Um olhar sobre “O ano da morte de Ricardo Reis”

Caros alunos e leitores, nas minhas andanças virtuais, tropecei nesta apreciação crítica da autoria de Almerinda Bento, que aqui vos deixo.

Boas Leituras!

IA

“O Ano da Morte de Ricardo Reis”, José Saramago, 1984

 Texto de Almerinda Bento.

 

Uma das minhas leituras de férias é mais um dos livros de José Saramago já há algum tempo à espera de chegar a sua vez. Como sempre, fascinante, denso, com incursões inesperadas a propósito de tudo e de nada, desde expressões da nossa linguagem do dia-a-dia, até deambulações sobre a vida, a morte, o ser, o existir, o sonho… sobretudo nos encontros de Ricardo Reis com Fernando Pessoa. Surpreendente, para ser lido com calma, saboreando os caminhos que Saramago nos convida a seguir ao longo das páginas deste romance.

Em finais de dezembro de 1935, Ricardo Reis chega de barco a Lisboa, vindo do Brasil onde esteve dezasseis anos a viver. É o reencontro com a sua cidade, ficando alojado no Hotel Bragança na Rua do Alecrim, não sabendo ainda por quanto tempo lá vai ficar. Sem planos definidos, Ricardo Reis é uma personagem solitária que vai observando e apreendendo a realidade da cidade, do país e do mundo, sem se envolver diretamente, antes colocando-se de fora.

No entanto, o cemitério dos Prazeres onde está sepultado Fernando Pessoa falecido em 30 de Novembro de 1935, é o primeiro local que Ricardo Reis visita mal chega a Lisboa. No primeiro dia do ano de 1936, quando a euforia do novo ano é vivida lá fora e Ricardo Reis já se recolheu ao seu quarto no hotel Bragança, Fernando Pessoa (ou o seu fantasma) visita-o pela primeira vez e avisa-o de que só poderão ter mais oito meses para se encontrarem e explica que tal como quando estamos no ventre das nossas mães não somos ainda vistos, mas todos os dias elas pensam em nós, após a morte cada dia vamos sendo esquecidos um pouco “salvo casos excepcionais nove meses é quando basta para o total olvido”.

O “Senhor Doutor Reis” como é tratado pelos empregados e hóspedes do hotel é um homem solitário, embora goste de almoçar em pequenos restaurantes pedindo ao empregado que não levante o prato à sua frente e deixe cheios o seu copo e o do seu companheiro imaginário. Gosta de observar e imaginar histórias sobre alguns hóspedes que jantam e frequentam o hotel e cria uma familiaridade por vezes forçada com o gerente – Salvador – com Pimenta que lhe carrega as malas e com Lídia a empregada que lhe limpa o quarto e lhe leva o pequeno almoço. Por outro lado, sendo alguém que se instala durante algum tempo no hotel sem ocupação nem ligações familiares ou sociais conhecidas, é observado não só pelo gerente e pelo empregado do hotel, mas também pela polícia política que quer saber as motivações daquele estranho doutor Ricardo Reis que regressou a Portugal vindo do Brasil. As notícias que lê todos os dias nos jornais para se pôr a par do que se passa no mundo e em Portugal pintam um retrato idílico de um país em que o salazarismo começa a fazer o seu caminho. O país da ideologia da família unida e feliz, em paz, em confronto com as convulsões que se vivem na vizinha Espanha e no Brasil. O país da sopa dos pobres e das obras de caridade em todas as paróquias e freguesias. O país onde se morre de doença e de falta de trabalho. O país dos milagres de Fátima e da devoção ao chefe, arregimentando os seus seguidores na Mocidade Portuguesa, na Legião e em outros instrumentos de propaganda como a Obra das Mães pela Educação Nacional. O país dos filhos de pais incógnitos. O país da discricionariedade e da devassa da vida privada, dos interrogatórios e da intimidação sem quaisquer motivos, o início da triste história da PVDE/PIDE. No fim do interrogatório à saída da António Maria Cardoso, Ricardo Reis sentiu um fedor a cebola que exalava Victor, o informador. Mas também noutros momentos esse fedor rondava por perto.

