Natal 2019

Um Santo Natal para todos!

IA

na hora de pôr a mesa, éramos cinco

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.José Luís Peixoto, in ‘A Criança em Ruínas

Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas mãos nos meus dedos tão frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

David Mourão-Ferreira, em ‘Cancioneiro de Natal’

11.º 3 – Texto de apreciação crítica sobre “A Fuga do Paralítico”

A atividade é a mesma e está descrita nos artigos anteriores.

Eis aqui a ficha técnica (criada pelos alunos) a partir da qual a turma 3 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:A Fuga do Paralítico
Realizador: Vasco Ferreira
Elenco: 
Aninha Queen - Ana
Brunão Silva - Gonçalo
Tomás Moreira - Tomé
Género: Comédia

Abaixo seguem alguns dos textos produzidos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

A “dessurpreendente” Fuga do Paralítico

Por Mariana Almeida

O mais recente filme A fuga do Paralítico, estreado este fim de semana, já está a dar que falar em tudo quanto é canto dos media, pela tão fracassada comédia que é.

A película tem como realizador o tão famoso e inigualável Vasco Ferreira, bastante conhecido no mundo do cinema, mas nem isso a salvou.

A ação  decorre num hospital, donde Tomé, um jovem paraplégico, protagonizado pelo “Homem da comédia” Tomás Moreira, tenta fugir a todo o custo, com a ajuda da sua amiga e enfermeira, Ana (Aninha Queen), e do seu grande amigo, Gonçalo (Brunão Silva), que vimos a saber, mais tarde, ser agente secreto.

Infelizmente, é de destacar o desempenho de Tomás Moreira, que pela primeira vez na sua carreira não alcançou as expectativas do público, e não brilhou como costuma. Mas o mesmo não se pode dizer de Aninha Queen e Brunão Silva que tiveram uma hilariante estreia na grande tela, pelo que já se prevê um longo caminho para estes dois jovens e promissores atores.

Outros aspetos que deixam muito a desejar nesta comédia são os cenários e a banda sonora. Vasco Ferreira poderia ter sido mais cuidadoso na escolha e no tratamento dos espaços de modo a tornar o filme mais realista. Quanto à banda sonora, não se enquadra no género: sendo uma comédia, esperávamos algo mais ligeiro, cativante e animado.

Em suma, para os amantes da comédia, que esperam um filme onde gargalhadas não faltem, e também para aqueles que apreciam a harmonia do todo numa obra cinematográfica, é de sugerir que, quanto a este, economizem dinheiro, pipocas e tempo precioso, pois Vasco Ferreira, contra o que é costume, “dessurpreendeu-nos”.  

A Incrível fuga do paralítico

por Ana Beatriz Silva

O filme A fuga do paralítico, realizado pelo experiente e criativo Vasco Ferreira, trata da emocionante mas hilariante história dum homem portador de uma deficiência motora que, com ajuda, escapa do hospital onde vive há anos.

Embora tenha sido criado apenas com o propósito de ser uma divertida comédia, podemos também retirar daqui aspetos importantes na sensibilização do público. Tomé (o inigualável Tomás Moreira) é um paraplégico que quer por um dia fugir de toda a rotina que o acompanha há anos e pede ajuda à enfermeira Ana (a talentosa Aninha Queen) e ao seu melhor amigo, Gonçalo (Brunão Silva, no seu melhor).

Todo o enredo vive do cómico pois há sempre um percalço a dificultar a fuga mas, no fundo, A fuga do paralítico é uma criação que deveria estar presente em campanhas de sensibilização à diferença, porque nos ajuda a perceber a frustração que estas pessoas sentem por viverem condicionadas e dependentes. Claro que também nos faz rir – e não pouco – e alguns podem até não interpretar da melhor forma a intenção do realizador, mas cabe-nos a nós divulgar a importante mensagem do filme.

Sem dúvida, é uma comédia incrível que nos faz perceber que devemos ajudar a proporcionar a melhor forma de vida a todas as pessoas portadoras de deficiências motoras.

A Fuga [sensibilizante] do Paralítico

Por Joana Coutinho

A mais recente comédia de Vasco Ferreira, estreou esta semana nas salas de cinema portuguesas, A Fuga do Paralítico contém a dose certa de comicidade e sensibilização dos espectadores.

