Felizmente há luar (6)

E para terminar as apresentações….

Boss AC & Mariza, Alguém me ouviu

Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não
presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a
minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz?

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se
esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto
daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz?

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se
esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar
Parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida prá morte
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém
Há de surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando
A esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz
Mantém-te firme

Nós escolhemos o tema “Alguém me ouviu”, de Boss AC e  Mariza, porque é um tema muito emocionante, que mexe muito connosco. 

Nesta canção não se aborda nenhuma questão social, mas, quando a stora disse que devíamos também estabelecer relações com Felizmente Há Luar, nós não hesitámos, pois achamos que, no tema musical, há muitos aspetos que podemos relacionar, principalmente, com Matilde de Melo, mulher do general Gomes Freire de Andrade.

Matilde muda o seu estado de espírito ao longo do ato II (só neste ato é que esta personagem surge). A sua personalidade parece transformar-se no decorrer do enredo. A canção “fala” de revolta, tristeza, penitência e amor também, ou seja, tudo aquilo que a personagem sente quando luta pela libertação do general. Gostámos muito do momento em que ela se despede dele, de uma forma única, como se ele não tivesse morrido, mas estivesse, sim, com ela. Ela também acredita que aquilo não é um adeus, mas um até já!

Estes dois cantores de estilos tão diferentes (o dele é hip hop, R&B e rap; o dela é maioritariamente fado) juntaram-se numa canção muito sentida, que nos comove e faz pensar.

Gostámos muito de apresentar esta canção à nossa turma.

Ana, nº 2 e Catarina, nº 7

Deolinda, Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração
E nem me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!

Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Que para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
Se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me para quê?’
Há alguém bem pior do que eu na tv.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

“Parva que eu sou” foi a música que escolhemos para a apresentação oral, na disciplina de Português. Esta canção é um inédito do grupo Deolinda e foi apresentada ao público, pela primeira vez, no Coliseu do Porto, a 23 de janeiro de 2011.

Deolinda é um grupo musical de Lisboa, constituído por quatro membros, que se inspira no fado e na música popular portuguesa.

Nós escolhemos esta canção, porque trata da atualidade portuguesa, mais propriamente do desemprego e das condições de vida dos jovens.

Não há uma ligação direta com a obra Felizmente Há Luar, porque o problema social vivido pela nossa geração deve-se ao facto de os jovens terem habilitações superiores que não são necessárias para os “empregos” que conseguem arranjar. Por isso, na canção se diz “Que mundo tão parvo / que para ser escravo é preciso estudar!”.  Na obra de Luís Sttau Monteiro, podemos ver que o povo vive na miséria: todos parecem mendigar e todos são analfabetos. Só alguns “espertos”, como Vicente, conseguem escapar à fome.

Bruna, nº6 e David, nº 8

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Felizmente há luar (5)

CAPICUA, MEDO DO MEDO

Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo, velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!

Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.

Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
Defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de pôr grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.

 (o poema mantém a ortografia original)

Capicua foi a nossa seleção musical. Ela é Ana Matos Fernandes, nascida e criada no Porto. É licenciada em Sociologia e, talvez por isso, as suas canções são denúncia de realidades sociais a combater. Mas as suas letras também exploram a ideia de que todos somos feitos de duas metades, como o nome artístico da cantora de Hip Hop sugere: no catalão cap i cua significa cabeça e cauda.

A canção “O Medo do Medo” é fantástica e assombrada de tantos medos que não há medo que não esteja lá! Escolher alguns versos mais marcantes foi difícil, mas, pensando na obra de Luís Sttau Monteiro, a escolha tornou-se mais fácil. E assim os “nossos” versos são:

 “Medo de deus e medo da polícia, / Medo de não ir para o céu e medo da justiça, / Medo do escuro, do novo e do desconhecido” / Medo do caos e do povo e de ficar perdido / (…) Eles têm medo de que não tenhamos medo” 

O peso do poder de Deus e dos que governam injustamente em nome do rei está refletido nestes versos. Os populares não têm como escapar e, sempre que os dois polícias se aproximam, ou os tambores ou os sinos tocam, o medo nasce e apodera-se de todos.