Lisboa, a cidade de Pessoa, a cidade onde Ricardo Reis veio para morrer, é uma cidade cinzenta e triste em que a chuva cai impiedosa. O Carnaval também é molhado e sem graça. No Verão, o calor é sufocante. A condizer com o ambiente de suspeição e desconfiança do Estado Novo, a cidade é mesquinha, coscuvilheira, intromete-se na vida dos outros. Seja primeiro no hotel Bragança, ou mais tarde quando Ricardo Reis aluga um andar na Rua de Santa Catarina, as vizinhas espreitam, conjeturam, mexericam, imiscuem-se. Até para os dois velhos que se sentam junto à estátua do Adamastor, aquele novo morador de Santa Catarina não deixa de ser um motivo de interesse para matar as horas de ócio e de conversa. Felizmente para Ricardo Reis, daquele segundo andar há uma vista deslumbrante para o Tejo.

Em Espanha, depois da vitória das esquerdas nas eleições é para Lisboa que fogem e se refugiam os detentores de riquezas, aguardando a reviravolta que não tardará com o golpe fascista liderado por Franco. Na Alemanha e na Itália, os ditadores lançam os seus instrumentos de propaganda e preparam os seus seguidores para um dos períodos mais negros da história da humanidade. No Brasil o comunista Luís Carlos Prestes é preso. As notícias dos jornais portugueses dão conta de que no estrangeiro Portugal é visto como o país que finalmente vive um período de paz e prosperidade.

E agora, as duas personagens femininas que se relacionam com Ricardo Reis. Lídia – a musa das Odes de Ricardo Reis – e Marcenda são duas personagens centrais nesta obra e neste período da vida de Ricardo Reis. Como é apanágio de Saramago, as suas heroínas são sempre mulheres fortes e decididas. Lídia, empregada no hotel onde Ricardo Reis vai viver os primeiros tempos após a sua chegada a Lisboa, é senhora de si, apaixona-se pelo doutor Ricardo Reis mesmo sabendo das diferenças sociais que a impedem de poder ter uma vida social sem ambiguidades com aquele com quem se relaciona sexualmente. Marcenda, a jovem hóspede do hotel que todos os meses vem com o pai para uma consulta médica, encontra em Ricardo Reis uma pessoa mais velha que a trata como uma adulta e não como uma criança a quem se escondem verdades dolorosas.

Muito mais haveria a dizer sobre este denso romance de José Saramago, repleto de referências poéticas a Camões, à “Mensagem” de Fernando Pessoa e aos seus muitos heterónimos, entre outros. Não sendo especialista na obra do poeta, limito-me aqui a fazer este breve apontamento sobre esta obra de Saramago que penso ser um manancial para os/as amantes da literatura e, sobretudo, para os/as estudiosos/as da poesia de Pessoa e dos seus diversos heterónimos.

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Pintura e Camões (3)

O Nascimento de Vénus é uma obra do pintor italiano Sandro Botticelli, que procura captar o momento em que a deusa do amor e da beleza nasceu.

“Colocada no centro da composição, a Deusa ergue-se sobre uma concha que se aproxima da costa, empurrada pelo doce movimento das ondas e acompanhada por dois personagens, tradicionalmente associados aos deuses do vento que tentam imprimir a Vénus a sua essência divina.” (in https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura))

Esta pintura renascentista realça a beleza da mulher, neste caso de uma deusa. Esta característica pode relacionar-se com a lírica camoniana, na medida em que Camões, por influência petrarquista, destaca a beleza feminina, divinizando-a, descrevendo-a como inumana e até  “celeste”. É um ser divino, de pele e cabelos claros e todos os elementos físicos na sua descrição são reveladores das qualidades da sua alma.

Mais aspetos sobre esta obra de arte de Botticelli podem ser descobertos neste site brasileiro: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/

Destaco, no entanto, os seguintes parágrafos, que foram adaptados à ortografia do português europeu:

Acredita-se que a nudez da deusa não representa a paixão carnal, mas sim a paixão espiritual. Na obra, Vénus é apresentada de forma esguia e com traços harmoniosos. Além disso, Botticelli utiliza cores claras e puras, exaltando a pureza da alma e a beleza clássica.