Tomé, interpretado magnificamente por Tomás Moreira, é um jovem que sofre de paralisia nos membros inferiores e encontra-se internado no hospital, onde conhece Gonçalo, outro paciente, interpretado pelo jovem talento Brunão Silva, e Ana, uma enfermeira que se apaixona por ele e que chega aos ecrãs, na pele da belíssima Aninha Queen.

No início desta hilariante e romântica comédia, Tomé, cheio de sonhos, pede ajuda a Gonçalo e a Ana para fugir do monótono hospital em busca da sua felicidade. Assim, nasce esta aventura repleta de paixão, sorrisos e sonhos… E não convém esquecer os contributos de Ana e Gonçalo para a recuperação da identidade e da autoestima de Tomé.

Com A Fuga do Paralítico, Vasco Ferreira revela-nos uma realidade bastante comum mas de uma forma inédita, sensibilizando os espectadores para a vida das pessoas portadoras de deficiência.

Será que escapou?

Por Beatriz Paiva Cunha

Com grande facilidade em criar comédias de “partir a moca a rir” e liderando a nova onda no género, Vasco Ferreira lançou ontem a sua última criação, A fuga do paralítico. É um filme feito à medida, para que qualquer um possa desfrutar de umas boas gargalhadas.

Atores duros e consagrados no drama, como Tomás Moreira, Brunão Silva e Aninha Queen, foram desafiados a quebrar as suas fronteiras e a mostrar ao público o seu lado mais extrovertido. De facto,  interpretaram vivamente e de modo hilariante o papel que lhes foi atribuído, deixando o público “de boca aberta”.

A fuga do paralítico conta-nos a história de Tomé (Tomás Moreira) um jovem rapaz que havia sido internado no hospital local, onde permanece por algum tempo. Com a ajuda de Gonçalo (Brunão Silva), o seu melhor amigo, e a bela enfermeira Ana (Aninha Queen), decide fugir do hospital. Acreditem, ou não, Tomé tinha estado a planear esta fuga há meses, como se fosse muito difícil fugir do hospital… Esperem… mas era! E, se estão curiosos para saber como é que um paralítico conseguiu fugir do hospital, deveriam ir ao cinema agora mesmo.

    E quem não aprecie a comédia, não se preocupe, pois o objetivo deste filme não é só fazer-nos rir, mas também mostrar-nos que pessoas portadoras de doenças crónicas ou deficiências, como o Tomé, também podem ter uma vida normal e ser mais felizes, mas só se ninguém “lhes atirar constantemente à cara” aquilo que elas têm de tão especial.

Enfim, toda a gente deve ver este filme, pois Vasco Ferreira e seu elenco esforçaram-se, e muito, para que esta comédia fosse tão espetacular. E agora fica a dúvida. Será que escapou?

A Fuga do Paralítico, uma comédia que deve ser levada a sério

por Tomás Moreira

O filme A Fuga do Paralítico é uma longa-metragem onde é retratada a vida de Tomé, um jovem com deficiências motoras, que com a ajuda do seu amigo Gonçalo (interpretado pelo jovem ator Brunão Silva) e de Ana, uma enfermeira (interpretada pela conceituada atriz Aninha Queen) foge do hospital onde vive, conhecendo o “mundo real”.

Esta comédia realizada por Vasco Ferreira, um dos realizadores mais consagrados do nosso país, pretende demonstrar-nos, de uma forma animada e não depressiva, a vida de um pessoa com deficiência motora, que necessita de uma cadeira de rodas e de terceiros para se mover. Tomé, cansado de viver trancado num hospital, pois não tem ninguém que possa cuidar dele em casa, resolve escapar do hospital com dois amigos e vive uma das suas maiores aventuras.

É uma comédia de nos prender ao ecrã e que, ao mesmo tempo que retrata situações menos agradáveis do dia-a-dia do protagonista, nos dá uma lição de vida, fazendo-nos rir.

 Ao contrário de Tomé, A fuga do paralítico tem pernas para andar!

