Pintura e Camões… (1)

Eis alguns quadros e parte dos textos produzidos por seis alunos, aquando da apreciação crítica de pinturas por eles escolhidas e possíveis de serem relacionadas com a lírica camoniana.

O BALOIÇO

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“O Baloiço” é uma pintura (óleo sobre tela) do francês Jean-Honoré Fragonard, de 1767, que retrata a cumplicidade entre dois amantes e que se enquadra no estilo Rococó.

Fragonard nasceu a 5 de abril de 1732, em Grasse, no sul de França. Aos dezoito anos iniciou os seus estudos de pintura, em Paris. Desenvolveu um estilo pessoal que se caracterizava pela frivolidade dos temas (cenas da vida contemporânea e do quotidiano da corte, representando damas  e os seus amantes em poses elegantes e graciosas) e pelas composições requintadas. (…) Morreu em Paris, a 22 de agosto de 1806.

O estilo Rococó surgiu em França, no século XVIII, espalhando-se posteriormente pelo resto da Europa. Foi criado por uma elite aristocrática e inteletual, amante do exotismo, da fantasia, da alegria e do natural. (…) Este estilo é então caraterizado por um espírito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista, que defende a criatividade individual, a excentricidade, a improvisação constante e os prazeres da vida.

A figura central do quadro é, claramente, a mulher jovem e nobre, sentada no baloiço que, num movimento gracioso e sensual, levanta a perna e deixa que o seu sapato salte em direção ao seu amante, o aristocrata. Em épocas mais antigas, a perda do sapato simbolizava a perda da virgindade. Isto demonstra então o erotismo presente no quadro. O marido traído (quando o quadro foi encomendado a Fragonard, seria um bispo, mas o pintor não concordou), que se encontra escondido na sombra, faz a dama baloiçar, não se apercebendo exatamente do que está a presenciar. (…) No quadro está também presente a estátua de Cupido (Eros) que parece ser cúmplice dos amantes, levando o dedo aos seus lábios para reforçar o secretismo do encontro. Também é possível observar um cão nesta pintura. A sua presença é um pouco irónica, porque, normalmente, os cães simbolizam a fidelidade. Acho que ele está presente para tentar chamar a atenção e denunciar a relação ilícita, apesar de o marido não se aperceber disso.

O momento representado decorre no meio da natureza. Todo o cenário confere à cena um erotismo ainda maior, transmitindo a ideia de uma relação amorosa proibida, escondida pela vegetação, num jardim em que as estátuas parecem perceber o que se está a passar e observam o momento.

As cores predominantes são o verde, o azul e o rosa, que é usado para chamar a atenção para a figura feminina, a personagem central do quadro.

Na minha opinião, é possível relacionar esta pintura com algumas das temáticas camonianas: a representação física da mulher à maneira petrarquista (loira e de pele clara) e a representação de uma natureza densa, fértil, que ajuda a manter o secretismo do encontro “amoroso”. À primeira vista, a tela pareceu-me simples e inocente, mas, após ter feito a pesquisa e análise da mesma, apercebi-me do que realmente o pintor queria transmitir: o secretismo e a ilicitude de uma relação amorosa no século XVIII.

bibliografia: http://hca-d.blogspot.pt/2010/12/pintura-barroca.html

Leonor Susano, n.º 13

A PRIMAVERA

“A Primavera”, quadro também conhecido como “Alegoria da Primavera”, é da autoria do pintor renascentista Sandro Botticelli (1445-1510). A obra, que utiliza a técnica de têmpera sobre madeira, centra-se numa temática mitológica clássica que nos apresenta a chegada da primavera. Como é óbvio, insere-se no período clássico renascentista.

Circulando pela Galeria Uffizi, em Florença, ficamos extasiados ao contemplar esta pintura. Nela sobressaem as principais características desta época estética: o enaltecimento da figura humana, principalmente a feminina, o pormenor das expressões faciais, a noção de profundidade, a presença da natureza, o jogo cromático, ou seja, a existência de áreas iluminadas e outras sombrias. 

Ao contemplarmos esta pintura, identificamos figuras alegóricas da antiguidade clássica: as três Graças, que representam a beleza, a castidade, dançando numa roda cheia de encanto; o deus Mercúrio (o mensageiro dos deuses) que é o guardião do bosque, Flora esposa de Zéfiro e deusa das flores, o próprio Zéfiro. (…)

Através das expressões faciais e do movimento ou posição das personagens, podemos concluir que existe uma harmoniosa união entre o ser humano e a natureza. (…)

A principal “personagem” desta obra é Vénus, a tão conhecida deusa do amor, que se encontra ao centro. Sobre ela podemos ver Eros (Cupido) que lança as suas flechas de amor, de olhos vendados (porque o amor é cego!)

Podemos verificar, então, que existe uma aproximação entre este quadro e algumas temáticas da lírica camoniana, principalmente na descrição da figura feminina e da natureza e na oposição sombra/luz, que lembra a oposição entre o estado de espírito do sujeito poético e a caracterização da Natureza personificada.

Através de alguns sonetos de Camões, podemos comprovar estes aspetos. “Ondados fios d’ ouro reluzente” é bom exemplo disso, pois nele há uma descrição da figura feminina (à maneira petrarquista) que é clássica, recorrendo a elementos naturais (alguns preciosos) e à existência de luminosidade. Tudo isto está presente no primeiro verso do soneto – “Ondados fios d’ ouro reluzente! – no terceiro verso – “agora sobre as rosas estendidos” – no sexto – “em mil divinos raios encendidos” – e em todo o primeiro terceto – “Honesto riso, que entre a mor fineza / de perlas e corais nasce e perece, / se n’alma em doces ecos não o ouvisse.”.

Para concluir, esta pintura de Sandro Botticelli é uma representação perfeita do período estético a que pertence e poderia ser usada como ilustração de alguns sonetos de Luís de Camões.”

bibliografia:  http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2013/06/a-primavera-de-sandro-botticelli.html

Leonor Moreira, n.º 14

 

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

2 opiniões sobre “Pintura e Camões… (1)”

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