Em sua totalidade, a obra apresenta serenidade e luminosidade, o que pode ser compreendido de duas formas. De certa maneira, aponta para a temática mitológica, levando-se em consideração a influência das esculturas gregas na composição da Vénus. Por outro lado, a obra apresenta símbolos cristãos como a concha e a água (batismo de Jesus Cristo), além dos anjos, que seriam Zéfiro e Clóris.” 

Bibliografia: http://www.infoescola.com/pintura/o-nascimento-de-venus/ e
https://www.infopedia.pt/$o-nascimento-de-venus-(pintura)

Inês Cardoso, n.º 7

Retrato de Simonetta Vespucci

“Simonetta Vespucci” é um quadro de Sandro Botticelli, pintor renascentista, que nasceu em Florença, em 1445.

Desenvolveu um estilo caracterizado pela elegância do seu traçado e pela força expressiva das suas linhas. Pertence a um grupo de pintores que exploraram um estilo baseado na delicadeza, graça e num certo sentimentalismo.” (in http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/)

 (…)

O retrato desta mulher é influenciado pela conceção de ideal da beleza feminina de Petrarca e, por isso, a “amada” surge pintada como um ser angélico, com cabelos “de ouro”, ondulados, com pele branca e delicada, com olhos claros e cintilantes, que refletem um temperamento sereno e uma alegria discreta. A sua presença é, por isso, serena e gratificante para quem a vê.

Esta representação da mulher está relacionada com a conceção platónica do amor ideal (espiritual) e inacessível. (…)

A poesia de Petrarca inspirou cores suaves, que Botticelli explorou na sua pintura, assim como Camões na sua poesia. As cores utilizadas na descrição da amada podem ser comparadas a elementos da natureza: cabelos/ouro; olhos/sol; faces/rosas; lábios/coral. Esta mulher perfeita e inatingível enquadra-se na harmonia da natureza. Neste quadro de Botticelli, a natureza está presente nas pérolas e nas plumas dos seus cabelos e nas cores que já referi.

Inês Pinto, n.º 8

Bibliografia: http://www.infoescola.com/biografias/sandro-botticelli/ 
e https://rainhastragicas.com/2016/09/27/a-venus-da-renascenca/

Pintura e Camões… (2)

Continuando a “pintar” e a sentir Camões…

O TRIUNFO DA MORTE

Pieter Bruegel, o velho, é um pintor flamengo, que ficou célebre pelos seus pequenos quadros retratando paisagens e cenas do campo. Nasceu entre 1525 e 1530 e morreu a 19 de setembro de 1569, em Bruxelas. “O Triunfo da Morte” (1562) é um dos seus quadros mais conhecidos e pode inserir-se no período do Renascimento, apesar de se notarem influências do pintor Hieronymus Bosch.

Na minha opinião, o quadro é excelente pois conseguimos logo reparar no principal objetivo da obra: alertar-nos para a ideia de que à morte ninguém (mesmo os mais poderosos) consegue escapar. Como há muitos pormenores nesta pintura, vou falar só de alguns

Na parte superior do quadro, há muito fumo e a natureza está toda queimada. Tudo está deserto e, à medida que vamos descendo no quadro, conseguimos reparar que há mortos, muitos que matam, um exército de esqueletos que tenta invadir a povoação, seres estranhos que destroem tudo e todos, mesmo havendo pessoas que tentam proteger-se. Até o próprio rei, em baixo à esquerda, não consegue escapar à morte.

Há cruzes nos escudos e à frente da carroça que transporta os inocentes que estão vestidos de branco (serão homens de fé?), aqueles que procuram a paz. Há também uma rede que apanha mais vivos, como se fossem peixes, e uma carroça cheia de caveiras, mesmo acima do rei caído por terra. Os únicos a quem a morte parece não meter medo estão no canto inferior direito: uma mulher que lê e um homem que toca. Mas há um esqueleto atrás que os observa, como se os fosse apanhar. 

