Diálogo Argumentativo

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Previsto no programa da disciplina de Português, no domínio da oralidade (compreensão e expressão), trata-se de um género a trabalhar, com alguma sistematicidade.

Falar de diálogo argumentativo implica regressar à Grécia antiga, a Sócrates e ao método dialético.

Trata-se de “um género textual de carácter persuasivo em que os diferentes intervenientes defendem o seu ponto de vista relativamente a um tema, num registo marcado pelo princípio de cortesia. Em cada uma das intervenções, as diferentes perspetivas devem ser defendidas de forma concisa e sustentadas por argumentos válidos e exemplos significativos, em confronto com os de outras pessoas (e, muitas vezes, partindo da refutação da opinião contrária, expressa por um dos interlocutores)”.

Para minimizar o impacto que as emoções possam ter aquando de um diálogo deste tipo e para que a mensagem veiculada por cada um dos intervenientes possa passar com clareza, é necessário obedecer aos princípios reguladores da interação discursiva e a certas máximas conversacionais.

Princípios reguladores da interação discursiva

i) – Princípio da cooperação

  • Os interlocutores desenvolvem esforços no sentido de a comunicação seguir  o mesmo objectivo;

ii) – Princípio da cortesia

  • Os interlocutores aplicam as regras sociais e culturais, recorrendo a estratégias verbais e não verbais (gestos, expressões, tom de voz…), de modo a evitar conflitos e a não pôr em causa a imagem pública do  interlocutor.

Máximas conversacionais

i) Máxima da quantidade

  • Os interlocutores transmitem a informação estritamente necessária.

ii) Máxima da qualidade

  • Os interlocutores afirmam o que é verdadeiro e não fazem afirmações que se não possam comprovar.

iii) Máxima da relevância

  • Os interlocutores comunicam apenas o que é relevante (não “fugindo ao tema/assunto em questão), no sentido de cooperarem um  com o outro.

iv) Máxima do Modo

  • Os interlocutores devem passar a mensagem de uma forma ordenada, concisa e clara.

Para além de aspetos de natureza linguística (verbal), há ainda a considerar recursos não verbais (postura, tom de voz, articulação, ritmo, entoação, expressividade, silêncio e olhar) que em muito contribuem para o carácter persuasivo inerente a este género discursivo.

Durante a minha pesquisa no Google Imagens, “tropecei” neste quadro, em língua espanhola, que me parece sintetizar de forma simples e clara a essência de um diálogo argumentativo. Ora vejam:

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Mesmo em espanhol, parece-me clara a mensagem! 

Seguem dois registos audio do programa radiofónico “Dias do Avesso”, que estarão na base da atividade que abaixo se propõe.

solidão mata

crianças holandesas são mais felizes

 

ATIVIDADE

1. Ouça atentamente os dois registos áudio e complete o quadro abaixo com o ponto de vista e os argumentos apresentados por cada um dos interlocutores.

2. Tendo em conta os princípios reguladores da interação discursiva, comente a intervenção de Eduardo Sá “Isabel, deixe-me continuar!…” , presente no segundo registo audio.

Bom trabalho

IA

informação colhida no manual SENTIDOS 12,da ASA Editores, na Gramática do Português - Ensino Secundário, de Clara Amorim e Catarina Sousa, e em https://www.slideshare.net/armindagoncalves/oexp12-dialogo-argumentativo
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Ainda Caeiro e uma ficha de compreensão do oral escondida num comentário

Recupero aqui um comentário ao artigo intitulado “Alberto Caeiro – poemas (possíveis) para uma oral feliz”, que continha registo audiovisual e ficha a acompanhar, vindos do blogue Carruagem 23.

O autor, o professor Vítor Oliveira, autorizou que o seu comentário viesse para a “primeira página” do Bem-Vindo ao Paraíso, pelo que abaixo segue o dito cujo.

Muito obrigada, Stor Vítor! 

E nós, meus caros alunos, vamos resolver a atividade.

IA

FICHA DE COMPREENSÃO DO ORAL

GRUPO I ____________________________________________

A
Vai assistir a um registo audiovisual, composto por várias componentes e diferentes tipos de texto.

