11.º 3 – Texto de apreciação crítica sobre “A Fuga do Paralítico”

A atividade é a mesma e está descrita nos artigos anteriores.

Eis aqui a ficha técnica (criada pelos alunos) a partir da qual a turma 3 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:A Fuga do Paralítico
Realizador: Vasco Ferreira
Elenco: 
Aninha Queen - Ana
Brunão Silva - Gonçalo
Tomás Moreira - Tomé
Género: Comédia

Abaixo seguem alguns dos textos produzidos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

A “dessurpreendente” Fuga do Paralítico

Por Mariana Almeida

O mais recente filme A fuga do Paralítico, estreado este fim de semana, já está a dar que falar em tudo quanto é canto dos media, pela tão fracassada comédia que é.

A película tem como realizador o tão famoso e inigualável Vasco Ferreira, bastante conhecido no mundo do cinema, mas nem isso a salvou.

A ação  decorre num hospital, donde Tomé, um jovem paraplégico, protagonizado pelo “Homem da comédia” Tomás Moreira, tenta fugir a todo o custo, com a ajuda da sua amiga e enfermeira, Ana (Aninha Queen), e do seu grande amigo, Gonçalo (Brunão Silva), que vimos a saber, mais tarde, ser agente secreto.

Infelizmente, é de destacar o desempenho de Tomás Moreira, que pela primeira vez na sua carreira não alcançou as expectativas do público, e não brilhou como costuma. Mas o mesmo não se pode dizer de Aninha Queen e Brunão Silva que tiveram uma hilariante estreia na grande tela, pelo que já se prevê um longo caminho para estes dois jovens e promissores atores.

Outros aspetos que deixam muito a desejar nesta comédia são os cenários e a banda sonora. Vasco Ferreira poderia ter sido mais cuidadoso na escolha e no tratamento dos espaços de modo a tornar o filme mais realista. Quanto à banda sonora, não se enquadra no género: sendo uma comédia, esperávamos algo mais ligeiro, cativante e animado.

Em suma, para os amantes da comédia, que esperam um filme onde gargalhadas não faltem, e também para aqueles que apreciam a harmonia do todo numa obra cinematográfica, é de sugerir que, quanto a este, economizem dinheiro, pipocas e tempo precioso, pois Vasco Ferreira, contra o que é costume, “dessurpreendeu-nos”.  

A Incrível fuga do paralítico

por Ana Beatriz Silva

O filme A fuga do paralítico, realizado pelo experiente e criativo Vasco Ferreira, trata da emocionante mas hilariante história dum homem portador de uma deficiência motora que, com ajuda, escapa do hospital onde vive há anos.

Embora tenha sido criado apenas com o propósito de ser uma divertida comédia, podemos também retirar daqui aspetos importantes na sensibilização do público. Tomé (o inigualável Tomás Moreira) é um paraplégico que quer por um dia fugir de toda a rotina que o acompanha há anos e pede ajuda à enfermeira Ana (a talentosa Aninha Queen) e ao seu melhor amigo, Gonçalo (Brunão Silva, no seu melhor).

Todo o enredo vive do cómico pois há sempre um percalço a dificultar a fuga mas, no fundo, A fuga do paralítico é uma criação que deveria estar presente em campanhas de sensibilização à diferença, porque nos ajuda a perceber a frustração que estas pessoas sentem por viverem condicionadas e dependentes. Claro que também nos faz rir – e não pouco – e alguns podem até não interpretar da melhor forma a intenção do realizador, mas cabe-nos a nós divulgar a importante mensagem do filme.

Sem dúvida, é uma comédia incrível que nos faz perceber que devemos ajudar a proporcionar a melhor forma de vida a todas as pessoas portadoras de deficiências motoras.

A Fuga [sensibilizante] do Paralítico

Por Joana Coutinho

A mais recente comédia de Vasco Ferreira, estreou esta semana nas salas de cinema portuguesas, A Fuga do Paralítico contém a dose certa de comicidade e sensibilização dos espectadores.

Tomé, interpretado magnificamente por Tomás Moreira, é um jovem que sofre de paralisia nos membros inferiores e encontra-se internado no hospital, onde conhece Gonçalo, outro paciente, interpretado pelo jovem talento Brunão Silva, e Ana, uma enfermeira que se apaixona por ele e que chega aos ecrãs, na pele da belíssima Aninha Queen.

No início desta hilariante e romântica comédia, Tomé, cheio de sonhos, pede ajuda a Gonçalo e a Ana para fugir do monótono hospital em busca da sua felicidade. Assim, nasce esta aventura repleta de paixão, sorrisos e sonhos… E não convém esquecer os contributos de Ana e Gonçalo para a recuperação da identidade e da autoestima de Tomé.

Com A Fuga do Paralítico, Vasco Ferreira revela-nos uma realidade bastante comum mas de uma forma inédita, sensibilizando os espectadores para a vida das pessoas portadoras de deficiência.

Será que escapou?

Por Beatriz Paiva Cunha

Com grande facilidade em criar comédias de “partir a moca a rir” e liderando a nova onda no género, Vasco Ferreira lançou ontem a sua última criação, A fuga do paralítico. É um filme feito à medida, para que qualquer um possa desfrutar de umas boas gargalhadas.

Atores duros e consagrados no drama, como Tomás Moreira, Brunão Silva e Aninha Queen, foram desafiados a quebrar as suas fronteiras e a mostrar ao público o seu lado mais extrovertido. De facto,  interpretaram vivamente e de modo hilariante o papel que lhes foi atribuído, deixando o público “de boca aberta”.

A fuga do paralítico conta-nos a história de Tomé (Tomás Moreira) um jovem rapaz que havia sido internado no hospital local, onde permanece por algum tempo. Com a ajuda de Gonçalo (Brunão Silva), o seu melhor amigo, e a bela enfermeira Ana (Aninha Queen), decide fugir do hospital. Acreditem, ou não, Tomé tinha estado a planear esta fuga há meses, como se fosse muito difícil fugir do hospital… Esperem… mas era! E, se estão curiosos para saber como é que um paralítico conseguiu fugir do hospital, deveriam ir ao cinema agora mesmo.

    E quem não aprecie a comédia, não se preocupe, pois o objetivo deste filme não é só fazer-nos rir, mas também mostrar-nos que pessoas portadoras de doenças crónicas ou deficiências, como o Tomé, também podem ter uma vida normal e ser mais felizes, mas só se ninguém “lhes atirar constantemente à cara” aquilo que elas têm de tão especial.

Enfim, toda a gente deve ver este filme, pois Vasco Ferreira e seu elenco esforçaram-se, e muito, para que esta comédia fosse tão espetacular. E agora fica a dúvida. Será que escapou?

A Fuga do Paralítico, uma comédia que deve ser levada a sério

por Tomás Moreira

O filme A Fuga do Paralítico é uma longa-metragem onde é retratada a vida de Tomé, um jovem com deficiências motoras, que com a ajuda do seu amigo Gonçalo (interpretado pelo jovem ator Brunão Silva) e de Ana, uma enfermeira (interpretada pela conceituada atriz Aninha Queen) foge do hospital onde vive, conhecendo o “mundo real”.

Esta comédia realizada por Vasco Ferreira, um dos realizadores mais consagrados do nosso país, pretende demonstrar-nos, de uma forma animada e não depressiva, a vida de um pessoa com deficiência motora, que necessita de uma cadeira de rodas e de terceiros para se mover. Tomé, cansado de viver trancado num hospital, pois não tem ninguém que possa cuidar dele em casa, resolve escapar do hospital com dois amigos e vive uma das suas maiores aventuras.

É uma comédia de nos prender ao ecrã e que, ao mesmo tempo que retrata situações menos agradáveis do dia-a-dia do protagonista, nos dá uma lição de vida, fazendo-nos rir.

 Ao contrário de Tomé, A fuga do paralítico tem pernas para andar!

Por Lara Neves

A fuga do paralítico é uma fantástica comédia realizada pelo mais novo realizador da Hollywood Studios, Vasco Ferreira. Conta com a brilhante participação de Aninha Queen, Tomás Moreira (em estreia) e Brunão Silva que dão vida às suas personagens.                                              

Lançado em agosto de 2019, está em primeiro no ranking dos filmes mais vistos do ano. No entanto, tem sido alvo de inúmeros elogios mas também de algumas críticas.

