Frei Luís de Sousa

Caros alunos do 11.º ano, para quem gosta de cinema (quase teatro), tem aqui a obra de João Botelho Quem és tu?, filme baseado no drama garrettiano.

Aconselha-se o visionamento a partir do minuto 23:56.

Por que será?

Bom visionamento!

IA

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Robin Hood – a sociedade feudal

Neste segmento fílmico do épico realizado por Ridley Scott, podemos ver uma sociedade estratificada, com regras bem precisas, destacando-se convenções sociais bem rígidas (reparem que o herói, mesmo tendo o título de “Lord”, ou seja, é fidalgo, nobre, não pode olhar diretamente para a rainha-mãe, Lady Eleanor, sua suserana,) e o princípio de vassalagem (enquanto dialoga com a rainha e o novo rei, Robin permanece ajoelhado e preferencialmente cabisbaixo). Aliás, antes do encontro ele é advertido sobre o modo como proceder.

Repare-se também no símbolo do Cristianismo – a cruz – presente nas vestes destes nobres guerreiros.

Este é um filme que recomendo a quem quiser fazer uma breve revisão sobre as sociedades medievais. As relações e as convenções sociais influenciavam as relações interpessoais e vida emotiva/emocional (como já vimos nos cantares de amor, em que o sujeito poético se comporta com a dama como um vassalo o faz para com o seu senhor). Lady Eleanore, mãe do rei falecido, é obrigada a refrear a dor da perda do filho mais velho, porque só ela pode coroar o seu segundo filho, como novo rei.

O comportamento do rei recém-coroado também é significativo: preparava-se para recompensar o nobre que lhe trouxe a coroa mas, lembrando-se de que o pai do seu vassalo estava atrasado com o pagamento do imposto que lhe era devido, recuou no gesto de gratidão.

Espero que o vosso inglês esteja bem afinado, porque não há legendas!

Boas aprendizagens!

IA

Lírica Trovadoresca: um breve regresso e uma sistematização completa

Meus caros alunos, começo por convidar-vos a revisitar este artigo, disponível no seguinte link: 

https://isauraafonseca.wordpress.com/2015/10/16/um-cantinho-para-o-amor-cortes/

E, depois, partiremos para este pequeno filme, da autoria de Joaquim Matias da Silva e disponível no YouTube.

Aconselho o visionamento de apenas três sequências, ocorrendo, por isso, corte de informação para vós excedentária:

  • primeira sequência: do início até ao minuto 1:20;
  • segunda sequência: do minuto 13:30 até ao 21:40;
  • terceira sequência: do minuto 27:00 até ao fim.

Nestas três sequências são-vos apresentadas as principais características temáticas e formais das cantigas de amigo, de amor, de escárnio e de maldizer, que constituem o lirismo trovadoresco.

Se por acaso alunos de Literatura Portuguesa “tropeçarem” neste cantinho do Paraíso, aconselho o visionamento de todo o filme, pois é um verdadeiro “banquete”, no que diz respeito aos (sub)géneros e às respetivas características formais e temáticas do Trovadorismo Medieval.

Boas viagens literárias!

IA

Uma espécie de TPC para pais e filhos

Revisitando um artigo já postado há um ano atrás, lanço um desafio para resolver em família…

  1. Após o visionamento do segmento fílmico, redija duas frases onde exponha duas ideias suscitadas pela história apresentada.

  2. Proceda a uma segunda visualização e divida a ação em três momentos narrativos distintos, propondo um título para cada um deles.

Boas viagens e boas descobertas!

IA

Uma vitória, uma moeda

É um novo modo de viver o campeonato nacional de futebol. É transformar também a paixão pelo nosso clube numa boa ação. É dar uma nova cor ao campeonato – a cor da solidariedade! 

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É fácil. Cada jogo ganho pela equipa do nosso coração corresponde a uma moeda num mealheiro. No final do campeonato, abrimos esse tesourinho e doamos a soma apurada à APPDA Norte. 

Eu já tenho o meu mealheiro!

Para perceber melhor o modo de funcionamento desta iniciativa, propõe-se a leitura da história seguinte, da autoria de Maria Clara Miguel, que nos apresenta, de forma bem-humorada, algumas sugestões. Só sugestões, porque cada um de nós é livre e criativo na “gestão” desta ação solidária. 

Boa leitura e vitórias felizes!

IA

Um pensamento positivo, o prazer de uma vitória, uma boa ação

Um agradecimento muito especial à Arnalda, que, há já alguns anos, coleciona campeonatos para doar à APPDA Norte.