Por Lara Neves

A fuga do paralítico é uma fantástica comédia realizada pelo mais novo realizador da Hollywood Studios, Vasco Ferreira. Conta com a brilhante participação de Aninha Queen, Tomás Moreira (em estreia) e Brunão Silva que dão vida às suas personagens.                                              

Lançado em agosto de 2019, está em primeiro no ranking dos filmes mais vistos do ano. No entanto, tem sido alvo de inúmeros elogios mas também de algumas críticas.

Esta comédia é realizada maioritariamente num ambiente de um hospital, do qual a personagem interpretada por Tomás Moreira, Tomé, o paralítico, tenta escapar com a enfermeira Ana (Aninha Queen). Quando estes conseguem finalmente sair pelas portas traseiras do Hospital Southern Califórnia, está lá à sua espera Gonçalo (Brunão Silva), com uma grande ambulância roubada anteriormente no local. O filme conta com duas longas horas de pura aventura!

Vasco Ferreira, numa entrevista, ressaltou que a sua primeira comédia não se destinava apenas a divertir as pessoas que a vissem, mas também serviria para sensibilizar o público em relação a problemas de multideficiência, neste caso a paraplegia. Por causa do seu conteúdo, A fuga do paralítico deu que falar. Em muitos sites e blogues de opinião, temos todo o tipo de comentários, tais como, por exemplo, este: “O realizador apenas usou um problema real e o transformou em comédia para fazer chacota deste tipo de situação…”. Por isso mesmo, Vasco Ferreira ter vindo a público para se “defender”.

“Atualmente, a sociedade está habituada a tentar fugir ao máximo de todo o tipo de assuntos delicados envolvendo doenças, mas a verdade é que estão a evitar o inevitável. Com este filme, é possível libertar um pouco a nossa alma e dar mais atenção a esse “problema”, pois, mesmo em forma de comédia, no fundo  não deixa de transmitir uma lição de moral. Somos todos iguais, uns com mais restrições que outros, mas todos têm a capacidade de fazer as pessoas rir”, ressaltou o jovem realizador. Acontece que o ator  Tomás Moreira é, na realidade, paraplégico e, ao interpretar Tomé, diz, nessa mesma entrevista, ter-se sentido livre dos problemas e das críticas frequentemente experienciadas. Ressaltou também que, pela primeira vez, se sentiu verdaeiramente adorado e nunca se sentiu tão feliz nem nunca se divertiu tanto quanto nesses três meses de gravação.

Esta comédia é um marco na nossa sociedade e o começo de uma nova etapa na vida de Tomás Moreira e de todos nós.

A Fuga do Paralítico

Por Diogo Oliveira

O filme, A Fuga do Paralítico, recentemente estreado nos nossos cinemas, pretende contar-nos a história de um paralítico que fugiu de um hospital.

É uma película de Vasco Ferreira, realizada em homenagem a um dos seus grandes amigos, João Pinto, sendo ele também paraplégico. Acerca da história: havia um rapaz, Tomé, interpretado magnificamente por Tomás Moreira, que sofre um grave acidente de carro que o leva ao hospital, sendo também acompanhado pelo seu grande amigo, Gonçalo (Brunão Silva). A comédia começa com o momento em que a enfermeira Ana, representada hilariantemente por Aninha Queen, entra no quarto de Tomé, trazendo más notícias. Diz-lhe que terá de ficar internado por alguns meses. Mas Ana fica também apreensiva por causa da má notícia, dizendo ao jovem Tomé que poderia ajudá-lo em algo que ele precisasse. É então que Tomé diz a Ana que esta poderia ajudá-lo a fugir do hospital pois queria desfrutar da vida como qualquer outra pessoa e que não era por estar paralítico que isso iria ser um obstáculo. Acaba por conseguir fugir escapando ao internamento.

Alguns dos muitos aspetos positivos que A fuga do paralítico tem, são a qualidade da representação dos atores, que é esplêndida, a mensagem pertinente que o filme nos transmite e o facto de este ser extremamente cómico devido aos vários momentos engraçados, que vão sendo criados no desenrolar do enredo.