Selecione a alínea que melhor completa a frase de cada item. Depois, registe todas as opções na folha de prova com o número e a alínea devidos.

1. O documento apresentado obedece à sequência visual
(A) assinatura / fotografia / múltiplas pinturas / capa de livro / vídeo / imagem de fecho
(B) assinatura / pinturas / fotografia / novas pinturas / capa de livro / vídeo / imagem de fecho
(C) capa de livro / pinturas / fotografia / novas pinturas / vídeo / imagem de fecho / assinatura
(D) imagem de abertura / assinatura / pinturas / fotografias / capa de livro / vídeo

2. O assunto do documento é especificamente centrado
(A) na poesia de Pessoa ortónimo.
(B) na heteronímia pessoana.
(C) num discípulo pessoano.
(D) no mestre da heteronímia pessoana.

3. Segundo a voz locutora do documento audiovisual,
(A) o mestre pessoano é um pastor.
(B) há identidade entre o mestre pessoano e os pastores.
(C) o mestre pessoano assume-se no exercício da profissão de um pastor.
(D) há uma comparação da alma do mestre pessoano com a de um pastor.

4. Pelo exposto no documento, para o mestre pessoano, o pensamento é equivalente
(A) a estar doente dos olhos.
(B) a andar à chuva.
(C) ao uso errado dos sentidos.
(D) ao uso dos sentidos.

5. As pinturas reproduzidas no documento
(A) evocam ambientes urbanos de evidente progresso civilizacional.
(B) retratam exclusivamente espaços campestres, de ambiência bucólica.
(C) representam dominantemente espaços relacionados com a natureza.
(D) dão conta de que como Caeiro foi um verdadeiro e natural pastor.

6. A coloquialidade e o verso livre são consequências de um estilo que o mestre pessoano
(A) assume pelo contacto puro e verdadeiro com as coisas.
(B) recusa por causa do olhar lúcido não contaminado pela metafísica.
(C) adota, na negação de que a escrita seja semelhante à fala.
(D) propõe, na sequência do exercício do próprio pensamento.

7. O poema declamado no documento evidencia o recurso aos sentidos
(A) gustativo, olfativo.
(B) auditivo, olfativo.
(C) gustativo, visual.
(D) visual, auditivo.

8. Os termos que melhor caracterizam o mestre pessoano são
(A) recusa do pensamento, contaminação da metafísica, complexidade filosófica.
(B) originalidade, Natureza, sensacionismo e aparente simplicidade.
(C) pureza, coloquialidade, escrita artificial, estilo coordenativo.
(D) mestria, realidade, pastorícia, Natureza e preocupação metafísica.

B
Indique os títulos de obras / poemas do mestre pessoano apresentados no registo escutado / visionado.
i) “Pastor numa pastagem”
ii) “Pastagem de verão”
iii) “Veleiros no mar, noite”
iv) “Guardando o rebanho”
v) “O Guardador de Rebanhos”
vi) “O pastor amoroso”
vii) “Poemas Inconjuntos”
viii) “A ceifa”
ix) “Poemas de Alberto Caeiro”
x) “Se eu pudesse trincar a terra toda e sentir o paladar”

……………………………………………………………………………………………

Breve questionário sobre Alberto Caeiro e a sua poesia

Meus caros alunos, está na hora de testar os vossos conhecimentos a propósito deste heterónimo pessoano. A atividade será corrigida em aula.

Bom trabalho!

IA

Assinale cada uma das afirmações como verdadeiras ou falsas, tendo em conta o estudo feito sobre a poesia de Alberto Caeiro.