Esta comédia é realizada maioritariamente num ambiente de um hospital, do qual a personagem interpretada por Tomás Moreira, Tomé, o paralítico, tenta escapar com a enfermeira Ana (Aninha Queen). Quando estes conseguem finalmente sair pelas portas traseiras do Hospital Southern Califórnia, está lá à sua espera Gonçalo (Brunão Silva), com uma grande ambulância roubada anteriormente no local. O filme conta com duas longas horas de pura aventura!

Vasco Ferreira, numa entrevista, ressaltou que a sua primeira comédia não se destinava apenas a divertir as pessoas que a vissem, mas também serviria para sensibilizar o público em relação a problemas de multideficiência, neste caso a paraplegia. Por causa do seu conteúdo, A fuga do paralítico deu que falar. Em muitos sites e blogues de opinião, temos todo o tipo de comentários, tais como, por exemplo, este: “O realizador apenas usou um problema real e o transformou em comédia para fazer chacota deste tipo de situação…”. Por isso mesmo, Vasco Ferreira ter vindo a público para se “defender”.

“Atualmente, a sociedade está habituada a tentar fugir ao máximo de todo o tipo de assuntos delicados envolvendo doenças, mas a verdade é que estão a evitar o inevitável. Com este filme, é possível libertar um pouco a nossa alma e dar mais atenção a esse “problema”, pois, mesmo em forma de comédia, no fundo  não deixa de transmitir uma lição de moral. Somos todos iguais, uns com mais restrições que outros, mas todos têm a capacidade de fazer as pessoas rir”, ressaltou o jovem realizador. Acontece que o ator  Tomás Moreira é, na realidade, paraplégico e, ao interpretar Tomé, diz, nessa mesma entrevista, ter-se sentido livre dos problemas e das críticas frequentemente experienciadas. Ressaltou também que, pela primeira vez, se sentiu verdaeiramente adorado e nunca se sentiu tão feliz nem nunca se divertiu tanto quanto nesses três meses de gravação.

Esta comédia é um marco na nossa sociedade e o começo de uma nova etapa na vida de Tomás Moreira e de todos nós.

A Fuga do Paralítico

Por Diogo Oliveira

O filme, A Fuga do Paralítico, recentemente estreado nos nossos cinemas, pretende contar-nos a história de um paralítico que fugiu de um hospital.

É uma película de Vasco Ferreira, realizada em homenagem a um dos seus grandes amigos, João Pinto, sendo ele também paraplégico. Acerca da história: havia um rapaz, Tomé, interpretado magnificamente por Tomás Moreira, que sofre um grave acidente de carro que o leva ao hospital, sendo também acompanhado pelo seu grande amigo, Gonçalo (Brunão Silva). A comédia começa com o momento em que a enfermeira Ana, representada hilariantemente por Aninha Queen, entra no quarto de Tomé, trazendo más notícias. Diz-lhe que terá de ficar internado por alguns meses. Mas Ana fica também apreensiva por causa da má notícia, dizendo ao jovem Tomé que poderia ajudá-lo em algo que ele precisasse. É então que Tomé diz a Ana que esta poderia ajudá-lo a fugir do hospital pois queria desfrutar da vida como qualquer outra pessoa e que não era por estar paralítico que isso iria ser um obstáculo. Acaba por conseguir fugir escapando ao internamento.

Alguns dos muitos aspetos positivos que A fuga do paralítico tem, são a qualidade da representação dos atores, que é esplêndida, a mensagem pertinente que o filme nos transmite e o facto de este ser extremamente cómico devido aos vários momentos engraçados, que vão sendo criados no desenrolar do enredo.

Não é uma história que retrata apenas as dificuldades da vida dos paraplégicos, mas, muito pelo contrário, apesar de ser uma comédia, tem também como objetivo sensibilizar o público para a multideficiência, assim como aqueles que sofrem com essa situação. Todas as pessoas com paralisia deveriam aplicar nas suas vidas a mensagem que este filme transmite e que não é por mais obstáculos que lhes apareçam que não podem usufruir da vida como qualquer outra pessoa.

O desastre do paralítico

Por Luísa Oliveira

Muitos falam sobre A fuga do paralítico, uma produção do prodigioso Vasco Ferreira, que, mesmo muito novo, já é considerado pelos críticos um dos melhores realizadores da atualidade. No entanto, depois de visualizar esta deplorável comédia não concordamos com a opinião dos especialistas.

Apesar da participação do inconfundível Brunão Silva, no papel de Gonçalo, da extraordinária Aninha Queen, neste filme uma Ana pouco convincente, Vasco ferreira escolheu para desempenhar o papel do protagonista um ator extremamente desagradável, Tomás Moreira.

Este filme não consegue captar o nosso interesse pelo facto de tratar um problema tão sério com uma ignorância sem limites. O filme retrata a história de Tomé, um homem simples e viciado em álcool.

A obra começa com um simples encontro entre amigos num bar, até que chega uma misteriosa mulher, de nome Rebeca, que convida o nosso protagonista para se encontrar com ela num hotel já velho e duvidoso.

Tomé não pensa duas vezes e, já meio embriagado, sai a correr do bar, mas é atropelado e levado de imediato para o hospital. Quando acorda, descobre que se encontra no mesmo hospital onde a sua magnífica mulher Ana trabalha como enfermeira, mas que, de momento, se encontra numa missão em África, sem meios para comunicar com ele. E, no dia seguinte, Tomé descobre que está paralítico. E podemos apontar, nesta cena, a nossa primeira crítica: a forma como os médicos o dizem ao nosso Tomé é fria e pesada, mas não nos convence a nós espectadores.

Rebeca, vem a saber da situação e, sentindo-se culpada, resolve desfazer-se desta sua identidade e voltar a ser apenas o empresário bem sucedido Gonçalo Pereira. Sim, um dos temas desta falhada comédia tem a ver com questões de género. Gonçalo, então, decide revelar toda a verdade a Tomé, deixando-o confuso, pois este começa a duvidar da sua orientação sexual. É então que Tomé, aparentemente envergonhado e confuso com toda aquela situação, fica com medo de encarar tanto a mulher, que entretanto lhe telefona e diz que regressará no dia seguinte, quanto Gonçalo, e decide fugir. Para isso, conta com ajuda de um dos seus amigos, Joaquim, interpretado por Diogo Oliveira, um ator ainda em formação.

A partir daqui, todos nós concordamos, começa a parte pior do filme. Parece que o nosso realizador não quis saber das dificuldades com que as pessoas portadoras de deficiência vivem no seu dia a dia e a desastrada fuga do hospital é prova disso. Mas, sinceramente o pior ainda não tinha chegado. As situações vividas pelo protagonista em vez de serem cómicas, tornam-se ridículas e desumanas. Já para não falar dos preconceitos em relação aos homossexuais e transexuais que estão presentes ao longo do enredo. Só mesmo vendo o filme!

As nossas expectativas antes de ver esta “comédia” eram elevadas e não estando nada satisfeitos nem com a realização nem com o desempenho dos atores envolvidos, só conseguimos declarar que gastamos mal o dinheiro no bilhete e nas pipocas e o nosso precioso tempo! 

11.º 2 – Texto de apreciação crítica sobre “À Procura dos Cachalotes”

A atividade é a mesma e está descrita no artigo anterior.

Eis aqui a ficha técnica (criada pelos alunos) a partir da qual a turma 2 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:À Procura dos Cachalotes
Realizador: João Eunice
Elenco: 
Madalena Cardoso - Ana
John Ótu - Gonçalo
César Gonçalves - Tomé
Género: Drama

Abaixo seguem alguns dos textos produzidos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

O sucesso dos Cachalotes

Por Sofia Ramos

   Realizado por João Eunice, À procura dos Cachalotes é o filme mais esperado este ano, estando já nomeado para receber um Óscar.

