Intervalando com…

Once Upon a Summertime, em duas versões…

na voz  de Eden Atwood:

e na de Shirley Horn:

Once upon a summertime, if you recall
We stopped beside a little flower stall
A bunch of bright forget-me-nots
Was all I’d ever let you buy me

Once upon a summertime just like today
We laughed the happy afternoon away
And stole a kiss at every street cafe

You were sweeter than the blossoms on the tree
I was as proud as any girl could be
As if the mayor had offered me the key
To Paris

Now another winter time has come and gone
The pigeons feeding in the square have flown
But I remember when the vespers chimed
You loved me once upon a summertime

Now another winter time has come and gone
The pigeons feeding in the square have flown
But I remember when the vespers chimed
You loved me once upon a summertime.

Bom fim de semana!

IA

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Quando grandes livros dão grandes filmes

O Nome da Rosa, de Umberto Eco é um desses livros. Um livro que vive de livros! E não só… Faz parte do PIL do 10.º ano e foi escolhido por alguns alunos.

Aqui fica apenas um pedacinho do filme de Jean-Jacques Annaud, para “abrir o apetite”.

E um pedacinho do livro.

SEGUNDO DIA

NOITE

Onde se penetra finalmente no labirinto, se têm estranhas visões e, como acontece nos labirinto, aí a gente se perde.

 

Voltámos ao scriptorium, desta vez pela escada oriental, que também subia ao andar proibido, com a candeia ao alto diante de nós. Eu pensava nas palavras de Alinardo sobre o labirinto e esperava coisas pavorosas.

Fiquei surpreendido, quando emergimos no lugar onde não deveríamos ter entrado, ao encontrar-me numa sala de sete lados, não muito ampla, privada de janelas, em que reinava, como de resto em todo o andar, um forte odor a fechado ou a mofo. Nada de terrificante.

A sala, como disse, tinha sete paredes, mas só em quatro delas se abria entre duas colunazinhas encaixadas na parede, uma abertura, uma passagem bastante ampla encimada por um arco de volta inteira. Ao longo das paredes fechadas encostavam-se enormes armários, carregados de livros dispostos com regularidade. Os armários tinham uma etiqueta numerada, assim como cada uma das prateleiras: claramente, os mesmos números que tínhamos visto no catálogo. No meio da sala uma mesa, também ela repleta de livros. Sobre todos os volumes um véu bastante fino de poeira sinal de que os livros eram limpos com uma certa frequência. Pelo chão também havia qualquer sujidade. Por cima do arco de uma das portas, uma grande inscrição, pintada na parede, apresentava as palavras: Apocalypsis lesu Christi. Não parecia esbatida, embora os caracteres fossem antigos. Apercebemo-nos depois que, também nas outras salas, estas inscrições eram na verdade gravadas na pedra, e bastante profundamente e depois as cavidades tinham sido preenchidas com tinta, como se usa para pintar a fresco as igrejas.”

Umberto Eco, O nome da Rosa. Difel, 16.ª ed, p. 165

IA

Pintura e Camões (3)

O Nascimento de Vénus é uma obra do pintor italiano Sandro Botticelli, que procura captar o momento em que a deusa do amor e da beleza nasceu.

“Colocada no centro da composição, a Deusa ergue-se sobre uma concha que se aproxima da costa, empurrada pelo doce movimento das ondas e acompanhada por dois personagens, tradicionalmente associados aos deuses do vento que tentam imprimir a Vénus a sua essência divina.” (in https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura))

Esta pintura renascentista realça a beleza da mulher, neste caso de uma deusa. Esta característica pode relacionar-se com a lírica camoniana, na medida em que Camões, por influência petrarquista, destaca a beleza feminina, divinizando-a, descrevendo-a como inumana e até  “celeste”. É um ser divino, de pele e cabelos claros e todos os elementos físicos na sua descrição são reveladores das qualidades da sua alma.

Mais aspetos sobre esta obra de arte de Botticelli podem ser descobertos neste site brasileiro: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/

Destaco, no entanto, os seguintes parágrafos, que foram adaptados à ortografia do português europeu:

Acredita-se que a nudez da deusa não representa a paixão carnal, mas sim a paixão espiritual. Na obra, Vénus é apresentada de forma esguia e com traços harmoniosos. Além disso, Botticelli utiliza cores claras e puras, exaltando a pureza da alma e a beleza clássica.

