Quando grandes livros dão grandes filmes

O Nome da Rosa, de Umberto Eco é um desses livros. Um livro que vive de livros! E não só… Faz parte do PIL do 10.º ano e foi escolhido por alguns alunos.

Aqui fica apenas um pedacinho do filme de Jean-Jacques Annaud, para “abrir o apetite”.

E um pedacinho do livro.

SEGUNDO DIA

NOITE

Onde se penetra finalmente no labirinto, se têm estranhas visões e, como acontece nos labirinto, aí a gente se perde.

 

Voltámos ao scriptorium, desta vez pela escada oriental, que também subia ao andar proibido, com a candeia ao alto diante de nós. Eu pensava nas palavras de Alinardo sobre o labirinto e esperava coisas pavorosas.

Fiquei surpreendido, quando emergimos no lugar onde não deveríamos ter entrado, ao encontrar-me numa sala de sete lados, não muito ampla, privada de janelas, em que reinava, como de resto em todo o andar, um forte odor a fechado ou a mofo. Nada de terrificante.

A sala, como disse, tinha sete paredes, mas só em quatro delas se abria entre duas colunazinhas encaixadas na parede, uma abertura, uma passagem bastante ampla encimada por um arco de volta inteira. Ao longo das paredes fechadas encostavam-se enormes armários, carregados de livros dispostos com regularidade. Os armários tinham uma etiqueta numerada, assim como cada uma das prateleiras: claramente, os mesmos números que tínhamos visto no catálogo. No meio da sala uma mesa, também ela repleta de livros. Sobre todos os volumes um véu bastante fino de poeira sinal de que os livros eram limpos com uma certa frequência. Pelo chão também havia qualquer sujidade. Por cima do arco de uma das portas, uma grande inscrição, pintada na parede, apresentava as palavras: Apocalypsis lesu Christi. Não parecia esbatida, embora os caracteres fossem antigos. Apercebemo-nos depois que, também nas outras salas, estas inscrições eram na verdade gravadas na pedra, e bastante profundamente e depois as cavidades tinham sido preenchidas com tinta, como se usa para pintar a fresco as igrejas.”

Umberto Eco, O nome da Rosa. Difel, 16.ª ed, p. 165

IA

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Publicado por

isauraafonseca

Professora do Ensino Secundário - Português

2 opiniões sobre “Quando grandes livros dão grandes filmes”

  1. Sem dúvida: uma grande romance e um bom filme! Mas recordo-me, de um dia (noite), em Braga, na Casa Museu Nogueira da Silva, nas sessões de conversas com escritores, Batista Bastos ter afirmado, a propósito do sucesso de «O Nome da Rosa», que «A Casa Grande de Romarigães», do nosso Aquilino, ser um romance literariamente tão bom ou ainda melhor que o de Umberto Eco. E recordo-me, de mais recentemente, ter lido num livro de Mário de Carvalho este escritor perguntar/questionar por que razão ainda não se tinha feito um filme baseado n’«A Casa Grande». Obrigado pela partilha!

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    1. Seja muito bem-vindo, David, e muito obrigada pela achega!
      De facto, há muito texto no nosso património literário (e até na nossa História) que merecia filme com características bem “hollywoodescas”, e digo assim pensando no que este adjetivo tem de sonante, épico, isto é, feito em grande, abrindo os cordões à bolsa, que o Aquilino e outros bem o mereciam. Ficamos sem o Manoel, que pegou em Agustina e Camilo. Temos ainda o João Botelho, que se atirou à obra-prima do Eça, adaptação que não é pacífica, pois as opiniões dividem-se. Quem se atirará à Casa Grande? Eu, pelo que me toca, confesso que tenho de reler o romance, ou a “crónica romanceada”, como bem o diz o próprio autor, pois a memória vai curta. Mas agora são as obras que estes meus alunos terão de apresentar que estão na ordem do dia (que é mais da noite!). Ficará a Casa Grande do Aquilino para depois.
      Mais uma vez, o meu muito obrigada pela sua sempre esperada visita!
      beijinho,
      IA

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