  1. Caeiro é o heterónimo pessoano mais instruído. ___
  2. Alberto Caeiro é o poeta da Natureza. ___
  3. Este heterónimo tem tendências neopagãs. ___
  4. Caeiro é considerado o mestre só dos heterónimos. ___
  5. Caeiro apresenta-se como um mero guardador de rebanhos, ou seja, de sensações, que vê de forma objetiva e natural a realidade circundante. ___
  6. A Natureza, para Caeiro, está em constante renovação. ___
  7. Caeiro utiliza uma linguagem simples, coloquial, visível no vocabulário erudito e nas construções frásicas complexas. ___
  8. Caeiro é sensacionista porque privilegia aquilo que capta pelas sensações. ___
  9. A realidade é captada pelo recurso à sensação visual, a única que interessa a Caeiro. ___
  10. O verdadeiro sensacionismo resulta da supremacia das sensações oferecidas pelos órgãos sensoriais. ___
  11. Caeiro vive no presente, recusando o passado e o futuro, recorrendo também por isso, a nível estilístico, a aforismos, ao presente do indicativo e ao imperativo. ___
  12. Caeiro rejeita o pensamento e vive pelas sensações. ___
  13. “Pensar incomoda como andar à chuva” significa que o pensamento gera mal-estar, infelicidade. ___
  14. Caeiro aceita calmamente a morte pois perspetiva-a como um acontecimento natural. ___
  15. Caeiro foi o mestre do ortónimo e dos outros heterónimos. ___
  16. Os versos “Eu não tenho filosofia, tenho sentidos” e “Pensar é não compreender” confirmam o primado dos sentidos e o seu caráter antimetafísico. ___
  17. A apologia da simplicidade da vida rural é uma atitude valorizada por este poeta bucólico. ___
  18. O autor de “O guardador de rebanhos” é um autodidata, que adota uma vivência simples e concreta. ___
  19. O uso do pensamento traz felicidade a este heterónimo. ___
elaborado a partir de SENTIDOS 12, "Questões de aula", ASA Editores

 

O estilo de Eça em “Os Maias”

Neste artigo, pretende-se partir do levantamento dos recursos expressivos mais explorados no excerto publicado no post anterior e proceder à sua interpretação. 

Esses recursos estão sistematizados na ficha anexada abaixo.

O estilo de Eça de Queirós em Os Maias

Podemos verificar, pela leitura atenta da tabela presente na ficha em anexo, que os recursos expressivos que apresentam estruturas linguísticas com valor semântico negativo/depreciativo se relacionam quer com os elementos humanos observados, façam eles parte da crónica de costumes ou não (como é o caso da personagem protagonista, Carlos da Maia) quer com a paisagem humanizada, ou seja, com tudo o que é construção nas ruas de Lisboa ou no espaço reservado ao hipódromo.

A natureza, pelo contrário, aparece maioritariamente descrita como um espaço aberto, inundado de luz e de cor, convidativo à deambulação e ao deleite através da exploração de sensações, que são (ou deveriam ser) ativadas no contacto direto com  a mesma. A paisagem natural só surge descrita com vocábulos cujos traços semânticos apresentam uma carga negativa, sempre que é perspetivada enquanto espaço que permite uma identificação do estado de espírito das personagens nela integradas, acabando por se assemelhar a  elas.

O predomínio da sensação visual (principalmente a cromática) adequa-se à estética impressionista, explorada nas artes plásticas dos finais do século XIX, nomeadamente na pintura, e é recorrente na técnica descritiva queirosiana (como o será também na lírica de Cesário Verde).

Também é de salientar o efeito cómico e a técnica da caricatura presentes em certas passagens textuais, resultantes da harmonização de diversos recursos expressivos. Aqueles contribuem não só para a denúncia do provincianismo, que caracteriza, numa perspetiva ampliada pelo monóculo do autor, a sociedade lisboeta oitocentista, mas também para a revelação de outros “vícios” sociais (e mesmo morais): a precariedade das construções, a falta de higiene, o compadrio, a ausência de ética profissional… Enfim, a tal “sensaboria de rachar”, expressão com que dois brasileiros descrevem estas corridas em Lisboa.

Para já, meus caros alunos, fiquemos por aqui, que a lição já vai longa!

Bom trabalho!

IA

Vamos a Sintra… em “Os Maias”

Porque Carlos queria provocar encontro casual com Maria Eduarda:

 «- Iam pelo Chiado abaixo; anteontem, às duas horas… Estou convencido que iam para Sintra. […] 

Carlos ficou ainda um momento olhando o jogo, com uma cigarette apagada nos dedos, o mesmo ar distraído: de repente, pareceu tomar uma decisão, atravessou o corredor, entrou na sala de música. Steinbroken fora ao escritório ver Afonso da Maia, e a partida de whist; e Cruges só, entre duas velas do piano, com os olhos errantes pelo tecto, improvisava para si, melancolicamente.

