Intervalando com Cranberries

Fiquemos assim com Dolores O’Riordon, Noel Hogan, Mike Hogan e Fergal Lawler, numa ode à família (porque domingo é Dia do Pai), com sonhos e com uma sinfonia em canção ou uma canção que parece sinfonia…

Ode To My Family

Dreams

Linger

É tão bom regressar aos anos noventa!… É caso para perguntar: o que Camões acharia disto?

Bom fim de semana!

IA

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Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (2)

E os textos continuam…

“Com o fim de nos dar a conhecer melhor  vida do grande poeta português Luís de Camões, Kátia Guedes Pedro Dias e Nuno Martins interpretaram os papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente.

Tudo começa com a inquietação do professor Luís, que procura novas técnicas para ensinar aos seus alunos a poesia de Camões, de modo apelativo e que os mantenha interessados nessa matéria. Quando chega Daniel, o seu amigo historiador, este dispõe-se a ajudar, até que aparece também dona Alice, a empregada doméstica do professor. Com estas duas preciosas ajudas, o professor decide dar-lhes/nos uma aula de português dramatizada. (…)

Assim, sugerimos uma ida ao teatro para assistir a esta magnífica peça, que, acreditem ou não, nos vai persuadir a ler mais poemas deste fantástico autor.” 

Sezília Negro

(Matilde Areia, n.º 19, e Renata Teixeira, n.º22 )

“No dia 24 de fevereiro de 2017, na sala Ballet Teatro (no Porto), o grupo ETCetera levou a cena a peça Luís- o poeta e o homem, deixando o público ao rubro, com apenas três personagens. Estas são a dona Alice, o professor Luís e o menino Daniel, representadas, respetivamente, por Kátia Guedes, Nuno Martins e Pedro Dias. 

Nesta peça, foram-nos apresentados dois momentos literários diferentes – a lírica trovadoresca e a produção poética de Camões.” 

Pedro Jesus

(Ana Leonardo, n.º 1, e António Silva, n.º 2)

“A atriz Kátia Guedes interpretou a brilhante e muito empenhada dona Alice (a empregada doméstica do professor Luís), que cantou e nos presenteou com um humor único”

O professor Luís, interpretado por Nuno Martins, revelou-se um homem com ideias fixas quanto à forma de apresentar as suas aulas sobre Camões (tanto o homem como o poeta).

Pedro Dias, que desempenhou o papel de “menino” Daniel, um especialista em História muito simpático e sempre pronto a ajudar, emprestava ironia a cada réplica.”

Mafalda Cardoso

(Mafalda Castro, n.º 16, e Rafaela Cardoso, n.º 21)

“No último dia 24 de fevereiro, o grupo ETCetera deslocou-se ao ballet Teatro para nos apresentar a peça Luís – o poeta e homem. (…)

Pudemos rever a lírica trovadoresca, com o “menino” Daniel a dedicar à dona Alice a cantiga “Dona Fea foste-vos queixar” e, por sua vez, esta retribuiu-lhe a graça com “Roi Queimado morreu com amor”. Foi um momento divertido e foi uma forma mais simples de captar a atenção de um público jovem.”

Gonçalo Jorge

(Gonçalo Silva, n.º 6 e Jorge Martins, n.º 11)

 

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (1)

Luís – o poeta e o homem

Depois do teatro, a apreciação crítica. 

A pares, os alunos tornaram-se num jornalista atento e crítico e fizeram texto a propósito do espetáculo a que assistiram. Eis fragmentos desses textos.

“Na passada sexta-feira, dia 24 de fevereiro, fomos convidados a assistir à representação da peça Luís – o poeta e o homem, pela companhia ETCetera, no anfiteatro Ballet Teatro, no Porto.

A companhia apresentou-nos Kátia Guedes, Pedro Miguel Dias e Nuno Martins nos papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente. A ação desenrola-se no escritório do professor Luís (na sua casa), onde ele prepara as suas aulas. Mas surge-lhe um dilema: como captar a atenção dos alunos e fazer com que estes entendam a vida e a obra de Camões? É neste momento que surgem duas ajudas preciosas: o “menino” Daniel, historiador, e a dona Alice, a singela empregada doméstica do professor, que sugerem que se misture música ao assunto a lecionar. Com esta estratégia, os três viajam ao longo da história da literatura portuguesa, desde os seus primórdios, com algumas típicas cantigas da lírica trovadoresca – “Se eu pudesse desamar” (cantiga de amor), Dona fea, foste-vos queixar” e “Roi Queimado morreu com amor” (cantigas de escárnio e maldizer) – até Camões, passando pela sua lírica, com “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Descalça vai para a fonte”, e acabando na Épica, com a colossal obra Os Lusíadas. (…)” 

Maurício Eduardo

(Carlos Eduardo, n.º 4, e Maurício, n.º 20)

“Dona Alice, o professor Luís e o “menino” Daniel mostraram aos seus espectadores, de forma detalhada e divertida, diferentes formas de abordar a lírica trovadoresca e camoniana. Através de canções, declamações e breves dramatizações, entusiasmaram o público, de modo a que este embarcasse numa viagem inesquecível, que, pela curiosidade que desperta, coloca lado a lado o nosso mundo e o de Camões. 