Era tão bom que o mundo não tivesse medo! 

Rita, nº 15 e Paulo, nº 13

BOSS AC, QUE DEUS

Há perguntas que têm que ser feitas…

Quem quer que sejas, onde quer que estejas,
Diz-me se é este o mundo que desejas,
Homens rezam, acreditam, morrem por ti,
Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi,
Vejo tanta dor no mundo: pergunto-me se existes,
Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes?
Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza?
Se tudo podes porque é que não vejo comida à minha mesa?
Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar,
Se sou teu filho e tu me amas porque é que me fazes chorar?
Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites
Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites?
Se me destes olhos porque é que não vejo nada?
Se sou feito à tua imagem porque é que durmo na calçada?
Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais?
Porque é que sou discriminado se somos todos iguais?

Porquê?!

Porquê que os Homens se comportam como irracionais?
Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?
Porquê que a Paz não passa de ilusão?
Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?
Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei…
Eu acredito é na Paz e no Amor…

Por favor não deixes o mal entrar no meu coração,
Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição,
Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos,
E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos?
Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra?
Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra,
Não deixes crianças sofrer pelos adultos,
Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos,
Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem,
Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém,
Passo noites em branco quase sem dormir a pensar,
Tantas perguntas, tanta coisa por explicar,
Interrogo-me, penso no destino que me deste,
E tudo que acontece é porque tu assim quiseste,
Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?
Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo?
Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?
Se calhar desse lado está a felicidade mais pura,
Mas se nada fiz, nada tenho a temer,
A morte não me assusta o que assusta é a forma de morrer…

Porquê que os Homens se comportam como irracionais?
Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?
Porquê que a Paz não passa de ilusão?
Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?
Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei…
Eu acredito é na Paz e no Amor…

Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei,
Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei!
Por mais respostas que tenha a dúvida é maior,
Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor,
Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim,
Penso na origem de tudo e penso como será o fim,
A morte é o fim ou é um novo amanhecer?
Se é começar outra vez então já posso morrer…

(Ao largo ainda arde a barca da fantasia,
o meu sonho acaba tarde,
acordar é que eu não queria…)

O tema musical que escolhi para a minha apresentação oral é cantado por Ângelo César do Rosário Firmino, mais conhecido no mundo musical como BOSS AC. Este músico não canta apenas hip-hop, mas também R&B e Rap.

Em “Que Deus?”, questiona-se Deus de uma forma indignada (“Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei…”), por causa da fome que há por todo o mundo. Questiona-se Deus também por causa da morte, das guerras, dos crimes, da injustiça e da maldade do ser humano, ou seja, que deus é este que permite que todas estas “coisas” más aconteçam?

Esta canção pode relacionar-se com Felizmente Há Luar, obra escrita por Luís Sttau Monteiro, no século passado. Essa relação tem a ver com o modo como os governadores do reino (universo dos dominadores) utilizam o nome de Deus para controlar o povo (universo dos dominados), para ditar as “suas” leis e, assim, fazerem o que bem entenderem com os populares inocentes, que acreditam no que lhes dizem sobre esse “grandioso” Deus, que eles fizeram à  imagem.

Nelson, nº 12

Felizmente há luar (4)

Os Homens da Luta, E o Povo, Pá?

