Os Media: vantagens e desvantagens (2)

Como explicar a Europa?

Eis uma espécie de alegoria, não de teor religioso, (talvez seja mais uma paródia), retirada do Expresso Curto do dia 18 de outubro, da autoria do jornalista Ricardo Marques. Este parte, à semelhança de padre António Vieira, de um conceito predicável – não de uma citação de Cristo, mas de uma do escritor oitocentista, Eça de Queirós.

Até que ponto cumpre a função informativa dos (Mass) Media? Eis a questão que se impõe!

Balada do nosso bar

“Não falemos mais na Europa. Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia.”

in “Cartas de Inglaterra”, Eça de Queirós

A Europa é um enorme bar.

Antes, e parece que já foi há muito tempo, havia uma série de estabelecimentos na mesma rua, porta sim, porta sim – com zangas e confusões -, até que a malta decidiu juntar tudo e todos no mesmo espaço.

No União Europeia, assim se chama o novo bar, cada um ficou com a sua mesa, mas toda a gente andava por onde queria sem qualquer problema. Entrava-se com algum dinheiro, uns mais do que outros, escolheu-se uma nova moeda e também um gerente, que impunha as regras do sítio. Era bom, porque havia bebida para todos e evitavam-se as cenas de pancadaria à antiga.

Claro que os britânicos se juntaram à festa, e ao bar, mas nunca completamente. Bebiam em copos diferentes, insistiam em pagar na sua moeda antiga e mantiveram sempre aquele ar de que ‘no meu bar antigo é que a cerveja era boa e o gerente era eu e ninguém me chateava’.

Há três anos, numa daquelas febres que costumam ter, decidiram votar se ficavam ou não e ganharam os que queriam sair do bar. A ressaca na manhã seguinte não foi fácil e mais difícil têm sido todos os dias desde então. Andam às turras uns com os outros e eles todos com a gerência, para grande enfado das outras mesas que, resignadas, não veem a hora de tudo estar resolvido e o bar voltar ao que era, mesmo que nunca mais possa ser como foi. Enfim, quem os pode censurar, se até na mesa da polémica já há canais de televisão de notícias ‘Brexit-free’.…

Entre gritaria e zangas, os britânicos lá vão decidindo quem é que se levanta para ir ao balcão discutir com o Bruxelas – é o nome do tipo que manda no bar – os termos em que se vão embora. Afinal, há contas para pagar, cerveja que foi para a mesa, etc., etc… O último, já depois daquela senhora simpática que eles mandaram embora, é um rapaz louro, de cabelo despenteado que, viu-se ontem, parece ter conseguido qualquer coisa que não é má de todo.

A malta das outras mesas e a gerência celebraram, ainda que com o entusiasmo de quem sabe que vai ter uma perna amputada no fim do mês. (…)

O problema é que agora o despenteado tem de voltar à mesa para convencer os amigos – e há um, ou uma, a que chamam Escócia, que já disse que não se quer ir embora do bar, porque gosta do espaço e das pessoas das outras mesas e da cerveja, e que vai arranjar maneira de levar o assunto a votação.

Entre os restantes convivas na mesa do chá cheia de cerveja, há também uns que gritam que não querem saber e que saem dali seja como for e agarrem-me ou… e outros que querem tudo por escrito e certinho. Além, claro, dos que querem ficar, porque também os há. Tudo muito british, of course.

Agora que já temos a sua atenção para aquele que é provavelmente o momento mais difícil da construção europeia, fica este guia com 15 perguntas e outras tantas respostas sobre o Brexit. Resumindo: Londres e Bruxelas chegaram a acordo, mas agora tudo depende do Parlamento Britânico. A votação é já amanhã.

Outras questões pertinentes:

  1. Porquê esta citação de Eça de Queirós?

  2. Porquê a presença de vários links ao longo do texto?

Boa(s) leitura(s) e bom trabalho!

IA

PS: Já agora, um “copinho” de gramática:

  • Retire dos segundo, sexto e último parágrafos advérbios que asseguram a dêixis temporal.