As cores predominantes no quadro são o castanho e o cinza das poeiras e dos fumos e o vermelho do fogo, que pode simbolizar o sangue derramado pelos guerreiros.. No centro, há uma construção que parece ser de ferro preto donde saem chamas. Pode ser símbolo do inferno. No lado direito, os vivos são empurrados para uma espécie de carruagem, cuja porta tem uma cruz. 

Nesta obra, a natureza está também morta, o que significa que toda a vida ali existente está a acabar. O quadro lembra o Apocalipse, ou seja, o fim do mundo e o dia do juízo final. Posso relacionar esta pintura com alguns poemas de Camões que tratam quer do desconcerto do mundo, em que o poeta tenta também alertar-nos para as injustiças do mundo, quer do tema da mudança, que no ser humano acaba sempre com a morte.

bibliografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pieter_Bruegel,_o_Velho

Jorge Martins, n.º 11

VÉNUS E MARTE

Nesta obra (têmpera e óleo sobre madeira), Sandro Botticelli  (1 de março 1445 – 17 de maio 1510) apresenta-nos Vénus, a deusa do amor, e Marte, o deus da guerra. 

Se reparamos na figura feminina, Botticell pinta-a serena, vestida de roupas leves e sensuais que realçam as suas formas. A pele branca, os tons dourados do cabelo e da própria roupa lembram a maneira petrarquista de descrever a mulher, como fazia Luís de Camões em muitos dos seus poemas. Assim, Vénus está pintada de uma forma angélica, como se fosse um ser divino e é representada com elementos físicos reveladores dessas qualidades (os remates dourados do vestido e a luz que lhe ilumina parte do cabelo).

Já Marte, seminu, parece estar adormecido num sono profundo e aparenta estar a ser acordado por um dos faunos com um búzio, como se o chamasse para a guerra.

Para além destas duas figuras, há quatro faunos que parecem associar-se mais ao deus da guerra do que a Vénus, pois um segura a lança e tem um elmo na cabeça, outro ajuda a suster o peso da arma, o terceiro tenta acordar Marte com um búzio e o quarto, o mais interessante de todos, parece escondido por baixo de Marte e põe a sua mão numa planta, que, segundo o site indicado abaixo, produz efeitos alucinogénicos e afrodisíacos. O único fauno que olha para Vénus é o que ocupa o centro da pintura e parece sorrir para a deusa com certa cumplicidade.

Como gosto muito de arte e principalmente do Renascimento, adoro esta obra, que me transmite uma certa paz, pois as cores são simples, não são muito exageradas, ou seja, são sóbrias e suaves. O branco está presente nas roupas de Vénus e, como ela é a deusa de amor, na minha opinião, simboliza a paz; o verde está presente na natureza em dois tons: mais escuro no bosque, mais claro nos campos ao fundo que se unem ao azul do céu.

Esta foi a minha escolha quando a professora propôs este trabalho, pois já a conhecia. Pesquisei e li várias opiniões sobre o significado da pintura, mas, para mim,  Botticelli quis dizer que o amor vence sempre a guerra. Neste caso, Vénus terá chamado o amante que abandonou o campo de batalha para se encontrar com ela. No fim do encontro amoroso, ela observa-o serenamente enquanto ele dorme completamente rendido e desprotegido, daí eu dizer que o amor venceu. É também uma alegoria  da beleza e do amor,  representados por Vénus, e da ineficácia guerra, representada por Marte. Uma outra opinião muito difundida é que Botticelli tenha retratado o adultério frequente na época em que viveu, pois Vénus era casada com Vulcano e encontrava-se secretamente com Marte.

bibliografia: https://www.publico.pt/2010/05/28/culturaipsilon/noticia/quotvenus-e-martequot-de-botticelli-com-referencias-alucinogeneas-257816

Gonçalo, n.º 6

Pintura e Camões… (1)

Eis alguns quadros e parte dos textos produzidos por seis alunos, aquando da apreciação crítica de pinturas por eles escolhidas e possíveis de serem relacionadas com a lírica camoniana.

O BALOIÇO

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“O Baloiço” é uma pintura (óleo sobre tela) do francês Jean-Honoré Fragonard, de 1767, que retrata a cumplicidade entre dois amantes e que se enquadra no estilo Rococó.

