Intervalando com pintura

Qui a peint Nature morte devant la maison jaune ?

Raoul Dufy, Nature morte devant la maison jaune 

Tenham um excelente fim de semana!

IA

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Nobel da literatura: outros cantautores possíveis…

Em português, do outro lado do Atlântico:

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Chico Buarque, Construção

Gosto muito desta canção, cujo poema também é uma construção que se vai reformulando, refazendo com pedaços de versos (estilhaços do corpo que o poema também é) já cantados…

Em português, do lado de cá:

A principio é simples, anda-se sozinho

Passa-se nas ruas bem devagarinho

Está-se bem no silêncio e no burburinho

Bebe-se as certezas num copo de vinho

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

 

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo

Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo

Diz-se do passado, que está moribundo

Bebe-se o alento num copo sem fundo

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

 

E é então que amigos nos oferecem leito

Entra-se cansado e sai-se refeito

Luta-se por tudo o que se leva a peito

Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

 

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja

Olha-se para dentro e já pouco sobeja

Pede-se o descanso, por curto que seja

Apagam-se dúvidas num mar de cerveja

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

 

E enfim duma escolha faz-se um desafio

Enfrenta-se a vida de fio a pavio

Navega-se sem mar, sem vela ou navio

Bebe-se a coragem até dum copo vazio

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

 

E entretanto o tempo fez cinza da brasa

E outra maré cheia virá da maré vaza

Nasce um novo dia e no braço outra asa

Brinda-se aos amores com o vinho da casa

E vem-nos à memória uma frase batida

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

 

Sérgio Godinho, O primeiro dia

É-me difícil escolher uma canção de Godinho! São tantas aquelas de que gosto… Mas, vem-me/nos tantas vezes à memória esta frase batida!  Até um dia…

(Não sei se a tradução para a língua inglesa, presente no videoclip, está correta! Esta versão está aqui só porque é ao vivo.)

 IA

Pontuar e Acentuar: eis o que eles fizeram:

Depois de recolhidos dos corredores da ESG, chegaram estes exemplares à sala de aula do 10.º 7. Alguns pares de frases desapareceram. p_20161018_131248Alguém que quer a todo custo aprender a pontuar e a acentuar foi, decerto, o bem intencionado “larápio” dos minicartazes do 10.º 7… Que lhe façam bom proveito!

IA

Nós, o 10.º 7, cá vamos aprendendo alguns truques para pontuar e acentuar melhor…

Ainda não tirámos a nossa fotografia coletiva para acompanhar a nossa apresentação, pois temos alguns colegas doentes e  queremos ficar todos na selfie! 🙂

Mas em breve diremos quem somos.

 10.º 7

Cantiga de Amor

Quando a literatura é (en)cantada…

O que vos nunca cuidei a dizer

O que vos nunca cuidei a dizer,
com gram coita, senhor, vo-lo direi,
porque me vejo já por vós morrer;
ca sabedes que nunca vos falei
de como me matava voss’amor;
ca sabe Deus bem que doutra senhor,
que eu nom havia, mi vos chamei.
 
E tod[o] aquesto mi fez fazer
o mui gram medo que eu de vós hei
e des i por vos dar a entender
que por outra morria – de que hei,
bem sabedes, mui pequeno pavor;
e des oimais, fremosa mia senhor,
se me matardes, bem vo-lo busquei.
 
E creede que haverei prazer
de me matardes, pois eu certo sei
que esso pouco que hei de viver
que nẽum prazer nunca veerei;
e porque sõo desto sabedor,
se mi quiserdes dar morte, senhor,
por gram mercee vo-lo [eu] terrei.
 

 El-Rei D. Dinis de Portugal

D. Dinis, hoje, poderia ser Nobel da literatura!

IA

NOTA: Também podemos revisitar esta página do Paraíso: https://isauraafonseca.wordpress.com/2015/10/16/um-cantinho-para-o-amor-cortes/

Para refletir

Chegou, hoje, ao meu e-mail, enviado pelo Clube das Histórias.

IA

Súplica de uma Criança aos seus Professores

 

Ensinem-nos o entusiasmo,

Ensinem-nos o espanto da descoberta.

Não nos deem apenas as vossas respostas.

Despertem as nossas perguntas,

Acolham as nossas interrogações,

Convidem-nos a respeitar a Vida.

 

Ensinem-nos a mudar,

A partilhar, a dialogar.

Ensinem-nos todos os possíveis

Da comunhão.

Não nos deem apenas o vosso saber.

Acordem a nossa fome de ser,

Acolham as nossas contradições

E as nossas hesitações.

Chamem-nos a engrandecer a Vida.

 

Resultado de imagem para crianças e sonho

 

 Ensinem-nos o melhor de nós mesmos:

Ensinem-nos a contemplar,

A explorar, a tocar o indizível.

Não nos deem apenas o vosso saber-fazer.

Despertem em nós o gosto do comprometimento,

Acolham a nossa criatividade,

Ajudem-nos a preparar o futuro.

Chamem-nos a enriquecer a Vida.

 

Ensinem-nos o reencontro com o mundo,

Ensinem-nos a ouvir para além

Das aparências.

Não nos encham apenas os ouvidos

Com fragmentos de coerência e de verdade.

Acordem em nós a busca do Sentido.

Acolham as nossas errâncias e incongruências,

Incitem-nos a entrar numa Vida mais autêntica.

 

É urgente e vital!

 

Jacques Salomé 
Car nous venons tous du pays de notre enfance 
Paris, Albin Michel, 2000
(Tradução e adaptação)

imagem colhida no Google Imagens