Pintura e Camões… (2)

Continuando a “pintar” e a sentir Camões…

O TRIUNFO DA MORTE

Pieter Bruegel, o velho, é um pintor flamengo, que ficou célebre pelos seus pequenos quadros retratando paisagens e cenas do campo. Nasceu entre 1525 e 1530 e morreu a 19 de setembro de 1569, em Bruxelas. “O Triunfo da Morte” (1562) é um dos seus quadros mais conhecidos e pode inserir-se no período do Renascimento, apesar de se notarem influências do pintor Hieronymus Bosch.

Na minha opinião, o quadro é excelente pois conseguimos logo reparar no principal objetivo da obra: alertar-nos para a ideia de que à morte ninguém (mesmo os mais poderosos) consegue escapar. Como há muitos pormenores nesta pintura, vou falar só de alguns

Na parte superior do quadro, há muito fumo e a natureza está toda queimada. Tudo está deserto e, à medida que vamos descendo no quadro, conseguimos reparar que há mortos, muitos que matam, um exército de esqueletos que tenta invadir a povoação, seres estranhos que destroem tudo e todos, mesmo havendo pessoas que tentam proteger-se. Até o próprio rei, em baixo à esquerda, não consegue escapar à morte.

Há cruzes nos escudos e à frente da carroça que transporta os inocentes que estão vestidos de branco (serão homens de fé?), aqueles que procuram a paz. Há também uma rede que apanha mais vivos, como se fossem peixes, e uma carroça cheia de caveiras, mesmo acima do rei caído por terra. Os únicos a quem a morte parece não meter medo estão no canto inferior direito: uma mulher que lê e um homem que toca. Mas há um esqueleto atrás que os observa, como se os fosse apanhar. 

As cores predominantes no quadro são o castanho e o cinza das poeiras e dos fumos e o vermelho do fogo, que pode simbolizar o sangue derramado pelos guerreiros.. No centro, há uma construção que parece ser de ferro preto donde saem chamas. Pode ser símbolo do inferno. No lado direito, os vivos são empurrados para uma espécie de carruagem, cuja porta tem uma cruz. 

Nesta obra, a natureza está também morta, o que significa que toda a vida ali existente está a acabar. O quadro lembra o Apocalipse, ou seja, o fim do mundo e o dia do juízo final. Posso relacionar esta pintura com alguns poemas de Camões que tratam quer do desconcerto do mundo, em que o poeta tenta também alertar-nos para as injustiças do mundo, quer do tema da mudança, que no ser humano acaba sempre com a morte.

bibliografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pieter_Bruegel,_o_Velho

Jorge Martins, n.º 11

VÉNUS E MARTE

Nesta obra (têmpera e óleo sobre madeira), Sandro Botticelli  (1 de março 1445 – 17 de maio 1510) apresenta-nos Vénus, a deusa do amor, e Marte, o deus da guerra. 

Se reparamos na figura feminina, Botticell pinta-a serena, vestida de roupas leves e sensuais que realçam as suas formas. A pele branca, os tons dourados do cabelo e da própria roupa lembram a maneira petrarquista de descrever a mulher, como fazia Luís de Camões em muitos dos seus poemas. Assim, Vénus está pintada de uma forma angélica, como se fosse um ser divino e é representada com elementos físicos reveladores dessas qualidades (os remates dourados do vestido e a luz que lhe ilumina parte do cabelo).

Já Marte, seminu, parece estar adormecido num sono profundo e aparenta estar a ser acordado por um dos faunos com um búzio, como se o chamasse para a guerra.

Para além destas duas figuras, há quatro faunos que parecem associar-se mais ao deus da guerra do que a Vénus, pois um segura a lança e tem um elmo na cabeça, outro ajuda a suster o peso da arma, o terceiro tenta acordar Marte com um búzio e o quarto, o mais interessante de todos, parece escondido por baixo de Marte e põe a sua mão numa planta, que, segundo o site indicado abaixo, produz efeitos alucinogénicos e afrodisíacos. O único fauno que olha para Vénus é o que ocupa o centro da pintura e parece sorrir para a deusa com certa cumplicidade.

Como gosto muito de arte e principalmente do Renascimento, adoro esta obra, que me transmite uma certa paz, pois as cores são simples, não são muito exageradas, ou seja, são sóbrias e suaves. O branco está presente nas roupas de Vénus e, como ela é a deusa de amor, na minha opinião, simboliza a paz; o verde está presente na natureza em dois tons: mais escuro no bosque, mais claro nos campos ao fundo que se unem ao azul do céu.

Esta foi a minha escolha quando a professora propôs este trabalho, pois já a conhecia. Pesquisei e li várias opiniões sobre o significado da pintura, mas, para mim,  Botticelli quis dizer que o amor vence sempre a guerra. Neste caso, Vénus terá chamado o amante que abandonou o campo de batalha para se encontrar com ela. No fim do encontro amoroso, ela observa-o serenamente enquanto ele dorme completamente rendido e desprotegido, daí eu dizer que o amor venceu. É também uma alegoria  da beleza e do amor,  representados por Vénus, e da ineficácia guerra, representada por Marte. Uma outra opinião muito difundida é que Botticelli tenha retratado o adultério frequente na época em que viveu, pois Vénus era casada com Vulcano e encontrava-se secretamente com Marte.

bibliografia: https://www.publico.pt/2010/05/28/culturaipsilon/noticia/quotvenus-e-martequot-de-botticelli-com-referencias-alucinogeneas-257816

Gonçalo, n.º 6

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

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