“Sermão de Santo António”, vindo diretamente da Carruagem 23

Meus caros alunos, é de visitar este Exórdio, in loco…

http://carruagem23.blogspot.com/2019/10/payassu-o-verbo-do-pai-grande.html#comment-form

Com um agradecimento muito especial ao prof. Vítor Oliveira, autor do registo fílmico.

Boas audições!

IA

Verão Azul e Os Pequenos Vagabundos

Procuremos o azul que hoje nos falta e revivamos, com esta pequena reportagem, outros verões ou verãos cheios de azul, de mistério e de aventura.

As duas séries estiveram bem presentes na minha vida: a segunda, na infância; a primeira, já na adolescência. Lembro-me bem de, no recreio da escola, brincar com os colegas aos “Pequenos Vagabundos”. Quando veio o “Verão Azul”, já era mais crescidinha e as brincadeiras de imitação já tinham terminado. Mas gostava da história e não perdia um único episódio.

Boas viagens!

IA 

Robin Hood – a sociedade feudal

Neste segmento fílmico do épico realizado por Ridley Scott, podemos ver uma sociedade estratificada, com regras bem precisas, destacando-se convenções sociais bem rígidas (reparem que o herói, mesmo tendo o título de “Lord”, ou seja, é fidalgo, nobre, não pode olhar diretamente para a rainha-mãe, Lady Eleanor, sua suserana,) e o princípio de vassalagem (enquanto dialoga com a rainha e o novo rei, Robin permanece ajoelhado e preferencialmente cabisbaixo). Aliás, antes do encontro ele é advertido sobre o modo como proceder.

Repare-se também no símbolo do Cristianismo – a cruz – presente nas vestes destes nobres guerreiros.

Este é um filme que recomendo a quem quiser fazer uma breve revisão sobre as sociedades medievais. As relações e as convenções sociais influenciavam as relações interpessoais e vida emotiva/emocional (como já vimos nos cantares de amor, em que o sujeito poético se comporta com a dama como um vassalo o faz para com o seu senhor). Lady Eleanore, mãe do rei falecido, é obrigada a refrear a dor da perda do filho mais velho, porque só ela pode coroar o seu segundo filho, como novo rei.

O comportamento do rei recém-coroado também é significativo: preparava-se para recompensar o nobre que lhe trouxe a coroa mas, lembrando-se de que o pai do seu vassalo estava atrasado com o pagamento do imposto que lhe era devido, recuou no gesto de gratidão.

Espero que o vosso inglês esteja bem afinado, porque não há legendas!

Boas aprendizagens!

IA

Carpe Diem

No Clube dos Poetas Mortos

 

Saudades deste filme de Peter Weir, de 1990!

Ricardo Reis, o heterónimo mais erudito de Pessoa, só não aprovaria o conselho “Façam das vossas vidas uma coisa extraordinária!”.

Afinal, o “eu” nas odes de Reis é um simples observador do rio que caminha para o mar, um mero espectador da vida que passa. Nunca é ator. Nunca se assume como alguém que busca protagonismo. Mas é sempre aquele que aceita o que o Fatum lhe reserva.

E que cada um de nós encontre o seu verso, como sugere Walt Whitman, de quem falaremos quando estudarmos a poesia do sr. engenheiro Álvaro de Campos.

Boa semana!

IA

Quando grandes livros dão grandes filmes

O Nome da Rosa, de Umberto Eco é um desses livros. Um livro que vive de livros! E não só… Faz parte do PIL do 10.º ano e foi escolhido por alguns alunos.

Aqui fica apenas um pedacinho do filme de Jean-Jacques Annaud, para “abrir o apetite”.

E um pedacinho do livro.

SEGUNDO DIA

NOITE

Onde se penetra finalmente no labirinto, se têm estranhas visões e, como acontece nos labirinto, aí a gente se perde.

 

Voltámos ao scriptorium, desta vez pela escada oriental, que também subia ao andar proibido, com a candeia ao alto diante de nós. Eu pensava nas palavras de Alinardo sobre o labirinto e esperava coisas pavorosas.

Fiquei surpreendido, quando emergimos no lugar onde não deveríamos ter entrado, ao encontrar-me numa sala de sete lados, não muito ampla, privada de janelas, em que reinava, como de resto em todo o andar, um forte odor a fechado ou a mofo. Nada de terrificante.

A sala, como disse, tinha sete paredes, mas só em quatro delas se abria entre duas colunazinhas encaixadas na parede, uma abertura, uma passagem bastante ampla encimada por um arco de volta inteira. Ao longo das paredes fechadas encostavam-se enormes armários, carregados de livros dispostos com regularidade. Os armários tinham uma etiqueta numerada, assim como cada uma das prateleiras: claramente, os mesmos números que tínhamos visto no catálogo. No meio da sala uma mesa, também ela repleta de livros. Sobre todos os volumes um véu bastante fino de poeira sinal de que os livros eram limpos com uma certa frequência. Pelo chão também havia qualquer sujidade. Por cima do arco de uma das portas, uma grande inscrição, pintada na parede, apresentava as palavras: Apocalypsis lesu Christi. Não parecia esbatida, embora os caracteres fossem antigos. Apercebemo-nos depois que, também nas outras salas, estas inscrições eram na verdade gravadas na pedra, e bastante profundamente e depois as cavidades tinham sido preenchidas com tinta, como se usa para pintar a fresco as igrejas.”

Umberto Eco, O nome da Rosa. Difel, 16.ª ed, p. 165

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