Intervalando exames com Jornadas Pedagógicas na ESG

Foram três as intervenções de quem sabe – e bem – neste domínio, mas destaco uma. Por dois motivos. O primeiro é de natureza afetiva: foi meu colega e coordenador de departamento na ESG. Com ele aprendi muito.

O segundo prende-se (ou solta-se?) com o percurso escolhido para a sua apresentação, de que destaco os dois videoclips e as palavras em maiúsculas, que fui casando livremente ao longo da minha tomada de notas e que registo aqui.

“Porque o professor é um CRIADOR!

Por isso, AUTOR de percursos pertinentes para aprendizagens significativas…

que são da sua AUTORIA e concomitantemente da AUTORIA do aluno que se (re)cria, pela aquisição/construção do(s) saber(es), “nesse caminho duro / do Futuro”, como profetiza o poeta Miguel Torga…

E todo este processo implica também o princípio da AUTORIDADE…

Uma trindade da mesma família de palavras, com que se vai (re)fazendo o processo de ensino/aprendizagem…”

 
“O mais importante na vida
É ser-se criador — criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.

E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.”

 

António Botto (1897-1959), "O mais importante" in «Canções» (1920)
Tradução para inglês de Fernando Pessoa em: «Songs» (1930) 
Música: Bernardo Sassetti (1970-2012), "Inocência - Movimento I"

É um facto: às vezes, um tropeção ajuda-nos a crescer, ou seja, a cheirar (leia-se também fazê-lo nosso, porque o inspiramos) o saber… Isto é também o cheiro dos livros!

Muito obrigada, JMA, pela sensível e criativa apresentação nestas jornadas que hoje foram e que pretendiam provocar uma reflexão subordinada ao tema Caminhos para o sucesso escolar: oportunidades e desafios.

IA

Anúncios

Camões, grande Camões…

Porque hoje é também dia dele… O da partida, porque o da chegada desconhecemos…

Fiquemos então com este requiem de um compositor português setecentista, que assim homenageia Camões, e dois poemas: o primeiro, de Bocage; o segundo, de Torga. A ordem é meramente cronológica.

IA

“Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo
Arrostar co´o sacrílego gigante;
 
Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
também carpindo estou, saudoso amante.
 
Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu pela certeza
De que só terei paz na sepultura.
 
Modelo meu tu és, mas… oh, tristeza!…
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.”
 
 
Bocage, Rimas

 

 
 

“Nem tenho versos, cedro desmedido
da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
que fico a olhar de longe tal grandeza.


Quem te pode cantar, depois do Canto
que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto
chega aos teus pés e como que arrefece.


Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
foste louco a cantar e louco a combater.


Sirva, pois, de poema este respeito
que te devo e confesso,
única nau do sonho insatisfeito
que não teve regresso!”

Miguel Torga, Poemas Ibéricos

A Poesia e a Pintura de mãos dadas

cesarioeamadeo

Os alunos foram desafiados a encontrar aspetos comuns, quer a nível temático quer a nível formal, entre a poesia de um e a pintura do outro. Esta é parte da leitura que a Catarina fez de versos do poema “A Débil”, quando “casados” com dois quadros de Amadeo de Souza-Cardoso, identificados no fim do artigo.

IA

A Débil

“Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

“Ela aí vem!” disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;  
E invejava, — talvez que não o suspeites! –
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

(…)

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.” 

Cesário Verde, in ‘O Livro de Cesário Verde’

“Cesário descreve a bela mulher psicologicamente como sendo frágil, natural, recolhida, pura… e, fisicamente, como sendo jovem, loura, dona de um corpo alegre e de uma cintura estreita, adorável, elegante… Porém, o sujeito poético sente-se “feio, sólido e leal”.

Ele “pinta” ainda os espaços físicos onde se encontram, utilizando uma caracterização disfórica e negativa – “…à mesa dum café devasso, (…) Nesta Babel tão velha e corruptora” -, permitindo o contraste entre a mulher frágil e bela e o local fechado e obscuro (…). A jovem “pintada” nos versos de Cesário, parece uma combinação entre a mulher do campo e a da cidade, respetivamente, em relação ao retrato que o eu poético faz dela e ao espaço em que esta se encontra. O poeta-pintor utiliza imagens visuais, um vocabulário preciso e a adjetivação para enriquecer as suas descrições. Afasta-se do lirismo romântico através dessa objetividade. Os dois quadros adequam-se, na minha opinião, ao retrato do sujeito poético e a esta mulher, devido às cores vivas e à solidez das formas.”

Catarina

Quadros de Amadeo de Souza_cardoso: Cabeça (óleo sobre cartão) e Canção Popular e o Pássaro do Brasil (óleo sobre tela) 

Um piquenique em jeito de despedida…

Vamos para exames, logo há que comer bem e conviver melhor, para repormos energias… Depois vêm as provas. Oh… 😦

Esperemos que os resultados sejam bons e nos façam 🙂 como nesta fotografia do piquenique!

IMG_20160601_160734

E nós somos, a começar pelas sentadinhas, da esquerda para a direita, a Diana, a Maria (Santos), a Joana (Costa), a Inês (Santos), a Daniela e a Ana Beatriz. E os levantadinhos são, a seguir a mesma ordem, a Jéssica, a Maria (Rocha), o Sérgio, a Maria Inês, o Gonçalo, a Rita, o Pedro P., o Pedro (Coelho), o João, a Inês (Peixoto), a Joana (Rodrigues), a Cristina, a Ana Rita e a Catarina.

A fotografia foi tirada no pequeno “Paraíso” da stora Manuela (a nossa inesquecível professora de História!), emprestado para este nosso convívio tão bom e feliz, onde quase todos os nossos professores (que nos acompanharam nestes dois anos) estiveram presentes.

Para o ano há mais!

Para já, até aos exames…

a turma 9 do 11.º ano, 2015/16