Fragonard nasceu a 5 de abril de 1732, em Grasse, no sul de França. Aos dezoito anos iniciou os seus estudos de pintura, em Paris. Desenvolveu um estilo pessoal que se caracterizava pela frivolidade dos temas (cenas da vida contemporânea e do quotidiano da corte, representando damas  e os seus amantes em poses elegantes e graciosas) e pelas composições requintadas. (…) Morreu em Paris, a 22 de agosto de 1806.

O estilo Rococó surgiu em França, no século XVIII, espalhando-se posteriormente pelo resto da Europa. Foi criado por uma elite aristocrática e inteletual, amante do exotismo, da fantasia, da alegria e do natural. (…) Este estilo é então caraterizado por um espírito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista, que defende a criatividade individual, a excentricidade, a improvisação constante e os prazeres da vida.

A figura central do quadro é, claramente, a mulher jovem e nobre, sentada no baloiço que, num movimento gracioso e sensual, levanta a perna e deixa que o seu sapato salte em direção ao seu amante, o aristocrata. Em épocas mais antigas, a perda do sapato simbolizava a perda da virgindade. Isto demonstra então o erotismo presente no quadro. O marido traído (quando o quadro foi encomendado a Fragonard, seria um bispo, mas o pintor não concordou), que se encontra escondido na sombra, faz a dama baloiçar, não se apercebendo exatamente do que está a presenciar. (…) No quadro está também presente a estátua de Cupido (Eros) que parece ser cúmplice dos amantes, levando o dedo aos seus lábios para reforçar o secretismo do encontro. Também é possível observar um cão nesta pintura. A sua presença é um pouco irónica, porque, normalmente, os cães simbolizam a fidelidade. Acho que ele está presente para tentar chamar a atenção e denunciar a relação ilícita, apesar de o marido não se aperceber disso.

O momento representado decorre no meio da natureza. Todo o cenário confere à cena um erotismo ainda maior, transmitindo a ideia de uma relação amorosa proibida, escondida pela vegetação, num jardim em que as estátuas parecem perceber o que se está a passar e observam o momento.

As cores predominantes são o verde, o azul e o rosa, que é usado para chamar a atenção para a figura feminina, a personagem central do quadro.

Na minha opinião, é possível relacionar esta pintura com algumas das temáticas camonianas: a representação física da mulher à maneira petrarquista (loira e de pele clara) e a representação de uma natureza densa, fértil, que ajuda a manter o secretismo do encontro “amoroso”. À primeira vista, a tela pareceu-me simples e inocente, mas, após ter feito a pesquisa e análise da mesma, apercebi-me do que realmente o pintor queria transmitir: o secretismo e a ilicitude de uma relação amorosa no século XVIII.

bibliografia: http://hca-d.blogspot.pt/2010/12/pintura-barroca.html

Leonor Susano, n.º 13

A PRIMAVERA

“A Primavera”, quadro também conhecido como “Alegoria da Primavera”, é da autoria do pintor renascentista Sandro Botticelli (1445-1510). A obra, que utiliza a técnica de têmpera sobre madeira, centra-se numa temática mitológica clássica que nos apresenta a chegada da primavera. Como é óbvio, insere-se no período clássico renascentista.

Circulando pela Galeria Uffizi, em Florença, ficamos extasiados ao contemplar esta pintura. Nela sobressaem as principais características desta época estética: o enaltecimento da figura humana, principalmente a feminina, o pormenor das expressões faciais, a noção de profundidade, a presença da natureza, o jogo cromático, ou seja, a existência de áreas iluminadas e outras sombrias. 

Ao contemplarmos esta pintura, identificamos figuras alegóricas da antiguidade clássica: as três Graças, que representam a beleza, a castidade, dançando numa roda cheia de encanto; o deus Mercúrio (o mensageiro dos deuses) que é o guardião do bosque, Flora esposa de Zéfiro e deusa das flores, o próprio Zéfiro. (…)

Através das expressões faciais e do movimento ou posição das personagens, podemos concluir que existe uma harmoniosa união entre o ser humano e a natureza. (…)

A principal “personagem” desta obra é Vénus, a tão conhecida deusa do amor, que se encontra ao centro. Sobre ela podemos ver Eros (Cupido) que lança as suas flechas de amor, de olhos vendados (porque o amor é cego!)