– Dize cá, Cruges – perguntou-lhe Carlos – queres vir amanhã a Sintra? […] 

Correu à Lawrence por um caminho diferente, ávido de uma certeza: – e aí, o criado que lhe apareceu disse-lhe que o sr. Salcede e os senhores Castro Gomes tinham partido na véspera para Mafra…»

Caros alunos, temos aqui uma boa parte do capítulo VIII e outros momentos da obra:

Segue também a ficha de trabalho, que será guia desta nossa visita virtual.

UmOlharDeMonóculo[1]

Boas viagens!

IA

Ficha de Trabalho: Modalidade e Frases Complexas

Para resolver as atividades em A, consulte anexo sobre Modalidade.

A – Atente nas frases seguintes: 

  1. Felizmente, a atitude de Padre António Vieira perante os colonos foi firme!
  2. Não há dúvida de que os discursos vieirianos recriminam o comportamento dos colonos.
  3. Ainda bem que, em Portugal, foi abolida a escravatura!
  4. Os representantes da Igreja têm de defender os desprotegidos.
  5. Pode abandonar a cela! – disse o guarda a Vieira.
  6. É lamentável que as instituições nem sempre funcionem bem!
  7. Os Sermões de Vieira denunciaram diversos problemas sociais.
  8. Levante-se e responda às questões! – disse o Inquisidor a Vieira.
  9. Não se ausente de Portugal, será julgado em breve. – disseram os juízes.

1. Destaque o(s) exemplo(s) representativo(s) de modalidade apreciativa.

2. Identifique as marcas gramaticais que configurarem essa modalidade.

3. Identifique a modalidade representada nas frases 5), 8) e 9) e indique as marcas gramaticais que a configuram.

4. Considere, agora, a frase 2).

4.1. Classifique-a quanto ao tipo de modalidade representada.

4.2. Transforma-a num exemplo de modalidade epistémica com valor de probabilidade.

5. Reescreva as frases 2) e 7), iniciando-as com o advérbio ‘talvez’, e faça as alterações necessárias.

B – Leia as frases abaixo.

a) António Vieira dirigiu-se aos peixes porque os homens não o ouviam.
b) As críticas do pregador eram tão violentas que era impossível não serem escutadas.
c) Se a doença não tivesse sido grave, Vieira teria terminado a Clavis Prophetarum.
d) Embora doente, nunca deixou de defender os interesses dos índios.
e) Se não fosse a intervenção do Papa, a Inquisição continuaria a perseguir o orador Luso.
f) Logo que recebeu a Bula Papal, o sacerdote regressou ao seu país.
g) Os sermões vieirianos partem de um tema bíblico, logo são fundamentados nas escrituras.
h) Foram feitas inúmeras pregações no Maranhão para persuadir os colonos a mudarem os seus comportamentos.
  1. Destaque o conector em cada uma das frases.
  2. Indique o seu valor lógico.
  3. Refaça as frases, substituindo os conectores por outros com valor semelhante e procedendo às alterações necessárias.

Bom Trabalho!

IA

Modalidade

Atividade retirada do manual Percursos Profissionais 2, ASA

Memorial do Convento – a diegese em sequências e o universo simbólico


lua e sol1. Antes de procedermos à leitura de passagens da obra em estudo e de modo a que o nosso olhar esteja já instruído para captar o essencial, proponho a realização da seguinte ficha. 

a trindade e universo simbólico em Memorial do Convento

mafra12. Para que tenhamos presentes os diferentes momentos narrativos, é tempo de darmos uma espreitadela aqui (podemos também entrar pelo link “Farol das Letras”, presente no menu lateral):

http://www.faroldasletras.pt/memorial_capitulos.html
  • Num primeiro momento, impõe-se uma leitura rápida dessas sequências, no sentido de identificar a(s) linha(s) de ação presente(s).

  • Finda a leitura dos pontos-síntese de cada capítulo, leremos excertos alusivos a alguns dos aspetos focados (ver textos do manual “Percursos Profissionais”).

E assim se cumprirá uma mão cheia de aulas…

(desafio parentético: Na frase acima, qual é a função sintática desempenhada por "uma mão cheia de aulas"?)

Bom trabalho!

IA