   Estamos no dia 4 de março de 2001, mais precisamente no dia da tragédia de Entre-os-Rios. Ana, interpretada por Madalena Cardoso, e Tomé, César Gonçalves, mais conhecidos pelo seu invulgar apelido, os Cachalotes, encontravam-se no autocarro que atravessava a ponte Hintze-Ribeiro, quando esta ruiu, levando com ela a vida de vários portugueses.

   Gonçalo, representado por John Ótu, é primo de Ana e vê a tragédia acontecer mesmo à sua frente. Apesar dos perigos, atira-se ao rio em busca da sua família.

   São poucas as críticas negativas a esta longa-metragem que segue de perto a ruína de uma ponte do Douro e que, apesar de se focar numa só família, representa extraordinariamente bem todos os sentimentos controversos que esta tragédia nos trouxe.

   Para além da arrebatadora representação dos atores, toda a equipa de produção deste drama foi bastante competente, cumprindo o guião até ao mais ínfimo pormenor.

   Com a sua habilidosa técnica, João Eunice transporta-nos para o início do século XXI e dá-nos a conhecer um pouco da nossa história, um caso que abalou profundamente Portugal e que irá abalar os ecrãs dos nossos cinemas brevemente.

À procura dos Cachalotes retrata a aflição humana vivida por Gonçalo quando este tenta salvar os entes queridos duma situação incerta. Por esta realidade ser tão bem conseguida, pode-se afirmar que será o próximo blockbuster nas salas cinematográficas portuguesas.

À procura dos cachalotes: um drama pouco usual, mas cativante

por Liliana Mourão

Tem casais perturbados, doentes mentais, estudantes emocionalmente perdidos e tudo o que possamos imaginar.

Este filme de João Eunice começa com uma premissa desencadeadora de novas situações: um anúncio publicitário que apresenta o carácter celestial da vida marinha com a presença de cachalotes a nadarem levemente nas águas profundas. Este anúncio promete mudar vidas com uma mensagem final: “A vida simplesmente passa e não abraçamos a natureza e a aquilo que realmente amamos. Levante-se e viva!”. Movidos com a intensidade da publicidade, Ana, Tomé e Gonçalo abrem os olhos, decidem mudar as suas vidas e embarcar nos seus seus sonhos.

Ana (Madalena Cardoso) termina o seu relacionamento online, que dura há três anos. Tomé (César Gonçalves), rapaz revoltado, com 22 anos, desiste do curso de fotografia e decide declamar poesia nas ruas movimentadas da cidade do Porto. Gonçalo (John Ótu), professor solitário  cumpre o seu desejo de adolescente e torna-se stripper nas suas noites livres.

Esta longa metragem apresenta, em várias perspectivas, as vidas destes personagens e a sociedade em que vivem. Numa produção cinematográfica como esta, apenas podíamos contar com atuações de grande qualidade. Realça-se, principalmente, a brilhante interpretação de César Gonçalves, graças à sua figura bastante natural e hilariante (o que alivia os momentos de tensão que vão surgindo ao longo do enredo).

A fita possui ângulos tão simples e tão bem definidos que fazem com que a história seja mais realista e, por vezes, um pouco mais leve. A banda sonora é praticamente inexistente, o que apoia a natureza objetiva da obra. É um drama que nos faz sentir diversas emoções, no mesmo período de tempo.

Concluindo, recomenda-se vivamente o visionamento deste filme tão peculiar e apaixonante!

 À procura dos Cachalotes e a nossa humanidade

por Joana Ribeiro

 

        O drama À procura dos Cachalotes, de João Eunice já se encontra em todos os cinemas do país.

        Resultante de uma grande metáfora, o título deste filme tem escondido o verdadeiro conteúdo desta obra cinematográfica. Tal como os cachalotes são animais de grande porte, também os sentimentos existentes no mundo, sejam bons ou nefastos, o são. De tal grandiosidade se trata a história deste filme. Mas, para além da metáfora referida, existe ainda outra. Esta consiste no seguinte: tal como os cachalotes estão em vias de extinção, também os afetos benéficos se encontram nessa situação. Ao longo desta longa-metragem, podemos observar vários casos, de várias perspetivas, que tratam desta carência de sentimentos positivos que existe no nosso dia-a-dia e, nos quais, vemos a procura de soluções para este problema.

      Pela grande importância deste tema na atualidade e pela participação de três nomes gigantes do cinema português, Madalena Cardoso (no papel de Ana), César Gonçalo (Tomás) e John Otú (na pele do protagonista Gonçalo), este filme é uma ótima escolha e uma obra a que todos devemos assistir para refletir um pouco sobre a nossa humanidade.

À procura dos Cachalotes

Por Diana Silva

 

Acabou de estrear o melhor drama, da autoria do jovem realizador João Eunice, que nos conta a envolvente tragédia de uns jovens marinheiros em alto mar.

Uma das cenas mais marcantes da película dá-se quando o capitão Tomé (César Gonçalves) procura, em alto mar, as famosas Cachalotes, enquanto a única rapariga da tripulação, Ana, interpretada por Madalena Cardoso, e Gonçalo (John Ótu), com quem vive uma relação secreta,  estavam  no porão da embarcação. De repente, o barco fica cercado pelos assustadores animais, que vão contra o mesmo. Ana e Gonçalo apercebem-se da situação e ajudam o capitão. Mas, com o barco a abanar, a jovem  cai ao mar. O namorado secreto salta e consegue salvá-la. Contudo, quando estava a subir a escadas, uma das baleias puxou-o e… E mais não se conta.

É um filme adequado aos adolescentes, mas também a todos os adultos, uma vez que nos permite perceber melhor a nossa relação com os animais e o que o amor nos pode fazer (mesmo que não seja o mais correto).

Aconselha-se todos a irem ver À Procura dos Cachalotes e a apaixonarem-se por esta trágica história de amor.

11.º 17 – Texto de apreciação crítica sobre “O Cesto”

A atividade era simples. Seria? Pelo menos assim o pensava eu. O texto de apreciação crítica não é fácil, pois é um género que implica uma boa competência escrita a vários níveis, dois dos quais passam pelo bom domínio não só do discurso valorativo, como também da linguagem específica inerente ao objeto em apreciação.

Então, a ideia foi levar este caso sério da didática do Português para a brincadeira. Sermos criativos. Escrever um artigo de apreciação crítica sobre um filme inventado pelos alunos. Para “uniformizar” um pouco a atividade, registou-se no quadro uma ficha técnica muito simples, que teria de ser respeitada e desenvolvida em cada texto. Mas muito havia ainda para inventar, por isso, cada um teria um filme diferente como objeto em apreço. Não podiam revelar muito sobre o enredo; só o suficiente para argumentar na defesa do seu ponto de vista.

Acresce ainda uma outra condicionante: os alunos com número par fariam uma crítica positiva e os que tivessem ímpar, uma negativa.

É certo que previamente a esta atividade escrita, os alunos já tinham analisado em aula vários textos de apreciação crítica, que, de certo modo, também lhes serviram como modelo.

Eis a ficha técnica (também inventada pelos alunos) a partir da qual a turma 17 do 11.º ano “brincou aos críticos cinematográficos”.

FICHA TÉCNICA

Título:O Cesto
Realizador: Daniel Ferreira
Argumento: Joe Salvação
Elenco: 
Gertrudes Costa - Ana
Mário Dias - Gonçalo
Arlindo Rúben - Tomé
Género: Policial noir

Abaixo seguem alguns desses textos, aqueles que os alunos quiseram disponibilizar aqui.

Boas leituras!

IA

A Trama Densa d’O Cesto

Por Xavier Santos

Não fala de cestos. Não aparece sequer um cesto em cena. Mas a trama, a história, entrelaça-se como se tivesse saído das mãos de um artesão. O policial noir O Cesto apresenta-nos uma visão alternativa sobre o género.

A quinta obra do afamado realizador Daniel Ferreira, com um brilhante argumento de Joe Salvação, vem abençoar-nos com uma merecida renovação dos filmes deste estilo, marcada por analepses e prolepses.

