Intervalando com uma segunda Suite Alentejana

Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve… docemente…
As papoilas sangrentas, sensuais…

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…

Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador…
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!

Florbela Espanca
11/05/1916

Tenham um bom fim de semana!

IA

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

3 opiniões sobre “Intervalando com uma segunda Suite Alentejana”

  1. A capa do CD faz-me lembrar tempos já distantes em que nós, a família junta, atravessávamos o Alentejo rumo ao Algarve, onde passávamos uma ou duas semanas do verão. Também a música convoca o calor tórrido da planície sobretudo no início da tarde.
    O poema de Florbela Espanca faz-me recuar ainda mais no tempo, porque ela foi uma das minhas paixões literárias da adolescência.
    Obrigada por todas as sensações que, neste belo intervalo, reuniste.
    Dolores

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  2. Muito agradável este prelúdio musical, neste dia primaveril que nos transporta para outras paragens. O poema sempre presente pode deixar alguma melancolia no ar…
    obrigada pela partilha.
    MANUELA

    Gostar

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