Em sua totalidade, a obra apresenta serenidade e luminosidade, o que pode ser compreendido de duas formas. De certa maneira, aponta para a temática mitológica, levando-se em consideração a influência das esculturas gregas na composição da Vénus. Por outro lado, a obra apresenta símbolos cristãos como a concha e a água (batismo de Jesus Cristo), além dos anjos, que seriam Zéfiro e Clóris.” 

Bibliografia: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/ e
https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura)

Inês Cardoso, n.º 7

Retrato de Simonetta Vespucci

“Simonetta Vespucci” é um quadro de Sandro Botticelli, pintor renascentista, que nasceu em Florença, em 1445.

Desenvolveu um estilo caracterizado pela elegância do seu traçado e pela força expressiva das suas linhas. Pertence a um grupo de pintores que exploraram um estilo baseado na delicadeza, graça e num certo sentimentalismo.” (in http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/)

 (…)

O retrato desta mulher é influenciado pela conceção de ideal da beleza feminina de Petrarca e, por isso, a “amada” surge pintada como um ser angélico, com cabelos “de ouro”, ondulados, com pele branca e delicada, com olhos claros e cintilantes, que refletem um temperamento sereno e uma alegria discreta. A sua presença é, por isso, serena e gratificante para quem a vê.

Esta representação da mulher está relacionada com a conceção platónica do amor ideal (espiritual) e inacessível. (…)

A poesia de Petrarca inspirou cores suaves, que Botticelli explorou na sua pintura, assim como Camões na sua poesia. As cores utilizadas na descrição da amada podem ser comparadas a elementos da natureza: cabelos/ouro; olhos/sol; faces/rosas; lábios/coral. Esta mulher perfeita e inatingível enquadra-se na harmonia da natureza. Neste quadro de Botticelli, a natureza está presente nas pérolas e nas plumas dos seus cabelos e nas cores que já referi.

Inês Pinto, n.º 8

Bibliografia: http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/ 
e https://rainhastragicas.com/2016/09/27/a-venus-da-renascenca/

Pintura e Camões… (2)

Continuando a “pintar” e a sentir Camões…

O TRIUNFO DA MORTE

Pieter Bruegel, o velho, é um pintor flamengo, que ficou célebre pelos seus pequenos quadros retratando paisagens e cenas do campo. Nasceu entre 1525 e 1530 e morreu a 19 de setembro de 1569, em Bruxelas. “O Triunfo da Morte” (1562) é um dos seus quadros mais conhecidos e pode inserir-se no período do Renascimento, apesar de se notarem influências do pintor Hieronymus Bosch.

Na minha opinião, o quadro é excelente pois conseguimos logo reparar no principal objetivo da obra: alertar-nos para a ideia de que à morte ninguém (mesmo os mais poderosos) consegue escapar. Como há muitos pormenores nesta pintura, vou falar só de alguns

Na parte superior do quadro, há muito fumo e a natureza está toda queimada. Tudo está deserto e, à medida que vamos descendo no quadro, conseguimos reparar que há mortos, muitos que matam, um exército de esqueletos que tenta invadir a povoação, seres estranhos que destroem tudo e todos, mesmo havendo pessoas que tentam proteger-se. Até o próprio rei, em baixo à esquerda, não consegue escapar à morte.

Há cruzes nos escudos e à frente da carroça que transporta os inocentes que estão vestidos de branco (serão homens de fé?), aqueles que procuram a paz. Há também uma rede que apanha mais vivos, como se fossem peixes, e uma carroça cheia de caveiras, mesmo acima do rei caído por terra. Os únicos a quem a morte parece não meter medo estão no canto inferior direito: uma mulher que lê e um homem que toca. Mas há um esqueleto atrás que os observa, como se os fosse apanhar. 

As cores predominantes no quadro são o castanho e o cinza das poeiras e dos fumos e o vermelho do fogo, que pode simbolizar o sangue derramado pelos guerreiros.. No centro, há uma construção que parece ser de ferro preto donde saem chamas. Pode ser símbolo do inferno. No lado direito, os vivos são empurrados para uma espécie de carruagem, cuja porta tem uma cruz. 

Nesta obra, a natureza está também morta, o que significa que toda a vida ali existente está a acabar. O quadro lembra o Apocalipse, ou seja, o fim do mundo e o dia do juízo final. Posso relacionar esta pintura com alguns poemas de Camões que tratam quer do desconcerto do mundo, em que o poeta tenta também alertar-nos para as injustiças do mundo, quer do tema da mudança, que no ser humano acaba sempre com a morte.

bibliografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pieter_Bruegel,_o_Velho

Jorge Martins, n.º 11

VÉNUS E MARTE

Nesta obra (têmpera e óleo sobre madeira), Sandro Botticelli  (1 de março 1445 – 17 de maio 1510) apresenta-nos Vénus, a deusa do amor, e Marte, o deus da guerra. 