Como nos policiais clássicos, o tema central é um crime, neste caso, a morte de Ana (Gertrudes Costa), cujos pormenores não encaixam, pelo menos para Gonçalo, o inspetor, soberbamente representado por Mário Dias. Logo após o assassinato de Ana, a linha cronológica avança, e há mais um crime (o qual, para não me revelar spoiler, vou omitir), e desta vez, recuamos no tempo, até meio ano antes do óbito de Ana. Ficamos aqui a conhecer Tomé (Arlindo Rúben) e a forma como ele, Ana e Gonçalo estão ligados, até culminar na cena final da película, que nos deixa mais perguntas que respostas.

É um filme sobre mortes, e sem moral, mas também não precisa de uma. Se a trama for forte, o cesto é bom!

Uma explosão de desilusões

 Por Rui Barbosa

 

O Cesto é o novo filme – diga-se lamentável – do polémico realizador Daniel Ferreira. Este apresenta-nos uma história que se passa inteiramente, como sugere o próprio título, num cesto. Estamos perante o nonsense com que Daniel Ferreira já nos viciou. Mas, desta vez, resultou mal.

Habituado a mentir para conseguir o que deseja, o protagonista Tomé (Arlindo Rúben) utiliza sempre o mesmo cesto para comer uma beterraba, legume no qual está ultimamente interessado, de tal modo que já que não come quase nada em casa. Certo dia, ao dirigir-se para o cesto, ele ouve um barulho estranho vindo dele. Logo se apercebe que uma barata lá dentro se encontra a comer a apetitosa beterraba do dia. Sabendo disto, Tomé enerva-se e procede à aniquilação do animal. A partir daí, Tomé é acusado de “animalcídio” pela polícia e pelo PAN. É então que Gonçalo e Ana, interpretados respetivamente por Mário Dias e Gertrudes Costa, intervêm, pois são ambos os investigadores designados pela PJ para este caso.

 Estamos perante uma autêntica tragédia: a morte da barata e todo o sofrimento a que esta se sujeitou. E, como é óbvio, nem tudo é um mar de beterrabas para estes detetives, nem para nós espetadores: Gonçalo e Ana vão perdendo o interesse em resolver o caso, focando-se mais em comer cachorros, o que nos dá a entender que os dois têm pavor de baratas. Ou será que, para eles, a beterraba é o vegetal proibido?

De modo geral, este policial noir é uma grande desilusão, pois, parecia ser sobre cestos, o que me levou a pensar que seria uma narrativa mais cativante. Mas não é! É um filme de difícil compreensão, em que a linguagem de Joe Salvador se torna, por vezes confusa.

E confusos saímos nós do cinema, pensando que teria sido bem melhor termos ficado em casa a comer uma salada de beterraba.

O Cesto, a morte de um género

por Diogo Martins

“O Cesto” é uma tentativa de reviver os clássicos policiais americanos da década de 1940. Um projeto com um orçamento elevado e com grande ambição, vítima de expectativas excessivamente altas.

A longa-metragem relata os crimes hediondos e cruéis de Tomé, um jovem médico legista, que usa o seu conhecimento anatómico para levar a cabo experiências macabras em seres humanos. Arlindo Rúben interpreta este protagonista sem entusiasmo, porém, não seria justo culpar apenas o ator pela vergonhosa falta de caráter do psicopata, quando este tem tão pouco desenvolvimento significativo durante todo o filme. Por outro lado, Ana e Gonçalo (Gertrudes Costa e Mário Dias) detetives experientes da PJ investigam os contínuos casos de homicídio durante meses e não têm qualquer desenvolvimento interpessoal. A atuação é, em todos os momentos, monótona e vazia. As personagens parecem tão inumanas e carentes de emoção que é difícil acreditar que os atores estão sequer vivos.

Talvez um dos poucos pontos positivos deste primeiro trabalho de Daniel Ferreira como realizador seja a utilização de uma atmosfera opressiva, habitual nos policiais noirs, para gerar ansiedade numa obra, cuja narrativa é de tal modo inacreditavelmente previsível – fruto do argumento pobre em detalhe e realismo de Joe Salvação – que todo o esforço para criar esse ambiente foi em vão.

Em suma, um filme com tanta falta de personalidade, tão dependente das obras em que se inspirou, com tanta dificuldade em estabelecer uma relação entre as personagens e o mundo que criou, e tão carente de vida que não é digno do tempo de ninguém: fã, ou não, do género.

O Sadismo Trágico de “O Cesto”

Por Martim Almeida

  “O Cesto”, é um policial noir que conta a história de duas amigas que assassinam em série. O realizador, Daniel Ferreira, escolheu provavelmente este título, pois os corpos dos assassinados aparecem em cestos. Mas nunca teremos a certeza disso, pois este foi o seu último filme, realizado pouco antes morrer num trágico acidente rodoviário. Este artigo é apenas uma breve homenagem por parte de quem muito o aprecia.

A história: duas amigas, Vanessa e Vânia, interpretadas, respetivamente, por Joana Pombinho e Ana Paula Nogatt, sempre estudaram juntas e sempre tiveram um fetiche psicopata: assassinar pessoas e desmembrá-las. Tomé (Arlindo Rúben), o inspetor da judiciária, com a parceria dos seus colegas Ana (Gertrudes Costa) e Gonçalo (Mário Dias) tentam descobrir quem é ou quem são os responsáveis por essas mortes, vindo a ser uma das vítimas Gonçalo, o parceiro de Tomé. Também ele foi desmembrado e colocado num cesto, como todos os outros assassinados.

O filme é apropriado para os amantes deste género, todavia não exclui de todo que qualquer um o possa ver e apreciar. Mesmo que O Cesto se concentre na investigação de mortes macabras, há também algumas situações cómicas, alternadas com suspense e até mesmo com momentos românticos.

Concluindo, um bom filme para assistir, com o brilhante desempenho de Arlindo Rúben, Gertrudes Costa e Mário Dias e com um excecional argumento de Joe Salvação.

      

O Cesto

Por David Campos

No dia de lançamento do filme O Cesto, fui ao cinema ver se este policial noir era ou não um bom filme. Durou 1 hora e 42 minutos e valeu a pena ter saído de casa.

As personagens estão bem concebidas e representadas. A melhor é, sem dúvida, Gonçalo, interpretado na perfeição por Mário Dias. Em alguns momentos do enredo sérios e mais tristes, Gonçalo tenta fazer alguma piada, para aligeirar o clima, mas corre-lhe sempre mal. Também o realizador, Daniel Ferreira, se saiu muito bem com este último trabalho.

A história, saída da imaginação de Joe Salvação, passa-se numa aldeia, em que os habitantes são escravizados até à morte, até ao momento em que aparece Gonçalo, o herói. Para saberem mais e apreciarem o desempenho brilhante de Gertrudes Costa (Ana, a grande paixão de Gonçalo) e Arlindo Dias (Tomé, irmão de Ana), têm que ver este policial, de preferência no cinema, pois a fotografia é excelente!

Para concluir, recomendo O Cesto para quem gosta do género, mas também sugiro que se tenha em conta a idade: para visualizar esse filme deve ter-se, no mínimo, 16 anos.

A mais real perspectiva d’ O Cesto 

Por Paulo Fernandes

O filme de viragem de milénio O Cesto é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores representações audiovisuais do estilo de vida levado a cabo pelos mais bem sucedidos investidores na bolsa de valores de Nova York.

Com o argumento de Joe Salvação e a realização de Daniel Ferreira, tem o poder de nos fazer imergir no ecossistema da bolsa de valores, que ao longo da trama é sempre designado por “cesto”. Assim como num cesto, na bolsa de valores existem ovos mais fortes, que ao colidirem com os mais frágeis, os fazem quebrar. Tomé, o nosso estimado protagonista, muito bem representado por Arlindo Rúben, é o ovo mais recente no cesto. Todavia, mostra-se capaz de fazer frente aos ovos mais duros, Ana (Gertrudes Costa) e Gonçalo (Mário Dias), os dois juntos constituem o maior império dentro deste cabaz feito de jogos de poder, mas Tomé cresce com rapidez e astúcia, passando a representar uma grande ameaça para essa liderança. 

Toda a ação é desenvolvida à volta das estratégias obscuras que Ana e Gonçalo utilizam para fazer parar o crescimento de Tomé.