Não é uma história que retrata apenas as dificuldades da vida dos paraplégicos, mas, muito pelo contrário, apesar de ser uma comédia, tem também como objetivo sensibilizar o público para a multideficiência, assim como aqueles que sofrem com essa situação. Todas as pessoas com paralisia deveriam aplicar nas suas vidas a mensagem que este filme transmite e que não é por mais obstáculos que lhes apareçam que não podem usufruir da vida como qualquer outra pessoa.

O desastre do paralítico

Por Luísa Oliveira

Muitos falam sobre A fuga do paralítico, uma produção do prodigioso Vasco Ferreira, que, mesmo muito novo, já é considerado pelos críticos um dos melhores realizadores da atualidade. No entanto, depois de visualizar esta deplorável comédia não concordamos com a opinião dos especialistas.

Apesar da participação do inconfundível Brunão Silva, no papel de Gonçalo, da extraordinária Aninha Queen, neste filme uma Ana pouco convincente, Vasco ferreira escolheu para desempenhar o papel do protagonista um ator extremamente desagradável, Tomás Moreira.

Este filme não consegue captar o nosso interesse pelo facto de tratar um problema tão sério com uma ignorância sem limites. O filme retrata a história de Tomé, um homem simples e viciado em álcool.

A obra começa com um simples encontro entre amigos num bar, até que chega uma misteriosa mulher, de nome Rebeca, que convida o nosso protagonista para se encontrar com ela num hotel já velho e duvidoso.

Tomé não pensa duas vezes e, já meio embriagado, sai a correr do bar, mas é atropelado e levado de imediato para o hospital. Quando acorda, descobre que se encontra no mesmo hospital onde a sua magnífica mulher Ana trabalha como enfermeira, mas que, de momento, se encontra numa missão em África, sem meios para comunicar com ele. E, no dia seguinte, Tomé descobre que está paralítico. E podemos apontar, nesta cena, a nossa primeira crítica: a forma como os médicos o dizem ao nosso Tomé é fria e pesada, mas não nos convence a nós espectadores.

Rebeca, vem a saber da situação e, sentindo-se culpada, resolve desfazer-se desta sua identidade e voltar a ser apenas o empresário bem sucedido Gonçalo Pereira. Sim, um dos temas desta falhada comédia tem a ver com questões de género. Gonçalo, então, decide revelar toda a verdade a Tomé, deixando-o confuso, pois este começa a duvidar da sua orientação sexual. É então que Tomé, aparentemente envergonhado e confuso com toda aquela situação, fica com medo de encarar tanto a mulher, que entretanto lhe telefona e diz que regressará no dia seguinte, quanto Gonçalo, e decide fugir. Para isso, conta com ajuda de um dos seus amigos, Joaquim, interpretado por Diogo Oliveira, um ator ainda em formação.

A partir daqui, todos nós concordamos, começa a parte pior do filme. Parece que o nosso realizador não quis saber das dificuldades com que as pessoas portadoras de deficiência vivem no seu dia a dia e a desastrada fuga do hospital é prova disso. Mas, sinceramente o pior ainda não tinha chegado. As situações vividas pelo protagonista em vez de serem cómicas, tornam-se ridículas e desumanas. Já para não falar dos preconceitos em relação aos homossexuais e transexuais que estão presentes ao longo do enredo. Só mesmo vendo o filme!

As nossas expectativas antes de ver esta “comédia” eram elevadas e não estando nada satisfeitos nem com a realização nem com o desempenho dos atores envolvidos, só conseguimos declarar que gastamos mal o dinheiro no bilhete e nas pipocas e o nosso precioso tempo! 

11.º 2 – Texto de apreciação crítica sobre “À Procura dos Cachalotes”

A atividade é a mesma e está descrita no artigo anterior.

Eis aqui a ficha técnica (criada pelos alunos) a partir da qual a turma 2 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:À Procura dos Cachalotes
Realizador: João Eunice
Elenco: 
Madalena Cardoso - Ana
John Ótu - Gonçalo
César Gonçalves - Tomé
Género: Drama

Abaixo seguem alguns dos textos produzidos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

O sucesso dos Cachalotes

Por Sofia Ramos

   Realizado por João Eunice, À procura dos Cachalotes é o filme mais esperado este ano, estando já nomeado para receber um Óscar.