Se reparamos na figura feminina, Botticell pinta-a serena, vestida de roupas leves e sensuais que realçam as suas formas. A pele branca, os tons dourados do cabelo e da própria roupa lembram a maneira petrarquista de descrever a mulher, como fazia Luís de Camões em muitos dos seus poemas. Assim, Vénus está pintada de uma forma angélica, como se fosse um ser divino e é representada com elementos físicos reveladores dessas qualidades (os remates dourados do vestido e a luz que lhe ilumina parte do cabelo).

Já Marte, seminu, parece estar adormecido num sono profundo e aparenta estar a ser acordado por um dos faunos com um búzio, como se o chamasse para a guerra.

Para além destas duas figuras, há quatro faunos que parecem associar-se mais ao deus da guerra do que a Vénus, pois um segura a lança e tem um elmo na cabeça, outro ajuda a suster o peso da arma, o terceiro tenta acordar Marte com um búzio e o quarto, o mais interessante de todos, parece escondido por baixo de Marte e põe a sua mão numa planta, que, segundo o site indicado abaixo, produz efeitos alucinogénicos e afrodisíacos. O único fauno que olha para Vénus é o que ocupa o centro da pintura e parece sorrir para a deusa com certa cumplicidade.

Como gosto muito de arte e principalmente do Renascimento, adoro esta obra, que me transmite uma certa paz, pois as cores são simples, não são muito exageradas, ou seja, são sóbrias e suaves. O branco está presente nas roupas de Vénus e, como ela é a deusa de amor, na minha opinião, simboliza a paz; o verde está presente na natureza em dois tons: mais escuro no bosque, mais claro nos campos ao fundo que se unem ao azul do céu.

Esta foi a minha escolha quando a professora propôs este trabalho, pois já a conhecia. Pesquisei e li várias opiniões sobre o significado da pintura, mas, para mim,  Botticelli quis dizer que o amor vence sempre a guerra. Neste caso, Vénus terá chamado o amante que abandonou o campo de batalha para se encontrar com ela. No fim do encontro amoroso, ela observa-o serenamente enquanto ele dorme completamente rendido e desprotegido, daí eu dizer que o amor venceu. É também uma alegoria  da beleza e do amor,  representados por Vénus, e da ineficácia guerra, representada por Marte. Uma outra opinião muito difundida é que Botticelli tenha retratado o adultério frequente na época em que viveu, pois Vénus era casada com Vulcano e encontrava-se secretamente com Marte.

bibliografia: https://www.publico.pt/2010/05/28/culturaipsilon/noticia/quotvenus-e-martequot-de-botticelli-com-referencias-alucinogeneas-257816

Gonçalo, n.º 6

Pintura e Camões… (1)

Eis alguns quadros e parte dos textos produzidos por seis alunos, aquando da apreciação crítica de pinturas por eles escolhidas e possíveis de serem relacionadas com a lírica camoniana.

O BALOIÇO

baloico.jpg

“O Baloiço” é uma pintura (óleo sobre tela) do francês Jean-Honoré Fragonard, de 1767, que retrata a cumplicidade entre dois amantes e que se enquadra no estilo Rococó.

Fragonard nasceu a 5 de abril de 1732, em Grasse, no sul de França. Aos dezoito anos iniciou os seus estudos de pintura, em Paris. Desenvolveu um estilo pessoal que se caracterizava pela frivolidade dos temas (cenas da vida contemporânea e do quotidiano da corte, representando damas  e os seus amantes em poses elegantes e graciosas) e pelas composições requintadas. (…) Morreu em Paris, a 22 de agosto de 1806.

O estilo Rococó surgiu em França, no século XVIII, espalhando-se posteriormente pelo resto da Europa. Foi criado por uma elite aristocrática e inteletual, amante do exotismo, da fantasia, da alegria e do natural. (…) Este estilo é então caraterizado por um espírito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista, que defende a criatividade individual, a excentricidade, a improvisação constante e os prazeres da vida.

