Amadeo de Souza-Cardoso: paisagens a intervalar

Eis um dos artistas, que também fez parte da geração de Orpheu, neste excerto retirado da Wikipédia

«Pertencente à primeira geração de pintores modernistas portugueses, Amadeo de Souza-Cardoso destaca-se entre todos eles pela qualidade excecional da sua obra e pelo diálogo que estabeleceu com as vanguardas históricas do início do século  XX. “O artista desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com os artistas do seu tempo.” A sua pintura articula-se de modo aberto com movimentos como o cubismo o futurismo ou o expressionismo, atingindo em muitos momentos – e de modo sustentado na produção dos últimos anos –, um nível em tudo equiparável à produção de topo da arte internacional sua contemporânea.

A morte aos 30 anos de idade irá ditar o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e de uma carreira internacional promissora mas ainda em fase de afirmação. Amadeo ficaria longamente esquecido, dentro e, sobretudo, fora de Portugal.»

 Brook House (1913)

Lanscape

Stronghold (1912)

Procissão de Corpus Christi de 1913

Paisagem de 1912 

Uma boa semana para todos!

IA

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A Poesia e a Pintura de mãos dadas

cesarioeamadeo

Os alunos foram desafiados a encontrar aspetos comuns, quer a nível temático quer a nível formal, entre a poesia de um e a pintura do outro. Esta é parte da leitura que a Catarina fez de versos do poema “A Débil”, quando “casados” com dois quadros de Amadeo de Souza-Cardoso, identificados no fim do artigo.

IA

A Débil

“Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

“Ela aí vem!” disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;  
E invejava, — talvez que não o suspeites! –
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

(…)

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.” 

Cesário Verde, in ‘O Livro de Cesário Verde’

“Cesário descreve a bela mulher psicologicamente como sendo frágil, natural, recolhida, pura… e, fisicamente, como sendo jovem, loura, dona de um corpo alegre e de uma cintura estreita, adorável, elegante… Porém, o sujeito poético sente-se “feio, sólido e leal”.

Ele “pinta” ainda os espaços físicos onde se encontram, utilizando uma caracterização disfórica e negativa – “…à mesa dum café devasso, (…) Nesta Babel tão velha e corruptora” -, permitindo o contraste entre a mulher frágil e bela e o local fechado e obscuro (…). A jovem “pintada” nos versos de Cesário, parece uma combinação entre a mulher do campo e a da cidade, respetivamente, em relação ao retrato que o eu poético faz dela e ao espaço em que esta se encontra. O poeta-pintor utiliza imagens visuais, um vocabulário preciso e a adjetivação para enriquecer as suas descrições. Afasta-se do lirismo romântico através dessa objetividade. Os dois quadros adequam-se, na minha opinião, ao retrato do sujeito poético e a esta mulher, devido às cores vivas e à solidez das formas.”

Catarina

Quadros de Amadeo de Souza_cardoso: Cabeça (óleo sobre cartão) e Canção Popular e o Pássaro do Brasil (óleo sobre tela)