   Estamos no dia 4 de março de 2001, mais precisamente no dia da tragédia de Entre-os-Rios. Ana, interpretada por Madalena Cardoso, e Tomé, César Gonçalves, mais conhecidos pelo seu invulgar apelido, os Cachalotes, encontravam-se no autocarro que atravessava a ponte Hintze-Ribeiro, quando esta ruiu, levando com ela a vida de vários portugueses.

   Gonçalo, representado por John Ótu, é primo de Ana e vê a tragédia acontecer mesmo à sua frente. Apesar dos perigos, atira-se ao rio em busca da sua família.

   São poucas as críticas negativas a esta longa-metragem que segue de perto a ruína de uma ponte do Douro e que, apesar de se focar numa só família, representa extraordinariamente bem todos os sentimentos controversos que esta tragédia nos trouxe.

   Para além da arrebatadora representação dos atores, toda a equipa de produção deste drama foi bastante competente, cumprindo o guião até ao mais ínfimo pormenor.

   Com a sua habilidosa técnica, João Eunice transporta-nos para o início do século XXI e dá-nos a conhecer um pouco da nossa história, um caso que abalou profundamente Portugal e que irá abalar os ecrãs dos nossos cinemas brevemente.

À procura dos Cachalotes retrata a aflição humana vivida por Gonçalo quando este tenta salvar os entes queridos duma situação incerta. Por esta realidade ser tão bem conseguida, pode-se afirmar que será o próximo blockbuster nas salas cinematográficas portuguesas.

À procura dos cachalotes: um drama pouco usual, mas cativante

por Liliana Mourão

Tem casais perturbados, doentes mentais, estudantes emocionalmente perdidos e tudo o que possamos imaginar.

Este filme de João Eunice começa com uma premissa desencadeadora de novas situações: um anúncio publicitário que apresenta o carácter celestial da vida marinha com a presença de cachalotes a nadarem levemente nas águas profundas. Este anúncio promete mudar vidas com uma mensagem final: “A vida simplesmente passa e não abraçamos a natureza e a aquilo que realmente amamos. Levante-se e viva!”. Movidos com a intensidade da publicidade, Ana, Tomé e Gonçalo abrem os olhos, decidem mudar as suas vidas e embarcar nos seus seus sonhos.

Ana (Madalena Cardoso) termina o seu relacionamento online, que dura há três anos. Tomé (César Gonçalves), rapaz revoltado, com 22 anos, desiste do curso de fotografia e decide declamar poesia nas ruas movimentadas da cidade do Porto. Gonçalo (John Ótu), professor solitário  cumpre o seu desejo de adolescente e torna-se stripper nas suas noites livres.

Esta longa metragem apresenta, em várias perspectivas, as vidas destes personagens e a sociedade em que vivem. Numa produção cinematográfica como esta, apenas podíamos contar com atuações de grande qualidade. Realça-se, principalmente, a brilhante interpretação de César Gonçalves, graças à sua figura bastante natural e hilariante (o que alivia os momentos de tensão que vão surgindo ao longo do enredo).

A fita possui ângulos tão simples e tão bem definidos que fazem com que a história seja mais realista e, por vezes, um pouco mais leve. A banda sonora é praticamente inexistente, o que apoia a natureza objetiva da obra. É um drama que nos faz sentir diversas emoções, no mesmo período de tempo.

Concluindo, recomenda-se vivamente o visionamento deste filme tão peculiar e apaixonante!

 À procura dos Cachalotes e a nossa humanidade

por Joana Ribeiro

 

        O drama À procura dos Cachalotes, de João Eunice já se encontra em todos os cinemas do país.

        Resultante de uma grande metáfora, o título deste filme tem escondido o verdadeiro conteúdo desta obra cinematográfica. Tal como os cachalotes são animais de grande porte, também os sentimentos existentes no mundo, sejam bons ou nefastos, o são. De tal grandiosidade se trata a história deste filme. Mas, para além da metáfora referida, existe ainda outra. Esta consiste no seguinte: tal como os cachalotes estão em vias de extinção, também os afetos benéficos se encontram nessa situação. Ao longo desta longa-metragem, podemos observar vários casos, de várias perspetivas, que tratam desta carência de sentimentos positivos que existe no nosso dia-a-dia e, nos quais, vemos a procura de soluções para este problema.