 

A família Andrade reuniu-se para celebrar, com opíparo jantar, o aniversário da Rita, que fazia dezassete anos. À mesa, enquanto vão saboreando o bacalhau com natas, especialidade da avó Sãozinha, todos conversavam, como sempre.

–Tive uma ideia que queria que ouvissem.

– Diz, Ritinha! – incentivou o pai, antes de engolir com gosto uma garfada daquela iguaria da mãe.

– Pensei que, agora que o campeonato nacional vai começar, podíamos aproveitar a nossa paixão pelo futebol para uma boa causa.

– Ah, sim!... E como é isso? – interrompeu o avô António, enquanto se preparava para degustar o seu  Alvarinho bem fresquinho .

– Cada um de nós, ou cada família, arranja um mealheiro e, sempre que a nossa equipa ganhe um jogo, mete lá uma moeda. No fim do campeonato, abrimos o mealheiro e doamos essa quantia à APPDA Norte.

De repente, fez-se silêncio. Até Tomás, o bebé da família, deixou de palrar.

– Explica lá isso, Ritinha! – quis saber o tio Miguel, com o copo suspenso na mão.

– É fácil. Eu sou portista e todas as vezes que o Porto ganhe, o que acontece quase sempre, ponho uma moeda no mealheiro…

– E se o Porto perder? – provocou o tio Miguel, benfiquista desde o berço.

– Não ponho nada. Mas isso é muito raro acontecer… – reagiu a Rita.

– Bem, então eu não posso entrar nessa iniciativa. – replicou o tio.

– Claro que podes. No teu mealheiro, metes uma moeda, sempre que o Benfica ganhe. Acontecerá menos vezes que o Porto, claro, mas a APPDA agradece todo o dinheiro que consigamos arranjar! – foi a vez de Rita o provocar.

– E como é que te surgiu essa ideia tão boa, Ritinha? – quis saber o avô António, com o prato quase vazio.

– Deve ter sido com um colega da escola. Não, Ritinha? – interrompeu a mãe, não deixando de levar uma colher de sopa à boquinha do pequeno Tomás.

– Sim, foi! Quando fui na semana passada ao aniversário do João, um colega que veio para a minha turma este ano, conheci o irmão dele, o Luís, que é autista e está na APPDA, em Gaia. Nunca tinha conhecido um autista e o Luís não é muito parecido com os que aparecem nos filmes. Não tem nenhum dom especial, não fala, isola-se dos outros, é pouco autónomo mas tem um sorriso muito bonito! Soube, durante a festa, que havia uma campanha para angariar fundos, a "Gaia ConVida 2018", e que podíamos todos ajudar indo até ao Cais de Gaia e fazendo umas comprinhas. E, como esta campanha só não chega, então, eu e o João ficamos de pensar numa outra iniciativa que pudesse ajudar a associação.

– E surgiu-te logo esta ideia mirabolante? – perguntou o Pedro, em jeito de provocação.

– Não foi logo, logo... Foi depois… e foi por causa da avó Sãozinha.

– Por minha causa, minha filha?! – espantou-se a avó, enquanto servia ao avô António a segunda dose de bacalhau.

– Sim, avó, por tua causa. Sempre que o Porto é campeão, tu costumas, na missa, dobrar a tua oferta, não é?

– É sim. Há muitos anos que eu e o teu avô fazemos isso. Não é que a gente acredite que Deus se meta nestas coisas do futebol, Ritinha, mas é uma forma de celebrarmos a vitória do nosso Porto e ajudarmos a igreja, que também tem uma importante missão social.

– Então, eu só fiz uns ajustes e mudei o destinatário. Afinal, quase toda a gente gosta de futebol e tem o seu clube preferido. Uma vitória, uma moeda. Não é muito, eu sei, mas pode sempre ajudar.

– Bem, Ritinha, eu entro, mas o meu mealheiro é do Boavista, já sabes.  – esclareceu a mãe – E mais, se o Boavista for campeão este ano, duplico o valor que estiver no mealheiro!

– Espera sentada, mãe! – provocou o Pedro – O Boavista campeão, só se for noutra dimensão!...

– Estás enganado, Pedro. – interrompeu o tio Miguel – Há poucos anos atrás, ainda não tinhas nascido, a pantera roubou o título aos três grandes.

– Pois foi! – disse o pai – Foi precisamente no ano em que a Rita nasceu. A tua mãe até disse que, nesse ano de 2001, foi abençoada em duplicado.

– E qual é o valor da moeda que pomos no mealheiro? – quis saber o avô António.

– Bem, acho que cada um põe o que pode ou o que acha que deve pôr. Eu vou pôr um euro. – revelou a Rita.