É o desemprego, pá
Corrupção, pá
Endividamento, pá
A depressão, pá
O aquecimento, pá
A recessão, pá
E como se isto não bastasse a reação, pá
E os oprimidos, pá
Os endividados, pá
Os suprimidos, pá
Os separados, pá
Os desvalidos, pá
Desalinhados, pá
Os sem abrigo coitadinhos dormem no chão, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
São indigentes, pá
São insolventes, pá
São repetentes, pá
Delinquentes, pá
É só aumentos, pá
Despedimentos, pá
Aluimentos, pá
Desinvestimentos, pá
E os camponeses, pá
Os professores, pá
Os reformados, pá
E os pescadores, pá
E os subsídios, pá
E os ordenados, pá
E as dívidas e os créditos mal parados, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo 
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
Ah pois quer, pá
O povo também quer Ferraris (pois quer, pá)
O povo também quer Maseratis e Bentleys e Lamborghinis (muito bem, pá)
Porque é que hão de ser só os jogadores da bola a ter, pá?
O povo também quer o CLK200 da Mercedes, pá (apoiado, pá)
O povo também quer um BMW Z3, pá, aquele muito bonito, com os estofos creme em pele, pá, e com a manete das mudanças em marfim, pá 

O povo também quer o novo Audi A8 com motor V12, pá
Gasta 35 litros aos 100 mas dá a volta a 270 na autoestrada, pá
O povo também trabalha, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá

Nós escolhemos, para a apresentar à turma, o tema “E o povo, pá?”, escrito por Vasco Duarte e Nuno Duarte, também conhecidos como Falâncio e Neto. Estes dois cantores e comediantes formaram uma banda, à qual deram o nome Homens da Luta. Este tema trata  das dificuldades do povo português, do desemprego e das grandes desigualdades sociais e demonstra também, com ironia (brincando), alguma revolta, apelando à mudança, sem gerar conflitos nem feridas entre os portugueses. No fundo, fala-se, a brincar, do estado social do país e “luta-se” por melhores condições de vida.

Esta canção tem semelhanças com a obra Felizmente há luar, pois ambas refletem a tristeza e as dificuldades  por que passam todos os que são dominados por aqueles que os governam.

Foi um momento alegre na aula de Português!

Mara, nº 11 e Ruben, nº 16

Força Suprema,  Geração à Raska –  2011

Eu ‘tou farto dessa merda  desse stress todo o dia
Dessa rua dessa esquina é sempre a mesma porcaria
Eu ‘tou farto de acordar e já não ter o que comer
Porque os empregos ‘tão fodidos já nem sei o que fazer
… Eu ‘tou farto “motherfucker” já não quero saber da crise
Nós sabemos que ela existe tragam soluções, please
Oh, e ainda pensa que eu sou louco
Quando vejo todos os dias famílias no sufoco?

Eu já não consigo ligar a televisão
Sem que alguém reclame do preço da água ou do pão
É dia sim (dia sim) dia não mais uma manifestação
Acaba quase sempre em confusão
Essa é a conclusão povo na miséria político num novo carrão
Povo na barraca político na mansão
E os velhos que têm como companhia a solidão

Refrão
Eu ‘tou farto de mentiras e ver só gente a sofrer
Eu ‘tou farto de injustiças e ver o povo a morrer
Andamos atrás do pilin andamos atrás da paca
Inocentes aflitos é geração à raska


Justiça é encenação
Eles dizem que é um só povo uma só nação
O pobre rouba vai para a prisão
Direitos iguais é o que diz na constituição
Voz do povo é a voz da razão
Quando á falta de emprego o povo culpa a imigração
Pobreza não escolhe cor tudo na mesma situação
Tá fodida a nossa geração

Eu ‘tou farto dos impostos a subirem em flecha
Dos abonos atrasados onde é que a gente se queixa?
E essa merda está um caos
As cadeias estão lotadas mas não só de homens maus
Mas sim de alguns que procuravam sustento
Que fartaram das mentiras dos senhores do parlamento

(Estamos fartos) E hoje anda tudo atrás da paca
Todos aflitos geração à raska

Refrão
Eu ‘tou farto de mentiras e ver só gente a sofrer
Eu ‘tou farto de injustiças e ver o povo a morrer
Andamos atrás do pillin andamos atrás da paca
Inocentes aflitos é geração à raska

A música que escolhi para apresentar à turma é “Geração à Raska” dos Força Suprema, um grupo de Hip hop e Rap.