      Pela grande importância deste tema na atualidade e pela participação de três nomes gigantes do cinema português, Madalena Cardoso (no papel de Ana), César Gonçalo (Tomás) e John Otú (na pele do protagonista Gonçalo), este filme é uma ótima escolha e uma obra a que todos devemos assistir para refletir um pouco sobre a nossa humanidade.

À procura dos Cachalotes

Por Diana Silva

 

Acabou de estrear o melhor drama, da autoria do jovem realizador João Eunice, que nos conta a envolvente tragédia de uns jovens marinheiros em alto mar.

Uma das cenas mais marcantes da película dá-se quando o capitão Tomé (César Gonçalves) procura, em alto mar, as famosas Cachalotes, enquanto a única rapariga da tripulação, Ana, interpretada por Madalena Cardoso, e Gonçalo (John Ótu), com quem vive uma relação secreta,  estavam  no porão da embarcação. De repente, o barco fica cercado pelos assustadores animais, que vão contra o mesmo. Ana e Gonçalo apercebem-se da situação e ajudam o capitão. Mas, com o barco a abanar, a jovem  cai ao mar. O namorado secreto salta e consegue salvá-la. Contudo, quando estava a subir a escadas, uma das baleias puxou-o e… E mais não se conta.

É um filme adequado aos adolescentes, mas também a todos os adultos, uma vez que nos permite perceber melhor a nossa relação com os animais e o que o amor nos pode fazer (mesmo que não seja o mais correto).

Aconselha-se todos a irem ver À Procura dos Cachalotes e a apaixonarem-se por esta trágica história de amor.

11.º 17 – Texto de apreciação crítica sobre “O Cesto”

A atividade era simples. Seria? Pelo menos assim o pensava eu. O texto de apreciação crítica não é fácil, pois é um género que implica uma boa competência escrita a vários níveis, dois dos quais passam pelo bom domínio não só do discurso valorativo, como também da linguagem específica inerente ao objeto em apreciação.

Então, a ideia foi levar este caso sério da didática do Português para a brincadeira. Sermos criativos. Escrever um artigo de apreciação crítica sobre um filme inventado pelos alunos. Para “uniformizar” um pouco a atividade, registou-se no quadro uma ficha técnica muito simples, que teria de ser respeitada e desenvolvida em cada texto. Mas muito havia ainda para inventar, por isso, cada um teria um filme diferente como objeto em apreço. Não podiam revelar muito sobre o enredo; só o suficiente para argumentar na defesa do seu ponto de vista.

Acresce ainda uma outra condicionante: os alunos com número par fariam uma crítica positiva e os que tivessem ímpar, uma negativa.

É certo que previamente a esta atividade escrita, os alunos já tinham analisado em aula vários textos de apreciação crítica, que, de certo modo, também lhes serviram como modelo.

Eis a ficha técnica (também inventada pelos alunos) a partir da qual a turma 17 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:O Cesto
Realizador: Daniel Ferreira
Argumento: Joe Salvação
Elenco: 
Gertrudes Costa - Ana
Mário Dias - Gonçalo
Arlindo Rúben - Tomé
Género: Policial noir

Abaixo seguem alguns desses textos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

A Trama Densa d’O Cesto

Por Xavier Santos

Não fala de cestos. Não aparece sequer um cesto em cena. Mas a trama, a história, entrelaça-se como se tivesse saído das mãos de um artesão. O policial noir O Cesto apresenta-nos uma visão alternativa sobre o género.

A quinta obra do afamado realizador Daniel Ferreira, com um brilhante argumento de Joe Salvação, vem abençoar-nos com uma merecida renovação dos filmes deste estilo, marcada por analepses e prolepses.

Como nos policiais clássicos, o tema central é um crime, neste caso, a morte de Ana (Gertrudes Costa), cujos pormenores não encaixam, pelo menos para Gonçalo, o inspetor, soberbamente representado por Mário Dias. Logo após o assassinato de Ana, a linha cronológica avança, e há mais um crime (o qual, para não me revelar spoiler, vou omitir), e desta vez, recuamos no tempo, até meio ano antes do óbito de Ana. Ficamos aqui a conhecer Tomé (Arlindo Rúben) e a forma como ele, Ana e Gonçalo estão ligados, até culminar na cena final da película, que nos deixa mais perguntas que respostas.