– Eu vou pôr dois euros. – disse o tio Miguel.

– Pois, tens a mania que és rico!... – comentou, em jeito de provocação, o avô.

– A minha mesada é pequena, por isso só posso pôr cinquenta cêntimos no meu mealheiro… Vou-lhe chamar “As vitórias do Dragão” ou, melhor,  “O fogo do Dragão”!... – declarou o Pedro em tom solene.

– Eu ponho um euro também… Pelo Dragão, claro! – disse o pai – E, sempre que o Porto ganhar ao Benfica ou ao Sporting, ou numa competição europeia, ponho dois! Afinal, é uma alegria a dobrar…

– Vou já telefonar ao Francisco. Ele, desde que está em Londres, deu-lhe para ser também adepto do Chelsea. Pode ser que alinhe na iniciativa e faça mealheiro… O Chelsea costuma ganhar muitos campeonatos, é dinheirinho em caixa! – lembrou o tio Miguel.

– Bem, vou também fazer um mealheiro pelo meu velhinho “Salgueiral”. É clube pequenino, mas tem direito à vida como os outros… A vossa avó faz pelo Porto. – sugeriu o avô António.

– Também devemos divulgar esta ideia aos nossos amigos e aos colegas no local de trabalho. – acrescentou a Rita.

– Bem, se a ideia pega, os mealheiros vão esgotar no mercado… – comentou o tio Miguel.

De repente, esboçou um sorriso maroto.

– Estou aqui a pensar se o Bruno de Carvalho faria mealheiro pelo Sporting… Agora, coitado, sem os recursos financeiros a que estava habituado, as moedas não lhe devem sobrar…

Gargalhada geral.

– Ele que olhe pela vidinha dele. Quanto ao Sporting, há muito bons sportinguistas que terão todo o gosto em amealhar as vitórias da equipa. – comentou o avô.

– E, se a nossa equipa empatar, como fazemos? – lembrou o Pedro.

– Eu vou pôr metade do valor da moeda, cinquenta cêntimos. Porque um empate é meia vitória, não? – hesitou a Rita.

– Ou meia derrota! – provocou o Pedro, mais uma vez.

– Eu acho que a Ritinha tem razão! É sempre melhor ver o lado positivo da questão. É como a história do copo meio cheio ou meio vazio… – opinou a mãe.

– Então, pelo que percebi, os jogos da Taça de Portugal, da Liga dos Campeões e todos os outros também contam?... – indagou o tio Miguel.

– Claro que sim… Quantos mais jogos, melhor! – sugeriu a Rita.

– Mas há jogos que se realizam depois de o campeonato ter terminado. O que fazemos com essas moedas, uma vez que já abrimos o mealheiro, Ritinha? – sondou o pai.

– Ficam para o mealheiro do ano que vem! – respondeu prontamente a jovem.

– Estou a ver que tens tudo bem pensado!... – espantou-se a avó Sãozinha.

– Claro! Não vinha para aqui propor-vos uma coisa séria sem pensar bem no assunto.

– Minha filha, ficavas zangada, se o meu mealheiro fosse para a paróquia? Nós temos um centro de dia e também precisamos de dinheiro… E, como na família já há vários mealheiros para a tua associação de Gaia, o meu não fará assim tanta falta… – indagou a avó Sãozinha.

– Claro que não, avó! O que interessa é ajudar quem precisa. E depois há outros momentos e outras campanhas em que podes contribuir para a APPDA.

– Bem, uma coisa é certa: neste campeonato familiar há uma equipa que vence sempre! – concluiu o pai.

– Ah, sim!... Qual? – perguntou o Pedro.

– A APPDA Norte! 

A minha casinha: do Norte para Sul…

Quando o marketing vê mais longe…

(Primeiro, foram os Xutos.)

Depois…

A NOS pega na canção, que faz a apologia de parte da ideologia do Estado Novo, e com ela constitui desafio musical. Várias bandas por este país fora reinventam-na. Nenhuma das que se encontram aqui utilizou a estrofe que difundia esses ideais, que induziam os mais desfavorecidos a um conformismo muito útil à elite social, à classe dirigente.

Que bom ter sentido crítico e bom senso!… Para além da criatividade, claro!

É caso para dizer: vá lá, escolham!

Boas viagens!

IA

No Porto…

Em Coimbra…

Em Lisboa…

Em Lisboa, um bocadinho “mais ao lado”…

Em Beja…


E, agora, o tema original e a respetiva letra…

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu teto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor teto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saúde e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

Letra de João Silva Tavares