Este tema musical revela problemas sociais, resultantes da situação económica do nosso país. Os políticos que nos governam são criticados por contribuírem, com as suas decisões, para o facto de “os ricos estarem cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres”.

Esta banda, constituída por quatro elementos de origem africana, usa nas  suas “rimas” calão como forma de mostrar o seu desagrado face à crise que o país atravessa. Há também , ao longo da canção, alguns excertos de discursos políticos, que se misturam com a letra dos Força Suprema.

A relação da música com Felizmente Há Luar tem a ver com a forma como o povo é descrito nos versos que estão acima destacados a bold. Tanto na canção como na obra, os mais pobres são sempre explorados pelos mais ricos, que fazem dos desgraçados o que querem, até condená-los.

Soraia, nº 17

Felizmente há luar (3)

Prosseguindo com as seleções musicais dos alunos…

Bob Marley, Redemption Song

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty
We forward in this generation
Triumphantly

Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
‘Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Some say it’s just a part of it
We’ve got to fulfill the Book

Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs

A Redemption Song do grande e único Bob Marley, o Rei do Reggae, foi  a minha escolha para a apresentação oral, por vários motivos. Em primeiro lugar,  porque Marley é um dos meus cantores preferidos; em segundo, porque a canção foi uma das últimas a ser criada, antes de o compositor jamaicano nos deixar; e, em terceiro lugar, porque achei que alguns dos versos denunciavam uma realidade social, ainda atual.

Também porque se pode estabelecer um paralelismo com Felizmente Há luar, uma vez que o tema musical também denuncia a opressão de um povo que foi escravizado no passado e continua a sê-lo mentalmente no presente. Este facto comprova-se nos quatro primeiros versos da primeira estrofe e no primeiro da terceira (assinalados a bold na letra da canção).

Foi, para mim, um momento emocionante passar o meu Bob na aula de Português! Acho que os meus colegas gostaram…

Ana Sofia, nº 4

Sam the kid, Sofia

Advertência

A letra do tema “Sofia” do rapper Sam the Kid está presente no videoclipe e contém expressões em gíria, calão e linguagem de natureza sexual explícita. Tudo bem: a linguagem está ao serviço da mensagem. Também contém diversos erros linguísticos que foram detetados por nós, pelos colegas e pela professora, quando fizemos a apresentação oral.  É pena, porque Sam the Kid merecia ser tratado com mais cuidado!

Quando a stora pediu que escolhêssemos uma canção de que gostássemos e que denunciasse uma realidade social atual, pensámos logo na “Sofia”. Talvez também porque somos adolescentes. A canção é longa e narra a história de um jovem que se envolve com Sofia, nascendo dessa relação uma criança não planeada. O tema é a gravidez na adolescência, um mal do nosso tempo.

Mas a canção é mais do que isso. Ela propõe uma outra reflexão: até que ponto temos razão em nos queixar das nossas escolhas? Afinal, por mais que a nossa realidade não nos agrade, a verdade é que, se tivéssemos escolhido outro caminho, poderíamos encontrar outros problemas, certamente bem mais graves. Como é o caso.

Que relação com Felizmente Há Luar?

Talvez os versos que a canção pediu emprestados a um texto que não conseguimos identificar e ditos por (parece) Mário Viegas respondam a esta questão.

“Cada um é alvo incessante das suas influências, sabes? / E entre as influências há as boas e más, negativas / e positivas”

Poderiam Manuel e os restantes populares acreditar na mudança, se o General Gomes Freire, a única esperança (a influência positiva), lhes foi roubado pelos Governadores do Reino?

Foi mesmo muito bom ouvir (mais uma vez) Sam The Kid!

 Inês, nº 9 e João, nº 10

Outras lutas

E agora, onde vamos? 

Hoje, foi dia de cinema na aula de Português. O filme impunha-se pelos tempos conturbados que a Europa e o mundo vivem com a ameaça do terrorismo. Mas também por várias pontes possíveis com a obra de Luís Sttau Monteiro.