A maneira detalhada com a qual Daniel Ferreira fez acontecer este policial noir é extraordinária e faz-nos refletir sobre os problemas causados pela ganância e pela obsessão pelo dinheiro. 

É, de facto, um Cesto a não perder!

Um olhar sobre “O ano da morte de Ricardo Reis”

Caros alunos e leitores, nas minhas andanças virtuais, tropecei nesta apreciação crítica da autoria de Almerinda Bento, que aqui vos deixo.

Boas Leituras!

IA

“O Ano da Morte de Ricardo Reis”, José Saramago, 1984

 Texto de Almerinda Bento.

 

Uma das minhas leituras de férias é mais um dos livros de José Saramago já há algum tempo à espera de chegar a sua vez. Como sempre, fascinante, denso, com incursões inesperadas a propósito de tudo e de nada, desde expressões da nossa linguagem do dia-a-dia, até deambulações sobre a vida, a morte, o ser, o existir, o sonho… sobretudo nos encontros de Ricardo Reis com Fernando Pessoa. Surpreendente, para ser lido com calma, saboreando os caminhos que Saramago nos convida a seguir ao longo das páginas deste romance.

Em finais de dezembro de 1935, Ricardo Reis chega de barco a Lisboa, vindo do Brasil onde esteve dezasseis anos a viver. É o reencontro com a sua cidade, ficando alojado no Hotel Bragança na Rua do Alecrim, não sabendo ainda por quanto tempo lá vai ficar. Sem planos definidos, Ricardo Reis é uma personagem solitária que vai observando e apreendendo a realidade da cidade, do país e do mundo, sem se envolver diretamente, antes colocando-se de fora.

No entanto, o cemitério dos Prazeres onde está sepultado Fernando Pessoa falecido em 30 de Novembro de 1935, é o primeiro local que Ricardo Reis visita mal chega a Lisboa. No primeiro dia do ano de 1936, quando a euforia do novo ano é vivida lá fora e Ricardo Reis já se recolheu ao seu quarto no hotel Bragança, Fernando Pessoa (ou o seu fantasma) visita-o pela primeira vez e avisa-o de que só poderão ter mais oito meses para se encontrarem e explica que tal como quando estamos no ventre das nossas mães não somos ainda vistos, mas todos os dias elas pensam em nós, após a morte cada dia vamos sendo esquecidos um pouco “salvo casos excepcionais nove meses é quando basta para o total olvido”.

O “Senhor Doutor Reis” como é tratado pelos empregados e hóspedes do hotel é um homem solitário, embora goste de almoçar em pequenos restaurantes pedindo ao empregado que não levante o prato à sua frente e deixe cheios o seu copo e o do seu companheiro imaginário. Gosta de observar e imaginar histórias sobre alguns hóspedes que jantam e frequentam o hotel e cria uma familiaridade por vezes forçada com o gerente – Salvador – com Pimenta que lhe carrega as malas e com Lídia a empregada que lhe limpa o quarto e lhe leva o pequeno almoço. Por outro lado, sendo alguém que se instala durante algum tempo no hotel sem ocupação nem ligações familiares ou sociais conhecidas, é observado não só pelo gerente e pelo empregado do hotel, mas também pela polícia política que quer saber as motivações daquele estranho doutor Ricardo Reis que regressou a Portugal vindo do Brasil. As notícias que lê todos os dias nos jornais para se pôr a par do que se passa no mundo e em Portugal pintam um retrato idílico de um país em que o salazarismo começa a fazer o seu caminho. O país da ideologia da família unida e feliz, em paz, em confronto com as convulsões que se vivem na vizinha Espanha e no Brasil. O país da sopa dos pobres e das obras de caridade em todas as paróquias e freguesias. O país onde se morre de doença e de falta de trabalho. O país dos milagres de Fátima e da devoção ao chefe, arregimentando os seus seguidores na Mocidade Portuguesa, na Legião e em outros instrumentos de propaganda como a Obra das Mães pela Educação Nacional. O país dos filhos de pais incógnitos. O país da discricionariedade e da devassa da vida privada, dos interrogatórios e da intimidação sem quaisquer motivos, o início da triste história da PVDE/PIDE. No fim do interrogatório à saída da António Maria Cardoso, Ricardo Reis sentiu um fedor a cebola que exalava Victor, o informador. Mas também noutros momentos esse fedor rondava por perto.

Lisboa, a cidade de Pessoa, a cidade onde Ricardo Reis veio para morrer, é uma cidade cinzenta e triste em que a chuva cai impiedosa. O Carnaval também é molhado e sem graça. No Verão, o calor é sufocante. A condizer com o ambiente de suspeição e desconfiança do Estado Novo, a cidade é mesquinha, coscuvilheira, intromete-se na vida dos outros. Seja primeiro no hotel Bragança, ou mais tarde quando Ricardo Reis aluga um andar na Rua de Santa Catarina, as vizinhas espreitam, conjeturam, mexericam, imiscuem-se. Até para os dois velhos que se sentam junto à estátua do Adamastor, aquele novo morador de Santa Catarina não deixa de ser um motivo de interesse para matar as horas de ócio e de conversa. Felizmente para Ricardo Reis, daquele segundo andar há uma vista deslumbrante para o Tejo.

Em Espanha, depois da vitória das esquerdas nas eleições é para Lisboa que fogem e se refugiam os detentores de riquezas, aguardando a reviravolta que não tardará com o golpe fascista liderado por Franco. Na Alemanha e na Itália, os ditadores lançam os seus instrumentos de propaganda e preparam os seus seguidores para um dos períodos mais negros da história da humanidade. No Brasil o comunista Luís Carlos Prestes é preso. As notícias dos jornais portugueses dão conta de que no estrangeiro Portugal é visto como o país que finalmente vive um período de paz e prosperidade.

E agora, as duas personagens femininas que se relacionam com Ricardo Reis. Lídia – a musa das Odes de Ricardo Reis – e Marcenda são duas personagens centrais nesta obra e neste período da vida de Ricardo Reis. Como é apanágio de Saramago, as suas heroínas são sempre mulheres fortes e decididas. Lídia, empregada no hotel onde Ricardo Reis vai viver os primeiros tempos após a sua chegada a Lisboa, é senhora de si, apaixona-se pelo doutor Ricardo Reis mesmo sabendo das diferenças sociais que a impedem de poder ter uma vida social sem ambiguidades com aquele com quem se relaciona sexualmente. Marcenda, a jovem hóspede do hotel que todos os meses vem com o pai para uma consulta médica, encontra em Ricardo Reis uma pessoa mais velha que a trata como uma adulta e não como uma criança a quem se escondem verdades dolorosas.

Muito mais haveria a dizer sobre este denso romance de José Saramago, repleto de referências poéticas a Camões, à “Mensagem” de Fernando Pessoa e aos seus muitos heterónimos, entre outros. Não sendo especialista na obra do poeta, limito-me aqui a fazer este breve apontamento sobre esta obra de Saramago que penso ser um manancial para os/as amantes da literatura e, sobretudo, para os/as estudiosos/as da poesia de Pessoa e dos seus diversos heterónimos.

Pintura e Camões (3)

O Nascimento de Vénus é uma obra do pintor italiano Sandro Botticelli, que procura captar o momento em que a deusa do amor e da beleza nasceu.

“Colocada no centro da composição, a Deusa ergue-se sobre uma concha que se aproxima da costa, empurrada pelo doce movimento das ondas e acompanhada por dois personagens, tradicionalmente associados aos deuses do vento que tentam imprimir a Vénus a sua essência divina.” (in https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura))

Esta pintura renascentista realça a beleza da mulher, neste caso de uma deusa. Esta característica pode relacionar-se com a lírica camoniana, na medida em que Camões, por influência petrarquista, destaca a beleza feminina, divinizando-a, descrevendo-a como inumana e até  “celeste”. É um ser divino, de pele e cabelos claros e todos os elementos físicos na sua descrição são reveladores das qualidades da sua alma.