Podemos verificar, então, que existe uma aproximação entre este quadro e algumas temáticas da lírica camoniana, principalmente na descrição da figura feminina e da natureza e na oposição sombra/luz, que lembra a oposição entre o estado de espírito do sujeito poético e a caracterização da Natureza personificada.

Através de alguns sonetos de Camões, podemos comprovar estes aspetos. “Ondados fios d’ ouro reluzente” é bom exemplo disso, pois nele há uma descrição da figura feminina (à maneira petrarquista) que é clássica, recorrendo a elementos naturais (alguns preciosos) e à existência de luminosidade. Tudo isto está presente no primeiro verso do soneto – “Ondados fios d’ ouro reluzente! – no terceiro verso – “agora sobre as rosas estendidos” – no sexto – “em mil divinos raios encendidos” – e em todo o primeiro terceto – “Honesto riso, que entre a mor fineza / de perlas e corais nasce e perece, / se n’alma em doces ecos não o ouvisse.”.

Para concluir, esta pintura de Sandro Botticelli é uma representação perfeita do período estético a que pertence e poderia ser usada como ilustração de alguns sonetos de Luís de Camões.”

bibliografia:  http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2013/06/a-primavera-de-sandro-botticelli.html

Leonor Moreira, n.º 14

 

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (3)

E os textos continuam…

“Na passada sexta-feira (24 de fevereiro), as turmas de 10.º ano da ESG foram assistir à representação da peça Luís- o poeta e o homem, no Ballet Teatro, na Arca de Água, em plena cidade invicta. Os atores da companhia ETCetera Kátia Gomes, Pedro Dias e Nuno Martins interpretaram os seus papéis de forma original e criativa, o que, na nossa opinião, motivou bastante os alunos.

Para além dos atores terem feito referência a Os Lusíadas, de Luís de Camões, referiram também a lírica trovadoresca, que o antecede, de modo a introduzir a lírica camoniana, motivando assim os alunos. (…)

Na nossa opinião, foi um excelente momento de teatro e de aprendizagem, repleto de bom humor, o que facilitará o estudo de Camões.”

Tiago Neves

(Digo Neves, n.º 29, e Tiago Santos, n.º 28 )

 ” O professor Luís pretendia arranjar forma de dar as suas aulas sobre Camões de maneira diferente, com o objetivo de que os seus alunos entendessem melhor este autor. A dona Alice e o menino Daniel estavam dispostos a ajudá-lo nessa tarefa. Então, foram todos às origens da literatura portuguesa, começando pela lírica trovadoresca. Para cativarem o público, os três interpretaram cantigas famosas deste período literário: “Dona Fea, foste-vos queixar”, “Roi Queimado morreu com amor” e “se eu pudesse desamar”.

Estes poemas foram acompanhados com a explicação dos costumes da época. (…) É também de destacar, já na lírica camoniana, o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, cantado na versão de José Mário Branco.”

Tiago Samuel

(Samuel Paiva, n.º 25, e Tiago Costa, n.º 26)

“O público delirou com a forma como algumas das cantigas representativas da lírica trovadoresca – “Dona Fea, foste-vos queixar”, “Roi Queimado morreu com amor” e “Se eu pudesse desamar” – foram interpretadas e representadas, destacando-se o bom humor das três personagens: dona Alice, “menino” Daniel e o professor Luís. (…)

Após esta breve “compilação” de várias cantigas, eis que chega a parte principal da peça: a apresentação expressiva e envolvente do poeta Luís Vaz de Camões! Para além da sua lírica, é também abordada a sua obra mais conhecida, Os Lusíadas, com a declamação emotiva de dona Alice de excertos da Dedicatória, parte em que Camões dedica a obra ao rei D. Sebastião.”

As Marias

(Maria Inês, n.º 17, e Maria João, n.º 18)

“Durante a representação, o menino Daniel foi provocando a dona Alice, através de algumas cantigas representativas da lírica trovadoresca, tais como “Dona Fea, foste-vos queixar”, pois o amigo do professor Luís, apesar de ser uma excelente pessoa, estava sempre a “brincar” com ela. A dona Alice também não desperdiçou a oportunidade de lhe “responder à letra”, com a cantiga “Roi Queimado morreu com amor”.

