Antero de Quental… a Só(s) num trio

Edvard Munch, Melancolia

A Alberto Teles

 Só! – Ao ermita sozinho na montanha
Visita-o Deus e dá-lhe confiança:
No mar, o nauta, que o tufão balança,
Espera um sopro amigo que o céu tenha. . .

Só! – Mas quem se assentou em riba estranha,
Longe dos seus, lá tem inda a lembrança;
E Deus deixa-lhe ao menos a esperança
Ao que à noite soluça em erma penha. . .

Só! – Não o é quem na dor, quem nos cansaços,
Tem um laço que o prenda a este fadário,
Uma crença, um desejo. . . e inda um cuidado. . .

Mas cruzar, com desdém, inertes braços,
Mas passar, entre turbas, solitário,
Isto é ser só, é ser abandonado!

Antero de Quental, in Sonetos Completos. Ulisseia

E para acompanhar Antero e Munch nesta (não) solidão, fica também Heitor Villa-Lobos.

Tenham um ótimo fim de semana!

IA

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

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