Tudo começa com o professor Luís, que tenta preparar as suas aulas  sobre Luís de Camões. Com a chegada de Daniel, o seu amigo historiador que se propõe a ajudá-lo, a preparação das aulas parece mais fácil. Até que surge dona Alice, a empregada do professor, que se intromete e opina sobre a conversa dos dois amigos. Luís decide então juntar Daniel e dona Alice  para encenar uma aula e tentar perceber como será a reação dos seus alunos.”

Leonor Manuel

(Leonor Susano, n.º 13, e Francisco Martins, n.º 5)

“A opinião do público, constituído por alunos do décimo ano da ESG, em relação ao desempenho dos atores  foi bastante positiva, considerando estes que a personagem que mais se distinguiu, e por isso mais apreciada por todos, foi a singular e única dona Alice, muito bem interpretada por Kátia Guedes. A sua bem-humorada representação foi conseguida com a cooperação de Nuno Martins (o professor Luís) e Pedro Miguel Dias (o “menino” Daniel).

A peça foi representada de forma simples e divertida, porém bastante didática, pois os alunos puderam rever a lírica trovadoresca e motivar-se para o estudo de Camões.”

Leonor Catarina

(Leonor Moreira, n.º 14, e Lídia Catarina, n.º 15)

“Todos os artistas tiveram uma excelente prestação e bastante envolvente. O ator Nuno Martins encarnou a personagem professor Luís, que leciona a disciplina de português e que não sabia como havia de falar aos seus alunos de Camões, de uma forma interessante e que os fizesse perceber bem essa matéria. Por isso, pede ajuda ao seu amigo Daniel. É Pedro Miguel Dias quem interpreta, e bem, esta personagem. É um historiador, que tenta ajudar o professor Luís, tratando sobretudo de aspetos biográficos do poeta. A atriz Kátia Guedes  representou a personagem dona Alice, uma senhora já de uma certa idade, que tem uma enorme imaginação e que, apesar de não perceber muito de Camões, tenta ajudar o educador com ideias inovadoras e muito engraçadas, criando, com os dois,  uma aula encenada muito dinâmica.”

Rita Rui

(Rita Oliveira, n.º 23, e Rui Martins, N.º 24)

Intervalando com simplicidade e beleza

Assim, um pouco como na lírica camoniana, quando o amor não é correspondido ou é apenas vivido a um só coração…

IA

Amar pelos dois

Se um dia alguém
Perguntar por mim
Diz que vivi
Para te amar

Antes de ti
Só existi
Cansado e sem nada p’ra dar
Meu bem
Ouve as minhas preces
Peço que regresses
Que me voltes a querer

Eu sei
Que não se ama sozinho
Talvez devagarinho
Possas voltar a aprender

Se o teu coração
Não quiser ceder
Não sentir paixão
Não quiser sofrer

Sem fazer planos
Do que virá depois
O meu coração
Pode amar pelos dois

Luísa Sobral

Não fazes favor nenhum em gostar de alguém

nem eu

nem eu

nem eu

quem inventou o amor

não fui eu

não fui eu

não fui eu

não fui eu

nem ninguém

 

O amor acontece na vida

estavas desprevenida

e por acaso eu também

e como o acaso é importante querida

de nossas vidas a vida fez um acaso também

 

Não fazes favor nenhum em gostar de alguém

nem eu

nem eu

nem eu

quem inventou o amor

não fui eu

não fui eu

não fui eu

não fui eu nem ninguém

Camões dito e cantado

Camões dito por “Camões”:

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem-querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Camões cantado por outro, com alguma(s) liberdade(s) poética(s):

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Camões cantado por outra…

Descalça vai para a fonte

Mote

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Voltas

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Pus meus olhos nũa funda

Mote

Pus meus olhos nũa funda,
e fiz um tiro com ela
às grades de ũa janela.

ũa Dama, de malvada,
tomou seus olhos na mão
e tirou-me ũa pedrada
com eles ao coração.
Armei minha funda então,
e pus os meus olhos nela:
trape! quebro-lh’a janela.

Na fonte está Lianor

Mote

Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando,
Às amigas perguntando:
– Vistes lá o meu amor?

Voltas

Posto o pensamento nele,
Porque a tudo o amor obriga,
Cantava, mas a cantiga
Eram suspiros por ele.
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando,
Às amigas perguntando:
– Vistes lá o meu amor?

O rosto sobre ũa mão,
Os olhos no chão pregados,
Que, do chorar já cansados,
Algum descanso lhe dão.
Desta sorte Lianor
Suspende de quando em quando
Sua dor; e, em si tornando,
Mais pesada sente a dor.

Não deita dos olhos água,
Que não quer que a dor se abrande
Amor, porque, em mágoa grande,
Seca as lágrimas a mágoa.
Despois que de seu amor
Soube novas perguntando,
De improviso a vi chorando.
Olhai que extremos de dor!

Continuação de bom domingo!

IA