A figura central do quadro é, claramente, a mulher jovem e nobre, sentada no baloiço que, num movimento gracioso e sensual, levanta a perna e deixa que o seu sapato salte em direção ao seu amante, o aristocrata. Em épocas mais antigas, a perda do sapato simbolizava a perda da virgindade. Isto demonstra então o erotismo presente no quadro. O marido traído (quando o quadro foi encomendado a Fragonard, seria um bispo, mas o pintor não concordou), que se encontra escondido na sombra, faz a dama baloiçar, não se apercebendo exatamente do que está a presenciar. (…) No quadro está também presente a estátua de Cupido (Eros) que parece ser cúmplice dos amantes, levando o dedo aos seus lábios para reforçar o secretismo do encontro. Também é possível observar um cão nesta pintura. A sua presença é um pouco irónica, porque, normalmente, os cães simbolizam a fidelidade. Acho que ele está presente para tentar chamar a atenção e denunciar a relação ilícita, apesar de o marido não se aperceber disso.

O momento representado decorre no meio da natureza. Todo o cenário confere à cena um erotismo ainda maior, transmitindo a ideia de uma relação amorosa proibida, escondida pela vegetação, num jardim em que as estátuas parecem perceber o que se está a passar e observam o momento.

As cores predominantes são o verde, o azul e o rosa, que é usado para chamar a atenção para a figura feminina, a personagem central do quadro.

Na minha opinião, é possível relacionar esta pintura com algumas das temáticas camonianas: a representação física da mulher à maneira petrarquista (loira e de pele clara) e a representação de uma natureza densa, fértil, que ajuda a manter o secretismo do encontro “amoroso”. À primeira vista, a tela pareceu-me simples e inocente, mas, após ter feito a pesquisa e análise da mesma, apercebi-me do que realmente o pintor queria transmitir: o secretismo e a ilicitude de uma relação amorosa no século XVIII.

bibliografia: http://hca-d.blogspot.pt/2010/12/pintura-barroca.html

Leonor Susano, n.º 13

A PRIMAVERA

“A Primavera”, quadro também conhecido como “Alegoria da Primavera”, é da autoria do pintor renascentista Sandro Botticelli (1445-1510). A obra, que utiliza a técnica de têmpera sobre madeira, centra-se numa temática mitológica clássica que nos apresenta a chegada da primavera. Como é óbvio, insere-se no período clássico renascentista.

Circulando pela Galeria Uffizi, em Florença, ficamos extasiados ao contemplar esta pintura. Nela sobressaem as principais características desta época estética: o enaltecimento da figura humana, principalmente a feminina, o pormenor das expressões faciais, a noção de profundidade, a presença da natureza, o jogo cromático, ou seja, a existência de áreas iluminadas e outras sombrias. 

Ao contemplarmos esta pintura, identificamos figuras alegóricas da antiguidade clássica: as três Graças, que representam a beleza, a castidade, dançando numa roda cheia de encanto; o deus Mercúrio (o mensageiro dos deuses) que é o guardião do bosque, Flora esposa de Zéfiro e deusa das flores, o próprio Zéfiro. (…)

Através das expressões faciais e do movimento ou posição das personagens, podemos concluir que existe uma harmoniosa união entre o ser humano e a natureza. (…)

A principal “personagem” desta obra é Vénus, a tão conhecida deusa do amor, que se encontra ao centro. Sobre ela podemos ver Eros (Cupido) que lança as suas flechas de amor, de olhos vendados (porque o amor é cego!)

Podemos verificar, então, que existe uma aproximação entre este quadro e algumas temáticas da lírica camoniana, principalmente na descrição da figura feminina e da natureza e na oposição sombra/luz, que lembra a oposição entre o estado de espírito do sujeito poético e a caracterização da Natureza personificada.

Através de alguns sonetos de Camões, podemos comprovar estes aspetos. “Ondados fios d’ ouro reluzente” é bom exemplo disso, pois nele há uma descrição da figura feminina (à maneira petrarquista) que é clássica, recorrendo a elementos naturais (alguns preciosos) e à existência de luminosidade. Tudo isto está presente no primeiro verso do soneto – “Ondados fios d’ ouro reluzente! – no terceiro verso – “agora sobre as rosas estendidos” – no sexto – “em mil divinos raios encendidos” – e em todo o primeiro terceto – “Honesto riso, que entre a mor fineza / de perlas e corais nasce e perece, / se n’alma em doces ecos não o ouvisse.”.

Para concluir, esta pintura de Sandro Botticelli é uma representação perfeita do período estético a que pertence e poderia ser usada como ilustração de alguns sonetos de Luís de Camões.”

bibliografia:  http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2013/06/a-primavera-de-sandro-botticelli.html

Leonor Moreira, n.º 14