Tentando afinar-me num agosto “desafinado”

Dia para ouvir João Gilberto

E para (re)ler um poema de Al berto que parece enquadrar-se com a “reclusão” que João Gilberto viveu nos últimos anos da sua vida.

14 de janeiro

 

todo o santo dia bateram à porta. não abri, não me apetece ver pessoas, ninguém.
escrevi muito, de tarde e pela noite dentro.

curiosamente, hoje, ouve-se o mar como se estivesse dentro de casa. o vento deve estar de feição. a ressonância das vagas contra os rochedos sobressalta-me.

desconfio que se disser mar em voz alta, o mar entra pela janela.

sou um homem privilegiado, ouço o mar ao entardecer. que mais posso desejar?

e no entanto, não estou alegre nem apaixonado. nem me parece que esteja feliz.

escrevo com um único fim: salvar o dia.

 

Fiquem bem!

IA

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Uma vitória, uma moeda – 2019

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Ainda não começou o campeonato da Primeira Liga de Futebol 2019-2020, mas já podemos começar a amealhar vitórias, ou a preparar-nos para… 

Relembro esta iniciativa solidária, lançada no ano passado. 

Por cada vitória da nossa equipa preferida, metemos uma moeda (à nossa escolha) num mealheiro, que abriremos no final do campeonato. Com o valor apurado, podemos ajudar uma instituição social. O meu mealheiro vai para a APPDA Norte.

Podemos também amealhar as vitórias da Seleção Nacional ou de mais equipas. Podemos jogar com outras modalidades desportivas. Enfim, tantas possibilidades! Cada um tem total liberdade na gestão do seu mealheiro. Haja moedas suficientes para tantas vitórias!

Anexo de novo a história da Maria Clara Miguel, que, de forma descontraída, avança com muitas sugestões.

Um pensamento positivo

E termino este artigo com votos de excelentes férias de verão, finais (de jogos) felizes e um dos setenta temas musicais selecionados por um dos meus realizadores preferidos – Quentin Tarantino!

É um dueto bastante harmonioso… Não sei se se adequa ao contexto competitivo que impera no mundo desportivo, mas fica a título de convite… Como se fóssemos juntos, mesmo sendo “rivais”, assistir a um empolgante jogo…

Viens, Mallika!

IA

Revivendo (nostalgicamente) o passado no verão

Do emblemático álbum  “The Wall”, dos Pink Floyd, um dos meus temas preferidos, com duas vozes extra(ordinárias). O “dono” de uma delas, infelizmente, já partiu.

Comfortably Numb

Eddie Vedder, a solo:

Bowie, a solo:

Em espanhol, uma “Oracion”, de Heroes del Silencio:

Por fim, um “Everybody Hurts”, com (algum) alento…

Não. Afinal, ainda não era “por fim”.

Escrita por Paul Anka, em parceria com  Jacques Revaux, autor do tema francês “Comme d’habitude”, interpretado inicialmente por Claude François, foi imortalizada por Sinatra. Mas eu escolhi o Anka:

E o tema em francês, numa versão mais fresca:

Agora, sim, é o fim! 

Continuação de um bom Verão (?)!

IA

Férias de Verão, venham elas…

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Devia ser verão, devia ser jovem.

ao encontro do dia caminhava

como quem entra na água.

 

Um corpo nu brilhava nas areias

– corpo ou pedra?, pedra ou flor?

 

Verde era a luz, e a espuma

do vento rolava nas dunas.

 

Aproximei-me desse corpo nu,

o coração latino de alegria.

 

De repente vi o mar subir o prumo,

Desatar inteiro nos meus ombros.

 

Sem muros era a terra, e tudo ardia.

Eugénio de Andrade, “Anunciação da Alegria”

 

E, para acompanhar, “La mer”, em inglês “Beyond the sea”, uma canção que já mora neste Bem-Vindo ao Paraíso, noutras versões…

Fiquem bem!

IA

DIA DA MÃE (2019)

Feliz Dia da Mãe!

UM POUCO SÓ DE GOYA: CARTA A MINHA FILHA:

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila? 
Eras pequena e o cabelo mais claro, 
mas os olhos iguais. Na metáfora dada 
pela infância, perguntavas do espanto 
da morte e do nascer, e de quem se seguia 
e porque se seguia, ou da total ausência 
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se 
de junho, o teu cabelo claro mais escuro, 
queria contar-te que a vida é também isso: 
uma fila no espaço, uma fila no tempo, 
e que o teu tempo ao meu se seguirá.

Num estilo que gostava, esse de um homem 
que um dia lembrou Goya numa carta a seus 
filhos, queria dizer-te que a vida é também 
isto: uma espingarda às vezes carregada 
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande 
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te 
testamentos, falar-te de tigelas — é sempre 
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à 
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua 
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida, 
de quem a habita para além do ar. 
E que o respeito inteiro e infinito 
não precisa de vir depois do amor. 
Nem antes. Que as filas só são úteis 
como formas de olhar, maneiras de ordenar

o nosso espanto, mas que é possível pontos 
paralelos, espelhos e não janelas. 
E que tudo está bem e é bom: fila ou 
novelo, duas cabeças tais num corpo só, 
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio

ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela 
tão útil para falar da vida, essa que, 
sem tigelas, intactas ou partidas, continua 
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.

Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho, 
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.

A vida, minha filha, pode ser 
de metáfora outra: uma língua de fogo; 
uma camisa branca da cor do pesadelo. 
Mas também esse bolbo que me deste, 
e que agora floriu, passado um ano. 
Porque houve terra, alguma água leve, 
e uma varanda a libertar-lhe os passos.

Ana Luísa Amaral 

IA

Páscoa é também transformação

O dia da celebração da Páscoa cristã foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano 325 d.C), devendo ocorrer sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e do outono (no Hemisfério Sul).

Etimologicamente, o termo Páscoa originou-se a partir do latim Pascha, que, por sua vez, deriva do hebraico Pessach Pesach, que significa “passagem”. Passagem, mudança, transformação significados tão próximos…

É talvez a celebração cristã mais importante pois associa-se à ressurreição de Cristo. Fiquemos, por isso, com este “Panis Angelicus”!

Mas, hoje, devemos celebrar a Páscoa também numa “vocação” ecológica e seguirmos os passos dos japoneses, que, transformando, reciclando, cuidam do planeta e dos seus idosos. Pelo menos, é isso que esta reportagem brasileira nos revela. 

Parece que os suecos fizeram também o mesmo…

E nós por cá por que esperamos?

Tenham uma Páscoa feliz!

IA