É um filme sobre mortes, e sem moral, mas também não precisa de uma. Se a trama for forte, o cesto é bom!

Uma explosão de desilusões

 Por Rui Barbosa

 

O Cesto é o novo filme – diga-se lamentável – do polémico realizador Daniel Ferreira. Este apresenta-nos uma história que se passa inteiramente, como sugere o próprio título, num cesto. Estamos perante o nonsense com que Daniel Ferreira já nos viciou. Mas, desta vez, resultou mal.

Habituado a mentir para conseguir o que deseja, o protagonista Tomé (Arlindo Rúben) utiliza sempre o mesmo cesto para comer uma beterraba, legume no qual está ultimamente interessado, de tal modo que já que não come quase nada em casa. Certo dia, ao dirigir-se para o cesto, ele ouve um barulho estranho vindo dele. Logo se apercebe que uma barata lá dentro se encontra a comer a apetitosa beterraba do dia. Sabendo disto, Tomé enerva-se e procede à aniquilação do animal. A partir daí, Tomé é acusado de “animalcídio” pela polícia e pelo PAN. É então que Gonçalo e Ana, interpretados respetivamente por Mário Dias e Gertrudes Costa, intervêm, pois são ambos os investigadores designados pela PJ para este caso.

 Estamos perante uma autêntica tragédia: a morte da barata e todo o sofrimento a que esta se sujeitou. E, como é óbvio, nem tudo é um mar de beterrabas para estes detetives, nem para nós espetadores: Gonçalo e Ana vão perdendo o interesse em resolver o caso, focando-se mais em comer cachorros, o que nos dá a entender que os dois têm pavor de baratas. Ou será que, para eles, a beterraba é o vegetal proibido?

De modo geral, este policial noir é uma grande desilusão, pois, parecia ser sobre cestos, o que me levou a pensar que seria uma narrativa mais cativante. Mas não é! É um filme de difícil compreensão, em que a linguagem de Joe Salvador se torna, por vezes confusa.

E confusos saímos nós do cinema, pensando que teria sido bem melhor termos ficado em casa a comer uma salada de beterraba.

O Cesto, a morte de um género

por Diogo Martins

“O Cesto” é uma tentativa de reviver os clássicos policiais americanos da década de 1940. Um projeto com um orçamento elevado e com grande ambição, vítima de expectativas excessivamente altas.

A longa-metragem relata os crimes hediondos e cruéis de Tomé, um jovem médico legista, que usa o seu conhecimento anatómico para levar a cabo experiências macabras em seres humanos. Arlindo Rúben interpreta este protagonista sem entusiasmo, porém, não seria justo culpar apenas o ator pela vergonhosa falta de caráter do psicopata, quando este tem tão pouco desenvolvimento significativo durante todo o filme. Por outro lado, Ana e Gonçalo (Gertrudes Costa e Mário Dias) detetives experientes da PJ investigam os contínuos casos de homicídio durante meses e não têm qualquer desenvolvimento interpessoal. A atuação é, em todos os momentos, monótona e vazia. As personagens parecem tão inumanas e carentes de emoção que é difícil acreditar que os atores estão sequer vivos.

Talvez um dos poucos pontos positivos deste primeiro trabalho de Daniel Ferreira como realizador seja a utilização de uma atmosfera opressiva, habitual nos policiais noirs, para gerar ansiedade numa obra, cuja narrativa é de tal modo inacreditavelmente previsível – fruto do argumento pobre em detalhe e realismo de Joe Salvação – que todo o esforço para criar esse ambiente foi em vão.

Em suma, um filme com tanta falta de personalidade, tão dependente das obras em que se inspirou, com tanta dificuldade em estabelecer uma relação entre as personagens e o mundo que criou, e tão carente de vida que não é digno do tempo de ninguém: fã, ou não, do género.