Mais aspetos sobre esta obra de arte de Botticelli podem ser descobertos neste site brasileiro: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/

Destaco, no entanto, os seguintes parágrafos, que foram adaptados à ortografia do português europeu:

Acredita-se que a nudez da deusa não representa a paixão carnal, mas sim a paixão espiritual. Na obra, Vénus é apresentada de forma esguia e com traços harmoniosos. Além disso, Botticelli utiliza cores claras e puras, exaltando a pureza da alma e a beleza clássica.

Em sua totalidade, a obra apresenta serenidade e luminosidade, o que pode ser compreendido de duas formas. De certa maneira, aponta para a temática mitológica, levando-se em consideração a influência das esculturas gregas na composição da Vénus. Por outro lado, a obra apresenta símbolos cristãos como a concha e a água (batismo de Jesus Cristo), além dos anjos, que seriam Zéfiro e Clóris.” 

Bibliografia: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/ e
https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura)

Inês Cardoso, n.º 7

Retrato de Simonetta Vespucci

“Simonetta Vespucci” é um quadro de Sandro Botticelli, pintor renascentista, que nasceu em Florença, em 1445.

Desenvolveu um estilo caracterizado pela elegância do seu traçado e pela força expressiva das suas linhas. Pertence a um grupo de pintores que exploraram um estilo baseado na delicadeza, graça e num certo sentimentalismo.” (in http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/)

 (…)

O retrato desta mulher é influenciado pela conceção de ideal da beleza feminina de Petrarca e, por isso, a “amada” surge pintada como um ser angélico, com cabelos “de ouro”, ondulados, com pele branca e delicada, com olhos claros e cintilantes, que refletem um temperamento sereno e uma alegria discreta. A sua presença é, por isso, serena e gratificante para quem a vê.

Esta representação da mulher está relacionada com a conceção platónica do amor ideal (espiritual) e inacessível. (…)

A poesia de Petrarca inspirou cores suaves, que Botticelli explorou na sua pintura, assim como Camões na sua poesia. As cores utilizadas na descrição da amada podem ser comparadas a elementos da natureza: cabelos/ouro; olhos/sol; faces/rosas; lábios/coral. Esta mulher perfeita e inatingível enquadra-se na harmonia da natureza. Neste quadro de Botticelli, a natureza está presente nas pérolas e nas plumas dos seus cabelos e nas cores que já referi.

Inês Pinto, n.º 8

Bibliografia: http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/ 
e https://rainhastragicas.com/2016/09/27/a-venus-da-renascenca/

Pintura e Camões… (2)

Continuando a “pintar” e a sentir Camões…

O TRIUNFO DA MORTE

Pieter Bruegel, o velho, é um pintor flamengo, que ficou célebre pelos seus pequenos quadros retratando paisagens e cenas do campo. Nasceu entre 1525 e 1530 e morreu a 19 de setembro de 1569, em Bruxelas. “O Triunfo da Morte” (1562) é um dos seus quadros mais conhecidos e pode inserir-se no período do Renascimento, apesar de se notarem influências do pintor Hieronymus Bosch.

Na minha opinião, o quadro é excelente pois conseguimos logo reparar no principal objetivo da obra: alertar-nos para a ideia de que à morte ninguém (mesmo os mais poderosos) consegue escapar. Como há muitos pormenores nesta pintura, vou falar só de alguns

Na parte superior do quadro, há muito fumo e a natureza está toda queimada. Tudo está deserto e, à medida que vamos descendo no quadro, conseguimos reparar que há mortos, muitos que matam, um exército de esqueletos que tenta invadir a povoação, seres estranhos que destroem tudo e todos, mesmo havendo pessoas que tentam proteger-se. Até o próprio rei, em baixo à esquerda, não consegue escapar à morte.

Há cruzes nos escudos e à frente da carroça que transporta os inocentes que estão vestidos de branco (serão homens de fé?), aqueles que procuram a paz. Há também uma rede que apanha mais vivos, como se fossem peixes, e uma carroça cheia de caveiras, mesmo acima do rei caído por terra. Os únicos a quem a morte parece não meter medo estão no canto inferior direito: uma mulher que lê e um homem que toca. Mas há um esqueleto atrás que os observa, como se os fosse apanhar. 

As cores predominantes no quadro são o castanho e o cinza das poeiras e dos fumos e o vermelho do fogo, que pode simbolizar o sangue derramado pelos guerreiros.. No centro, há uma construção que parece ser de ferro preto donde saem chamas. Pode ser símbolo do inferno. No lado direito, os vivos são empurrados para uma espécie de carruagem, cuja porta tem uma cruz. 

Nesta obra, a natureza está também morta, o que significa que toda a vida ali existente está a acabar. O quadro lembra o Apocalipse, ou seja, o fim do mundo e o dia do juízo final. Posso relacionar esta pintura com alguns poemas de Camões que tratam quer do desconcerto do mundo, em que o poeta tenta também alertar-nos para as injustiças do mundo, quer do tema da mudança, que no ser humano acaba sempre com a morte.

bibliografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pieter_Bruegel,_o_Velho

Jorge Martins, n.º 11

VÉNUS E MARTE

Nesta obra (têmpera e óleo sobre madeira), Sandro Botticelli  (1 de março 1445 – 17 de maio 1510) apresenta-nos Vénus, a deusa do amor, e Marte, o deus da guerra. 

Se reparamos na figura feminina, Botticell pinta-a serena, vestida de roupas leves e sensuais que realçam as suas formas. A pele branca, os tons dourados do cabelo e da própria roupa lembram a maneira petrarquista de descrever a mulher, como fazia Luís de Camões em muitos dos seus poemas. Assim, Vénus está pintada de uma forma angélica, como se fosse um ser divino e é representada com elementos físicos reveladores dessas qualidades (os remates dourados do vestido e a luz que lhe ilumina parte do cabelo).

Já Marte, seminu, parece estar adormecido num sono profundo e aparenta estar a ser acordado por um dos faunos com um búzio, como se o chamasse para a guerra.

Para além destas duas figuras, há quatro faunos que parecem associar-se mais ao deus da guerra do que a Vénus, pois um segura a lança e tem um elmo na cabeça, outro ajuda a suster o peso da arma, o terceiro tenta acordar Marte com um búzio e o quarto, o mais interessante de todos, parece escondido por baixo de Marte e põe a sua mão numa planta, que, segundo o site indicado abaixo, produz efeitos alucinogénicos e afrodisíacos. O único fauno que olha para Vénus é o que ocupa o centro da pintura e parece sorrir para a deusa com certa cumplicidade.

Como gosto muito de arte e principalmente do Renascimento, adoro esta obra, que me transmite uma certa paz, pois as cores são simples, não são muito exageradas, ou seja, são sóbrias e suaves. O branco está presente nas roupas de Vénus e, como ela é a deusa de amor, na minha opinião, simboliza a paz; o verde está presente na natureza em dois tons: mais escuro no bosque, mais claro nos campos ao fundo que se unem ao azul do céu.

Esta foi a minha escolha quando a professora propôs este trabalho, pois já a conhecia. Pesquisei e li várias opiniões sobre o significado da pintura, mas, para mim,  Botticelli quis dizer que o amor vence sempre a guerra. Neste caso, Vénus terá chamado o amante que abandonou o campo de batalha para se encontrar com ela. No fim do encontro amoroso, ela observa-o serenamente enquanto ele dorme completamente rendido e desprotegido, daí eu dizer que o amor venceu. É também uma alegoria  da beleza e do amor,  representados por Vénus, e da ineficácia guerra, representada por Marte. Uma outra opinião muito difundida é que Botticelli tenha retratado o adultério frequente na época em que viveu, pois Vénus era casada com Vulcano e encontrava-se secretamente com Marte.

bibliografia: https://www.publico.pt/2010/05/28/culturaipsilon/noticia/quotvenus-e-martequot-de-botticelli-com-referencias-alucinogeneas-257816

Gonçalo, n.º 6

Pintura e Camões… (1)

Eis alguns quadros e parte dos textos produzidos por seis alunos, aquando da apreciação crítica de pinturas por eles escolhidas e possíveis de serem relacionadas com a lírica camoniana.

O BALOIÇO

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“O Baloiço” é uma pintura (óleo sobre tela) do francês Jean-Honoré Fragonard, de 1767, que retrata a cumplicidade entre dois amantes e que se enquadra no estilo Rococó.

