Um composto morfológico para um título

Fica aqui, numa espécie de intervalo, antes de passarmos a outro composto com o segundo radical, mas de sentido bem mais negativo.

Será no Sermão de Santo Antóniode Padre António Vieira, que falaremos da antropofagia social, ou seja, do facto de os homens, à semelhança dos peixes, se “comerem” entre si, o que começa por ser logo denunciado no início do quarto capítulo do famoso sermão: “coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros…”.

Biofagia

Hesitation - Paul Klee

Meu vício
é vitalício: comer a Vida
deitando-a entontecida
sobre o linho do idioma.

Nesse leito transverso
dispo-a com um só verso.

Até chegar ao fim da voz.


Até ser um corpo sem foz.

Mia Couto, Maputo, 2006, in Idades, Cidades, Divindades (2007)

 Tenham um bom domingo!

IA

Imagem da autoria de Paul Klee, colhida em Google Imagens 
Anúncios

Formação de palavras 3

Processos irregulares de formação de palavras

1. extensão semântica

É um processo irregular de formação palavras em que se atribui um significado diferente a palavras já existentes na língua.

Exs.:1) rato (animal roedor) / rato (periférico de computador)

2) janela (de uma casa) / janela (caixa de diálogo / informativa) de programa informático

Scanner_20151029

2. empréstimo

É um processo em que uma palavra de uma língua é adotada por outra.

Ex.: as palavras inglesas online e marketing foram adotadas pelos falantes do português e utilizadas na comunicação.

3. amálgama

É um processo através do qual se forma uma nova palavra pela junção de partes de palavras diferentes.

Ex.: A palavra informática resulta da junção dos elementos destacados das palavras informação+automática.

4. sigla

É uma palavra que resulta das letras iniciais de um grupo de palavras. Essas iniciais são pronunciadas separadamente.

Exs.: 1) PSP (Polícia de Segurança Pública)

2) GNR (Guarda Nacional Republicana ou Grupo Novo Rock)

5. acrónimo

É um processo que dá origem a uma palavra formada por letra ou letras iniciais de um conjunto de palavras, e que se pronuncia como uma palavra.

Exs.: 1) SIDA (Síndroma da Imuno-Deficiência Adquirida);

2) FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique)

3) AMI (Assistência Médica internacional)

6. truncação

É um processo que consiste na redução de palavras mais extensas delas resultando outras de menor extensão.

Ex.: A palavra metro formou-se pela redução da palavra metropolitano.

Boas aprendizagens!

IA

Informação colhida no manual Com Textos 11.º ano e  também aqui http://nlstore.leya.com/asa/2015/regresso_as_aulas/images/materiais/EntrePalavras%2010_O_Que_E_Auto_da_Feira.pdf

Formação de palavras 2

Composição

Processo que consiste na criação de uma nova palavra a partir de duas formas de base, que podem ser radicais ou palavras simples ou complexas já existentes. Há a considerar dois tipos de composição:

1.ª morfossintática (palavra + palavra)

Ex.: lava-louça; paraquedas; maldizer

2.ª morfológica (radical + radical ou radical + palavra)

Ex.: geologia; agricultura; sociocultural

Propriedades dos radicais neoclássicos que entram na formação de compostos morfológicos (Cunha e Cintra)

  1. Alguns podem ocorrer quer à esquerda, quer à direita de um outro radical:

fonoteca; lusofonia

  1. Mas também há radicais que ocorrem apenas em posição inicial:

piscicultura

  1. E outros que ocorrem apenas em posição final:

 insecticida

  1. Ocorre frequentemente uma vogal de ligação entre dois radicais adjacentes:

herbívoro; antropomórfico

  1. Mas há dois casos em que essa vogal não ocorre,

(i) quando o radical da direita começa por vogal:

  1. ped-iatra

(ii) quando o radical da esquerda não é um modificador nominal:

  1. cali-grafia
  1. Podem associar-se a outros radicais neoclássicos ou vernáculos:

agrografia; agroindústria

  1. Podem ser modificadores do constituinte à sua direita:

psicofármaco

Bom Trabalho!

IA

a partir de http://www.clul.ul.pt/files/alina_villalva/2006categoriasmorfologicas.pdf

Formação de palavras

Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a derivação e a composiçãoA diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical (forma de base), enquanto no processo de composição  haverá no mínimo dois radicais. Hoje, só trataremos da DERIVAÇÃO

Em anexo, segue uma listagem de prefixos e sufixos da Língua Portuguesa.

Derivação

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada forma de base. Observe o quadro abaixo:

Forma de Base

Derivada

mar marítimo, marinheiro, marujo
terra enterrar, terreiro, aterrar

 Derivação por Prefixação

Resulta do acréscimo de prefixo à forma de base, que vê o seu significado alterado. Vejamos os exemplos:

crer- descrer
ler- reler
capaz- incapaz

Derivação por Sufixação

Resulta de acréscimo de sufixo à forma de base, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical.

Exemplo:

Alfabetizar – alfabetização

No exemplo acima, o sufixo -ção  transforma em nome o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do nome alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.

Derivação Parassintética ou Parassíntese

Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à forma de base. Por meio da parassíntese formam-se nomes, adjetivos  e verbos.

Consideremos o adjetivo “triste”. Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois na nossa língua não existem as palavras “entriste”, nem “tristecer”.

NOTA 1: Não confundir este tipo de derivação com a denominada derivação por prefixação e sufixação em que a junção dos afixos não é concomitante, como é o caso de “infelizmente” (existem os vocábulos “infeliz” e “felizmente”, ao contrário do que sucede com o exemplo anterior).

NOTA 2: Ainda a propósito da parassíntese, peço emprestado ao blogue Carruagem 23 o seguinte apontamento:

“Que me dizes…? Eu digo-te…

     (…)FormaçãoPalavras

Q: Que me dizes de ‘apadrinhamento’ e ‘apodrecimento’ serem exemplos de derivação por parassíntese?
    Impõe-se a resposta, com o mesmo tuteamento de partida:
     R: Eu digo-te que não são bons exemplos, pois claro, a par de outros já aqui abordados. Fosse a resposta ‘apadrinhar’ e ‘apodrecer’ e nada teria a dizer, por se tratarem de verbos formados a partir de nome (no caso, ‘padrinho’) ou de adjetivo (no caso, ‘podre’). Estes, sim, são os casos prototípicos da parassíntese.
  “Apadrinhamento” e “apodrecimento” são casos de derivação (sucessiva e) por sufixação. O problema é sempre o de não se ver que a base ‘apadrinhar’, já de si complexa, é a derivante para ‘apadrinhamento‘ (com o acrescento do sufixo [mento]), o mesmo sucedendo com ‘apodrecer’ > ‘apodrecimento‘. Assim o ditam os elementos morfológicos sublinhados, sufixos acrescentados a uma base já por si derivada. (…)”

Um agradecimento muito especial ao professor Vítor Oliveira! 

Com base neste artigo e na sistematização proposta no manual, poderemos resolver os exercícios da página 24.

Bom trabalho!

Ia

Sufixos

Bibliografia: 
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf4.php (com adaptações)
http://carruagem23.blogspot.pt/2015/10/que-me-dizes-eu-digo-te.html