O Sadismo Trágico de “O Cesto”

Por Martim Almeida

  “O Cesto”, é um policial noir que conta a história de duas amigas que assassinam em série. O realizador, Daniel Ferreira, escolheu provavelmente este título, pois os corpos dos assassinados aparecem em cestos. Mas nunca teremos a certeza disso, pois este foi o seu último filme, realizado pouco antes morrer num trágico acidente rodoviário. Este artigo é apenas uma breve homenagem por parte de quem muito o aprecia.

A história: duas amigas, Vanessa e Vânia, interpretadas, respetivamente, por Joana Pombinho e Ana Paula Nogatt, sempre estudaram juntas e sempre tiveram um fetiche psicopata: assassinar pessoas e desmembrá-las. Tomé (Arlindo Rúben), o inspetor da judiciária, com a parceria dos seus colegas Ana (Gertrudes Costa) e Gonçalo (Mário Dias) tentam descobrir quem é ou quem são os responsáveis por essas mortes, vindo a ser uma das vítimas Gonçalo, o parceiro de Tomé. Também ele foi desmembrado e colocado num cesto, como todos os outros assassinados.

O filme é apropriado para os amantes deste género, todavia não exclui de todo que qualquer um o possa ver e apreciar. Mesmo que O Cesto se concentre na investigação de mortes macabras, há também algumas situações cómicas, alternadas com suspense e até mesmo com momentos românticos.

Concluindo, um bom filme para assistir, com o brilhante desempenho de Arlindo Rúben, Gertrudes Costa e Mário Dias e com um excecional argumento de Joe Salvação.

      

O Cesto

Por David Campos

No dia de lançamento do filme O Cesto, fui ao cinema ver se este policial noir era ou não um bom filme. Durou 1 hora e 42 minutos e valeu a pena ter saído de casa.

As personagens estão bem concebidas e representadas. A melhor é, sem dúvida, Gonçalo, interpretado na perfeição por Mário Dias. Em alguns momentos do enredo sérios e mais tristes, Gonçalo tenta fazer alguma piada, para aligeirar o clima, mas corre-lhe sempre mal. Também o realizador, Daniel Ferreira, se saiu muito bem com este último trabalho.

A história, saída da imaginação de Joe Salvação, passa-se numa aldeia, em que os habitantes são escravizados até à morte, até ao momento em que aparece Gonçalo, o herói. Para saberem mais e apreciarem o desempenho brilhante de Gertrudes Costa (Ana, a grande paixão de Gonçalo) e Arlindo Dias (Tomé, irmão de Ana), têm que ver este policial, de preferência no cinema, pois a fotografia é excelente!

Para concluir, recomendo O Cesto para quem gosta do género, mas também sugiro que se tenha em conta a idade: para visualizar esse filme deve ter-se, no mínimo, 16 anos.

A mais real perspectiva d’ O Cesto 

Por Paulo Fernandes

O filme de viragem de milénio O Cesto é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores representações audiovisuais do estilo de vida levado a cabo pelos mais bem sucedidos investidores na bolsa de valores de Nova York.

Com o argumento de Joe Salvação e a realização de Daniel Ferreira, tem o poder de nos fazer imergir no ecossistema da bolsa de valores, que ao longo da trama é sempre designado por “cesto”. Assim como num cesto, na bolsa de valores existem ovos mais fortes, que ao colidirem com os mais frágeis, os fazem quebrar. Tomé, o nosso estimado protagonista, muito bem representado por Arlindo Rúben, é o ovo mais recente no cesto. Todavia, mostra-se capaz de fazer frente aos ovos mais duros, Ana (Gertrudes Costa) e Gonçalo (Mário Dias), os dois juntos constituem o maior império dentro deste cabaz feito de jogos de poder, mas Tomé cresce com rapidez e astúcia, passando a representar uma grande ameaça para essa liderança. 

Toda a ação é desenvolvida à volta das estratégias obscuras que Ana e Gonçalo utilizam para fazer parar o crescimento de Tomé.

A maneira detalhada com a qual Daniel Ferreira fez acontecer este policial noir é extraordinária e faz-nos refletir sobre os problemas causados pela ganância e pela obsessão pelo dinheiro. 

É, de facto, um Cesto a não perder!