O estilo de Eça em “Os Maias”

Neste artigo, pretende-se partir do levantamento dos recursos expressivos mais explorados no excerto publicado no post anterior e proceder à sua interpretação. 

Esses recursos estão sistematizados na ficha anexada abaixo.

O estilo de Eça de Queirós em Os Maias

Podemos verificar, pela leitura atenta da tabela presente na ficha em anexo, que os recursos expressivos que apresentam estruturas linguísticas com valor semântico negativo/depreciativo se relacionam quer com os elementos humanos observados, façam eles parte da crónica de costumes ou não (como é o caso da personagem protagonista, Carlos da Maia) quer com a paisagem humanizada, ou seja, com tudo o que é construção nas ruas de Lisboa ou no espaço reservado ao hipódromo.

A natureza, pelo contrário, aparece maioritariamente descrita como um espaço aberto, inundado de luz e de cor, convidativo à deambulação e ao deleite através da exploração de sensações, que são (ou deveriam ser) ativadas no contacto direto com  a mesma. A paisagem natural só surge descrita com vocábulos cujos traços semânticos apresentam uma carga negativa, sempre que é perspetivada enquanto espaço que permite uma identificação do estado de espírito das personagens nela integradas, acabando por se assemelhar a  elas.

O predomínio da sensação visual (principalmente a cromática) adequa-se à estética impressionista, explorada nas artes plásticas dos finais do século XIX, nomeadamente na pintura, e é recorrente na técnica descritiva queirosiana (como o será também na lírica de Cesário Verde).

Também é de salientar o efeito cómico e a técnica da caricatura presentes em certas passagens textuais, resultantes da harmonização de diversos recursos expressivos. Aqueles contribuem não só para a denúncia do provincianismo, que caracteriza, numa perspetiva ampliada pelo monóculo do autor, a sociedade lisboeta oitocentista, mas também para a revelação de outros “vícios” sociais (e mesmo morais): a precariedade das construções, a falta de higiene, o compadrio, a ausência de ética profissional… Enfim, a tal “sensaboria de rachar”, expressão com que dois brasileiros descrevem estas corridas em Lisboa.

Para já, meus caros alunos, fiquemos por aqui, que a lição já vai longa!

Bom trabalho!

IA

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

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