Porém, não foram provocações banais, uma vez que foram um bom momento de revisão da matéria dada nas aulas de Português.”

Sousa e Santos

(Bruno Santos, n.º 3, e João Sousa, n.º 9) 

“Os poemas do grande Camões “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Descalça vai para a fonte” foram cantados e dramatizados pelas três personagens em palco para cativar os alunos da ESG para o estudo da lírica camoniana. A atriz Kátia Guedes interpretou uma parte de Os Lusíadas – a Dedicatória a D. Sebastião – de uma forma cómica e num modo altivo, como se fosse um rei.

Esta peça despertou nos alunos da ESG interesse para as aulas de Português sobre o poeta, o que poderá fazer, talvez, com que muitos deles possam obter melhores resultados no próximo teste de avaliação. E tudo graças a esta companhia de teatro!”

Inês Cardoso e Pinto

(Inês Cardoso, n.º 7, e Inês Pinto, n.º 8)

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (2)

E os textos continuam…

“Com o fim de nos dar a conhecer melhor  vida do grande poeta português Luís de Camões, Kátia Guedes Pedro Dias e Nuno Martins interpretaram os papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente.

Tudo começa com a inquietação do professor Luís, que procura novas técnicas para ensinar aos seus alunos a poesia de Camões, de modo apelativo e que os mantenha interessados nessa matéria. Quando chega Daniel, o seu amigo historiador, este dispõe-se a ajudar, até que aparece também dona Alice, a empregada doméstica do professor. Com estas duas preciosas ajudas, o professor decide dar-lhes/nos uma aula de português dramatizada. (…)

Assim, sugerimos uma ida ao teatro para assistir a esta magnífica peça, que, acreditem ou não, nos vai persuadir a ler mais poemas deste fantástico autor.” 

Sezília Negro

(Matilde Areia, n.º 19, e Renata Teixeira, n.º22 )

“No dia 24 de fevereiro de 2017, na sala Ballet Teatro (no Porto), o grupo ETCetera levou a cena a peça Luís- o poeta e o homem, deixando o público ao rubro, com apenas três personagens. Estas são a dona Alice, o professor Luís e o menino Daniel, representadas, respetivamente, por Kátia Guedes, Nuno Martins e Pedro Dias. 

Nesta peça, foram-nos apresentados dois momentos literários diferentes – a lírica trovadoresca e a produção poética de Camões.” 

Pedro Jesus

(Ana Leonardo, n.º 1, e António Silva, n.º 2)

“A atriz Kátia Guedes interpretou a brilhante e muito empenhada dona Alice (a empregada doméstica do professor Luís), que cantou e nos presenteou com um humor único”

O professor Luís, interpretado por Nuno Martins, revelou-se um homem com ideias fixas quanto à forma de apresentar as suas aulas sobre Camões (tanto o homem como o poeta).

Pedro Dias, que desempenhou o papel de “menino” Daniel, um especialista em História muito simpático e sempre pronto a ajudar, emprestava ironia a cada réplica.”

Mafalda Cardoso

(Mafalda Castro, n.º 16, e Rafaela Cardoso, n.º 21)

“No último dia 24 de fevereiro, o grupo ETCetera deslocou-se ao ballet Teatro para nos apresentar a peça Luís – o poeta e homem. (…)

Pudemos rever a lírica trovadoresca, com o “menino” Daniel a dedicar à dona Alice a cantiga “Dona Fea foste-vos queixar” e, por sua vez, esta retribuiu-lhe a graça com “Roi Queimado morreu com amor”. Foi um momento divertido e foi uma forma mais simples de captar a atenção de um público jovem.”

Gonçalo Jorge

(Gonçalo Silva, n.º 6 e Jorge Martins, n.º 11)

 

Diário do Paraíso – fragmentos de uma visita de estudo (1)

Luís – o poeta e o homem

Depois do teatro, a apreciação crítica. 

