterrar, terreiro, aterrar

 Derivação por Prefixação

Resulta do acréscimo de prefixo à forma de base, que vê o seu significado alterado. Vejamos os exemplos:

crer- descrer
ler- reler
capaz- incapaz

Derivação por Sufixação

Resulta de acréscimo de sufixo à forma de base, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical.

Exemplo:

Alfabetizar – alfabetização

No exemplo acima, o sufixo -ção  transforma em nome o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do nome alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.

Derivação Parassintética ou Parassíntese

Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à forma de base. Por meio da parassíntese formam-se nomes, adjetivos  e verbos.

Consideremos o adjetivo “triste”. Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois na nossa língua não existem as palavras “entriste”, nem “tristecer”.

NOTA 1: Não confundir este tipo de derivação com a denominada derivação por prefixação e sufixação em que a junção dos afixos não é concomitante, como é o caso de “infelizmente” (existem os vocábulos “infeliz” e “felizmente”, ao contrário do que sucede com o exemplo anterior).

NOTA 2: Ainda a propósito da parassíntese, peço emprestado ao blogue Carruagem 23 o seguinte apontamento:

“Que me dizes…? Eu digo-te…

     (…)FormaçãoPalavras

Q: Que me dizes de ‘apadrinhamento’ e ‘apodrecimento’ serem exemplos de derivação por parassíntese?
    Impõe-se a resposta, com o mesmo tuteamento de partida:
     R: Eu digo-te que não são bons exemplos, pois claro, a par de outros já aqui abordados. Fosse a resposta ‘apadrinhar’ e ‘apodrecer’ e nada teria a dizer, por se tratarem de verbos formados a partir de nome (no caso, ‘padrinho’) ou de adjetivo (no caso, ‘podre’). Estes, sim, são os casos prototípicos da parassíntese.
  “Apadrinhamento” e “apodrecimento” são casos de derivação (sucessiva e) por sufixação. O problema é sempre o de não se ver que a base ‘apadrinhar’, já de si complexa, é a derivante para ‘apadrinhamento‘ (com o acrescento do sufixo [mento]), o mesmo sucedendo com ‘apodrecer’ > ‘apodrecimento‘. Assim o ditam os elementos morfológicos sublinhados, sufixos acrescentados a uma base já por si derivada. (…)”

Um agradecimento muito especial ao professor Vítor Oliveira! 

Com base neste artigo e na sistematização proposta no manual, poderemos resolver os exercícios da página 24.

Bom trabalho!

Ia

Sufixos

Bibliografia: 
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf4.php (com adaptações)
http://carruagem23.blogspot.pt/2015/10/que-me-dizes-eu-digo-te.html
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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

2 opiniões sobre “Formação de palavras”

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