Fragonard nasceu a 5 de abril de 1732, em Grasse, no sul de França. Aos dezoito anos iniciou os seus estudos de pintura, em Paris. Desenvolveu um estilo pessoal que se caracterizava pela frivolidade dos temas (cenas da vida contemporânea e do quotidiano da corte, representando damas  e os seus amantes em poses elegantes e graciosas) e pelas composições requintadas. (…) Morreu em Paris, a 22 de agosto de 1806.

O estilo Rococó surgiu em França, no século XVIII, espalhando-se posteriormente pelo resto da Europa. Foi criado por uma elite aristocrática e inteletual, amante do exotismo, da fantasia, da alegria e do natural. (…) Este estilo é então caraterizado por um espírito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista, que defende a criatividade individual, a excentricidade, a improvisação constante e os prazeres da vida.

A figura central do quadro é, claramente, a mulher jovem e nobre, sentada no baloiço que, num movimento gracioso e sensual, levanta a perna e deixa que o seu sapato salte em direção ao seu amante, o aristocrata. Em épocas mais antigas, a perda do sapato simbolizava a perda da virgindade. Isto demonstra então o erotismo presente no quadro. O marido traído (quando o quadro foi encomendado a Fragonard, seria um bispo, mas o pintor não concordou), que se encontra escondido na sombra, faz a dama baloiçar, não se apercebendo exatamente do que está a presenciar. (…) No quadro está também presente a estátua de Cupido (Eros) que parece ser cúmplice dos amantes, levando o dedo aos seus lábios para reforçar o secretismo do encontro. Também é possível observar um cão nesta pintura. A sua presença é um pouco irónica, porque, normalmente, os cães simbolizam a fidelidade. Acho que ele está presente para tentar chamar a atenção e denunciar a relação ilícita, apesar de o marido não se aperceber disso.

O momento representado decorre no meio da natureza. Todo o cenário confere à cena um erotismo ainda maior, transmitindo a ideia de uma relação amorosa proibida, escondida pela vegetação, num jardim em que as estátuas parecem perceber o que se está a passar e observam o momento.

As cores predominantes são o verde, o azul e o rosa, que é usado para chamar a atenção para a figura feminina, a personagem central do quadro.

Na minha opinião, é possível relacionar esta pintura com algumas das temáticas camonianas: a representação física da mulher à maneira petrarquista (loira e de pele clara) e a representação de uma natureza densa, fértil, que ajuda a manter o secretismo do encontro “amoroso”. À primeira vista, a tela pareceu-me simples e inocente, mas, após ter feito a pesquisa e análise da mesma, apercebi-me do que realmente o pintor queria transmitir: o secretismo e a ilicitude de uma relação amorosa no século XVIII.

bibliografia: http://hca-d.blogspot.pt/2010/12/pintura-barroca.html

Leonor Susano, n.º 13

A PRIMAVERA

“A Primavera”, quadro também conhecido como “Alegoria da Primavera”, é da autoria do pintor renascentista Sandro Botticelli (1445-1510). A obra, que utiliza a técnica de têmpera sobre madeira, centra-se numa temática mitológica clássica que nos apresenta a chegada da primavera. Como é óbvio, insere-se no período clássico renascentista.

Circulando pela Galeria Uffizi, em Florença, ficamos extasiados ao contemplar esta pintura. Nela sobressaem as principais características desta época estética: o enaltecimento da figura humana, principalmente a feminina, o pormenor das expressões faciais, a noção de profundidade, a presença da natureza, o jogo cromático, ou seja, a existência de áreas iluminadas e outras sombrias. 

Ao contemplarmos esta pintura, identificamos figuras alegóricas da antiguidade clássica: as três Graças, que representam a beleza, a castidade, dançando numa roda cheia de encanto; o deus Mercúrio (o mensageiro dos deuses) que é o guardião do bosque, Flora esposa de Zéfiro e deusa das flores, o próprio Zéfiro. (…)

Através das expressões faciais e do movimento ou posição das personagens, podemos concluir que existe uma harmoniosa união entre o ser humano e a natureza. (…)

A principal “personagem” desta obra é Vénus, a tão conhecida deusa do amor, que se encontra ao centro. Sobre ela podemos ver Eros (Cupido) que lança as suas flechas de amor, de olhos vendados (porque o amor é cego!)

Podemos verificar, então, que existe uma aproximação entre este quadro e algumas temáticas da lírica camoniana, principalmente na descrição da figura feminina e da natureza e na oposição sombra/luz, que lembra a oposição entre o estado de espírito do sujeito poético e a caracterização da Natureza personificada.

Através de alguns sonetos de Camões, podemos comprovar estes aspetos. “Ondados fios d’ ouro reluzente” é bom exemplo disso, pois nele há uma descrição da figura feminina (à maneira petrarquista) que é clássica, recorrendo a elementos naturais (alguns preciosos) e à existência de luminosidade. Tudo isto está presente no primeiro verso do soneto – “Ondados fios d’ ouro reluzente! – no terceiro verso – “agora sobre as rosas estendidos” – no sexto – “em mil divinos raios encendidos” – e em todo o primeiro terceto – “Honesto riso, que entre a mor fineza / de perlas e corais nasce e perece, / se n’alma em doces ecos não o ouvisse.”.

Para concluir, esta pintura de Sandro Botticelli é uma representação perfeita do período estético a que pertence e poderia ser usada como ilustração de alguns sonetos de Luís de Camões.”

bibliografia:  http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2013/06/a-primavera-de-sandro-botticelli.html

Leonor Moreira, n.º 14

 

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (3)

E os textos continuam…

“Na passada sexta-feira (24 de fevereiro), as turmas de 10.º ano da ESG foram assistir à representação da peça Luís- o poeta e o homem, no Ballet Teatro, na Arca de Água, em plena cidade invicta. Os atores da companhia ETCetera Kátia Gomes, Pedro Dias e Nuno Martins interpretaram os seus papéis de forma original e criativa, o que, na nossa opinião, motivou bastante os alunos.

Para além dos atores terem feito referência a Os Lusíadas, de Luís de Camões, referiram também a lírica trovadoresca, que o antecede, de modo a introduzir a lírica camoniana, motivando assim os alunos. (…)

Na nossa opinião, foi um excelente momento de teatro e de aprendizagem, repleto de bom humor, o que facilitará o estudo de Camões.”

Tiago Neves

(Digo Neves, n.º 29, e Tiago Santos, n.º 28 )

 ” O professor Luís pretendia arranjar forma de dar as suas aulas sobre Camões de maneira diferente, com o objetivo de que os seus alunos entendessem melhor este autor. A dona Alice e o menino Daniel estavam dispostos a ajudá-lo nessa tarefa. Então, foram todos às origens da literatura portuguesa, começando pela lírica trovadoresca. Para cativarem o público, os três interpretaram cantigas famosas deste período literário: “Dona Fea, foste-vos queixar”, “Roi Queimado morreu com amor” e “se eu pudesse desamar”.

Estes poemas foram acompanhados com a explicação dos costumes da época. (…) É também de destacar, já na lírica camoniana, o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, cantado na versão de José Mário Branco.”

Tiago Samuel

(Samuel Paiva, n.º 25, e Tiago Costa, n.º 26)

“O público delirou com a forma como algumas das cantigas representativas da lírica trovadoresca – “Dona Fea, foste-vos queixar”, “Roi Queimado morreu com amor” e “Se eu pudesse desamar” – foram interpretadas e representadas, destacando-se o bom humor das três personagens: dona Alice, “menino” Daniel e o professor Luís. (…)

Após esta breve “compilação” de várias cantigas, eis que chega a parte principal da peça: a apresentação expressiva e envolvente do poeta Luís Vaz de Camões! Para além da sua lírica, é também abordada a sua obra mais conhecida, Os Lusíadas, com a declamação emotiva de dona Alice de excertos da Dedicatória, parte em que Camões dedica a obra ao rei D. Sebastião.”