A pares, os alunos tornaram-se num jornalista atento e crítico e fizeram texto a propósito do espetáculo a que assistiram. Eis fragmentos desses textos.

“Na passada sexta-feira, dia 24 de fevereiro, fomos convidados a assistir à representação da peça Luís – o poeta e o homem, pela companhia ETCetera, no anfiteatro Ballet Teatro, no Porto.

A companhia apresentou-nos Kátia Guedes, Pedro Miguel Dias e Nuno Martins nos papéis de dona Alice, menino Daniel e professor Luís, respetivamente. A ação desenrola-se no escritório do professor Luís (na sua casa), onde ele prepara as suas aulas. Mas surge-lhe um dilema: como captar a atenção dos alunos e fazer com que estes entendam a vida e a obra de Camões? É neste momento que surgem duas ajudas preciosas: o “menino” Daniel, historiador, e a dona Alice, a singela empregada doméstica do professor, que sugerem que se misture música ao assunto a lecionar. Com esta estratégia, os três viajam ao longo da história da literatura portuguesa, desde os seus primórdios, com algumas típicas cantigas da lírica trovadoresca – “Se eu pudesse desamar” (cantiga de amor), Dona fea, foste-vos queixar” e “Roi Queimado morreu com amor” (cantigas de escárnio e maldizer) – até Camões, passando pela sua lírica, com “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Descalça vai para a fonte”, e acabando na Épica, com a colossal obra Os Lusíadas. (…)” 

Maurício Eduardo

(Carlos Eduardo, n.º 4, e Maurício, n.º 20)

“Dona Alice, o professor Luís e o “menino” Daniel mostraram aos seus espectadores, de forma detalhada e divertida, diferentes formas de abordar a lírica trovadoresca e camoniana. Através de canções, declamações e breves dramatizações, entusiasmaram o público, de modo a que este embarcasse numa viagem inesquecível, que, pela curiosidade que desperta, coloca lado a lado o nosso mundo e o de Camões. 

Tudo começa com o professor Luís, que tenta preparar as suas aulas  sobre Luís de Camões. Com a chegada de Daniel, o seu amigo historiador que se propõe a ajudá-lo, a preparação das aulas parece mais fácil. Até que surge dona Alice, a empregada do professor, que se intromete e opina sobre a conversa dos dois amigos. Luís decide então juntar Daniel e dona Alice  para encenar uma aula e tentar perceber como será a reação dos seus alunos.”

Leonor Manuel

(Leonor Susano, n.º 13, e Francisco Martins, n.º 5)

“A opinião do público, constituído por alunos do décimo ano da ESG, em relação ao desempenho dos atores  foi bastante positiva, considerando estes que a personagem que mais se distinguiu, e por isso mais apreciada por todos, foi a singular e única dona Alice, muito bem interpretada por Kátia Guedes. A sua bem-humorada representação foi conseguida com a cooperação de Nuno Martins (o professor Luís) e Pedro Miguel Dias (o “menino” Daniel).

A peça foi representada de forma simples e divertida, porém bastante didática, pois os alunos puderam rever a lírica trovadoresca e motivar-se para o estudo de Camões.”

Leonor Catarina

(Leonor Moreira, n.º 14, e Lídia Catarina, n.º 15)

“Todos os artistas tiveram uma excelente prestação e bastante envolvente. O ator Nuno Martins encarnou a personagem professor Luís, que leciona a disciplina de português e que não sabia como havia de falar aos seus alunos de Camões, de uma forma interessante e que os fizesse perceber bem essa matéria. Por isso, pede ajuda ao seu amigo Daniel. É Pedro Miguel Dias quem interpreta, e bem, esta personagem. É um historiador, que tenta ajudar o professor Luís, tratando sobretudo de aspetos biográficos do poeta. A atriz Kátia Guedes  representou a personagem dona Alice, uma senhora já de uma certa idade, que tem uma enorme imaginação e que, apesar de não perceber muito de Camões, tenta ajudar o educador com ideias inovadoras e muito engraçadas, criando, com os dois,  uma aula encenada muito dinâmica.”

Rita Rui

(Rita Oliveira, n.º 23, e Rui Martins, N.º 24)