Postal de Natal 2017

A todos um Santo Natal e um 2018 recheado de “coisinhas” todas elas muito boas!

E bem acompanhado de música e de dois poemas: um condimentado de ironia, ao gosto do “nosso”  Pessoa,  e outro bem crítico, pelo olhar de uma poetisa que no nome tem Natal, Natália Correia.

IA

 

Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal. 
Lá para o Norte é melhor: 
Há a neve que faz mal, 
E o frio que ainda é pior. 

E toda a gente é contente 
Porque é dia de o ficar. 
Chove no Natal presente. 
Antes isso que nevar. 

Pois apesar de ser esse 
O Natal da convenção, 
Quando o corpo me arrefece 
Tenho o frio e Natal não. 

Deixo sentir a quem quadra 
E o Natal a quem o fez, 
Pois se escrevo ainda outra quadra 
Fico gelado dos pés. 

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro” 

Falavam-me de Amor

Quando um ramo de doze badaladas 
se espalhava nos móveis e tu vinhas 
solstício de mel pelas escadas 
de um sentimento com nozes e com pinhas, 

menino eras de lenha e crepitavas 
porque do fogo o nome antigo tinhas 
e em sua eternidade colocavas 
o que a infância pedia às andorinhas. 

Depois nas folhas secas te envolvias 
de trezentos e muitos lerdos dias 
e eras um sol na sombra flagelado. 

O fel que por nós bebes te liberta 
e no manso natal que te conserta 
só tu ficaste a ti acostumado. 

Natália Correia, in “O Dilúvio e a Pomba”

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Cinema: O Mercador de Veneza

Porque as férias para os meus dezassete magníficos estão quase aí, sugiro o visionamento de O Mercador De Veneza. Realizado em 2004 por  Michael Radfort e baseado na peça homónima de William Shakespeare, o filme está disponível aqui: 

É certo que o ideal seria vê-lo no grande ecrã, ou seja, no cinema. Mas à falta de sala, cá nos vamos entretendo neste pequeno cantinho do Paraíso… (Espero não estar a cometer nenhuma infração, mas a película está disponível no YouTube e não fiz qualquer download.)

As interpretações de Lynn Collins (Portia) e de Joseph Fiennes (Bassanio) não ficam aquém das de Al Pacino (o judeu Schylock) e de Jeremy Irons (Antonio), como se poderia, à partida, supor. O texto é uma das obras-primas do grande poeta e dramaturgo inglês. Aconselho todos a, se possível, adquirirem DVD original.

E agora e porque não conto visitar este nosso Bem-Vindo ao Paraíso antes de setembro, resta-me desejar-vos umas boas férias e um bom descanso!

IA

Porquê férias? Porque é Páscoa!

Também porque são bem merecidas: este segundo período, mesmo sendo mais curto do que o primeiro, foi muito trabalhoso… mas profícuo!

E porque é Páscoa, claro!

Celebrada com rituais específicos pelas diversas crenças religiosas que assentam na tradição judaico-cristã, Páscoa, no hebraico Pesach ou Pesaḥ, remete para o Éxodo, relatado no Antigo Testamento,significa passagem. Moisés, o nascido das águas, após sete pragas avassaladoras (incluindo uma delas a imolação de um cordeiro, cujo sangue, aplicado no umbral das portas das casas hebraicas, impediu a entrada da Morte), liberta o seu povo escravizado pelos egípcios: abre o Mar Vermelho, peregrina durante quarenta anos no deserto, no fim dos quais os hebreus chegam finalmente à terra prometida, Canã.

E porque Páscoa, nesta perspetiva, é também libertação deixo-vos com uma das minha peças favoritas, da autoria de Giuseppi Verdi, da sua ópera Nabucco.

Com Cristo, Páscoa ganha também outro significado  – com a ressurreição do cordeiro sacrificado, Jesus, vence-se definitivamente a Morte.

Giotto di Bondone (1266-1337), A Ressurreição, Capela Scrovegni, Pádua

Por isso, a Páscoa é também momento de recolhimento, de transformação, de renascimento.

Por acaso, coincide com a chegada da Primavera! Será por acaso?

Aqui entram outras Páscoas: aquelas que têm a ver, não com cordeiros, mas com coelhos e ovos!

E isto assim é, uma vez que estes elementos estão associados a cultos, a rituais em que se celebram a fertilidade e a renovação da natureza.

Neste site de uma turma que se diz "turminha" podem ir mais longe: http://www.turminha.mpf.mp.br/nossa-cultura/pascoa/por-que-ovos-e-coelhos-sao-simbolos-da-pascoa

Boas férias e uma santa Páscoa!

IA