As Marias

(Maria Inês, n.º 17, e Maria João, n.º 18)

“Durante a representação, o menino Daniel foi provocando a dona Alice, através de algumas cantigas representativas da lírica trovadoresca, tais como “Dona Fea, foste-vos queixar”, pois o amigo do professor Luís, apesar de ser uma excelente pessoa, estava sempre a “brincar” com ela. A dona Alice também não desperdiçou a oportunidade de lhe “responder à letra”, com a cantiga “Roi Queimado morreu com amor”.

Porém, não foram provocações banais, uma vez que foram um bom momento de revisão da matéria dada nas aulas de Português.”

Sousa e Santos

(Bruno Santos, n.º 3, e João Sousa, n.º 9) 

“Os poemas do grande Camões “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Descalça vai para a fonte” foram cantados e dramatizados pelas três personagens em palco para cativar os alunos da ESG para o estudo da lírica camoniana. A atriz Kátia Guedes interpretou uma parte de Os Lusíadas – a Dedicatória a D. Sebastião – de uma forma cómica e num modo altivo, como se fosse um rei.

Esta peça despertou nos alunos da ESG interesse para as aulas de Português sobre o poeta, o que poderá fazer, talvez, com que muitos deles possam obter melhores resultados no próximo teste de avaliação. E tudo graças a esta companhia de teatro!”

Inês Cardoso e Pinto

(Inês Cardoso, n.º 7, e Inês Pinto, n.º 8)

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (2)

E os textos continuam…

“Com o fim de nos dar a conhecer melhor  vida do grande poeta português Luís de Camões, Kátia Guedes Pedro Dias e Nuno Martins interpretaram os papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente.

Tudo começa com a inquietação do professor Luís, que procura novas técnicas para ensinar aos seus alunos a poesia de Camões, de modo apelativo e que os mantenha interessados nessa matéria. Quando chega Daniel, o seu amigo historiador, este dispõe-se a ajudar, até que aparece também dona Alice, a empregada doméstica do professor. Com estas duas preciosas ajudas, o professor decide dar-lhes/nos uma aula de português dramatizada. (…)

Assim, sugerimos uma ida ao teatro para assistir a esta magnífica peça, que, acreditem ou não, nos vai persuadir a ler mais poemas deste fantástico autor.” 

Sezília Negro

(Matilde Areia, n.º 19, e Renata Teixeira, n.º22 )

“No dia 24 de fevereiro de 2017, na sala Ballet Teatro (no Porto), o grupo ETCetera levou a cena a peça Luís- o poeta e o homem, deixando o público ao rubro, com apenas três personagens. Estas são a dona Alice, o professor Luís e o menino Daniel, representadas, respetivamente, por Kátia Guedes, Nuno Martins e Pedro Dias. 

Nesta peça, foram-nos apresentados dois momentos literários diferentes – a lírica trovadoresca e a produção poética de Camões.” 

Pedro Jesus

(Ana Leonardo, n.º 1, e António Silva, n.º 2)

“A atriz Kátia Guedes interpretou a brilhante e muito empenhada dona Alice (a empregada doméstica do professor Luís), que cantou e nos presenteou com um humor único”

O professor Luís, interpretado por Nuno Martins, revelou-se um homem com ideias fixas quanto à forma de apresentar as suas aulas sobre Camões (tanto o homem como o poeta).

Pedro Dias, que desempenhou o papel de “menino” Daniel, um especialista em História muito simpático e sempre pronto a ajudar, emprestava ironia a cada réplica.”

Mafalda Cardoso

(Mafalda Castro, n.º 16, e Rafaela Cardoso, n.º 21)

“No último dia 24 de fevereiro, o grupo ETCetera deslocou-se ao ballet Teatro para nos apresentar a peça Luís – o poeta e homem. (…)

Pudemos rever a lírica trovadoresca, com o “menino” Daniel a dedicar à dona Alice a cantiga “Dona Fea foste-vos queixar” e, por sua vez, esta retribuiu-lhe a graça com “Roi Queimado morreu com amor”. Foi um momento divertido e foi uma forma mais simples de captar a atenção de um público jovem.”

Gonçalo Jorge

(Gonçalo Silva, n.º 6 e Jorge Martins, n.º 11)

 

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (1)

Luís – o poeta e o homem

Depois do teatro, a apreciação crítica. 

A pares, os alunos tornaram-se num jornalista atento e crítico e fizeram texto a propósito do espetáculo a que assistiram. Eis fragmentos desses textos.

“Na passada sexta-feira, dia 24 de fevereiro, fomos convidados a assistir à representação da peça Luís – o poeta e o homem, pela companhia ETCetera, no anfiteatro Ballet Teatro, no Porto.

A companhia apresentou-nos Kátia Guedes, Pedro Miguel Dias e Nuno Martins nos papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente. A ação desenrola-se no escritório do professor Luís (na sua casa), onde ele prepara as suas aulas. Mas surge-lhe um dilema: como captar a atenção dos alunos e fazer com que estes entendam a vida e a obra de Camões? É neste momento que surgem duas ajudas preciosas: o “menino” Daniel, historiador, e a dona Alice, a singela empregada doméstica do professor, que sugerem que se misture música ao assunto a lecionar. Com esta estratégia, os três viajam ao longo da história da literatura portuguesa, desde os seus primórdios, com algumas típicas cantigas da lírica trovadoresca – “Se eu pudesse desamar” (cantiga de amor), Dona fea, foste-vos queixar” e “Roi Queimado morreu com amor” (cantigas de escárnio e maldizer) – até Camões, passando pela sua lírica, com “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Descalça vai para a fonte”, e acabando na Épica, com a colossal obra Os Lusíadas. (…)” 

Maurício Eduardo

(Carlos Eduardo, n.º 4, e Maurício, n.º 20)

“Dona Alice, o professor Luís e o “menino” Daniel mostraram aos seus espectadores, de forma detalhada e divertida, diferentes formas de abordar a lírica trovadoresca e camoniana. Através de canções, declamações e breves dramatizações, entusiasmaram o público, de modo a que este embarcasse numa viagem inesquecível, que, pela curiosidade que desperta, coloca lado a lado o nosso mundo e o de Camões. 

Tudo começa com o professor Luís, que tenta preparar as suas aulas  sobre Luís de Camões. Com a chegada de Daniel, o seu amigo historiador que se propõe a ajudá-lo, a preparação das aulas parece mais fácil. Até que surge dona Alice, a empregada do professor, que se intromete e opina sobre a conversa dos dois amigos. Luís decide então juntar Daniel e dona Alice  para encenar uma aula e tentar perceber como será a reação dos seus alunos.”

Leonor Manuel

(Leonor Susano, n.º 13, e Francisco Martins, n.º 5)

“A opinião do público, constituído por alunos do décimo ano da ESG, em relação ao desempenho dos atores  foi bastante positiva, considerando estes que a personagem que mais se distinguiu, e por isso mais apreciada por todos, foi a singular e única dona Alice, muito bem interpretada por Kátia Guedes. A sua bem-humorada representação foi conseguida com a cooperação de Nuno Martins (o professor Luís) e Pedro Miguel Dias (o “menino” Daniel).

A peça foi representada de forma simples e divertida, porém bastante didática, pois os alunos puderam rever a lírica trovadoresca e motivar-se para o estudo de Camões.”

Leonor Catarina

(Leonor Moreira, n.º 14, e Lídia Catarina, n.º 15)

“Todos os artistas tiveram uma excelente prestação e bastante envolvente. O ator Nuno Martins encarnou a personagem professor Luís, que leciona a disciplina de português e que não sabia como havia de falar aos seus alunos de Camões, de uma forma interessante e que os fizesse perceber bem essa matéria. Por isso, pede ajuda ao seu amigo Daniel. É Pedro Miguel Dias quem interpreta, e bem, esta personagem. É um historiador, que tenta ajudar o professor Luís, tratando sobretudo de aspetos biográficos do poeta. A atriz Kátia Guedes  representou a personagem dona Alice, uma senhora já de uma certa idade, que tem uma enorme imaginação e que, apesar de não perceber muito de Camões, tenta ajudar o educador com ideias inovadoras e muito engraçadas, criando, com os dois,  uma aula encenada muito dinâmica.”

Rita Rui

(Rita Oliveira, n.º 23, e Rui Martins, N.º 24)