É libanês e fez-se pela mão de uma mulher, a realizadora e atriz Nadine Labaki. Criou-o com aquela doçura tão feminina, talvez a única arma capaz de derrotar não só a amargura das mulheres que sofrem (com) a morte dos seus mais queridos mas também a raiva e prepotência dos homens que desejam a guerra.

Afinal, como diz Matilde de Melo, em Felizmente há luar,  “As mulheres (…) estão sempre dispostas a colaborar com a tirania para conservarem os maridos em casa.”. Aqui não se compactuou com a tirania. Outras foram as estratégias… Algumas bem divertidas!

E assim se cumpriu a lição.

IA

Felizmente há luar (2)

Prosseguindo com as seleções musicais dos alunos…

KLEPHT,  EMBORA DOA 

É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar…
Qual papel será o meu? 
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

Porque nada surpreende.
Já vivemos com o medo.
Quem nos chama à razão?
Ao som de armas adormeço…

Embora doa, não me faz perder o sono.
Embora doa…

Escorre sangue pelo ouro em directo na tv
Explode a carne em mãos de quem nada fez

Embora doa, não me sujo desse sangue 
Embora doa, há sempre outro canal

Embora doa…

Embora doa…
Não me sujo desse sangue
Embora doa…
Há sempre outro canal.

É a dúvida que resta que me leva a perguntar…

O tema musical que escolhemos para esta apresentação oral é dos Klepht, que são uma banda portuguesa composta por Diogo Dias, Marco Reis e Mário Sousa. A banda formou-se em 2000 e o seu estilo musical é Pop Rock.

Nós escolhemos “Embora Doa”, porque achamos que a letra tem uma mensagem importante e a música bonita e calma. A canção “fala”  da guerra que é vista por todos na TV e contra a qual nada podemos fazer. Diz-nos também que há morte de muitos inocentes e o intérprete vê tudo isto na televisão e não consegue fazer nada, dizendo mesmo que há sempre um outro canal que podemos ver.

A relação que se pode estabelecer entre o tema musical e a obra de Luís Sttau Monteiro tem a ver com a personagem Manuel. Este popular também nos diz que não consegue fazer nada para mudar a situação em que o povo vive. O povo não tinha armas para se defender, mal se aguentava em pé porque a fome era tanta e pouco ou nada podia decidir sobre a sua vida. É um pouco como na canção, quando se diz: 

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.” (…)

E revemos nas imagens que não passa de um esboço…
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto…”

Gostámos muito de apresentar esta canção à turma.

Ana, nº 3 e Rafaela, nº 14

DILLAZ,  SR. PRESIDENTE 

Esta é a minha carta escrita, Sr. Presidente,

Tenho reparado que a vida pra si é diferente

Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

 

Venha dar valor à vida, à maioria que vive contrariado
Ver o que são seis cabeças apenas com um ordenado
Ver a inveja e a ganância, a confiança e o mau olhado
Ver que não tem futuro pelo que fez no passado

É complicado, também não encontro uma explicação:
Ver um puto que tinha um parque, agora só brinca no chão
Olhe prós meus olhos, eu olho bem nos seus
Eu faço a pergunta, “acha que o meu bairro morreu?”

Investimento noutros sítios, porquê que a madorna não tem
Você conhece mal a zona, a polícia conhece bem
Não invista pró seu luxo, não gaste no que não convém
Se o meu povo investe dez, vocês chegam e roubam cem

Sr. presidente, diga, explique-me o porquê
Porquê que não ajuda um idoso se ele trabalhou mais que você
Continue a pôr os olhos na cara da multidão
Que tem metade do ordenado mínimo, outra metade da solidão

Não dá para a luz, não dá para a água, pra comida nem pro gás
Quinze contos só de fraldas, quem é que alimenta o rapaz?
Rapariga vai crescendo e segue a tabuleta errada
O homem pensa que tem filha e afinal tem uma enteada

Nada muda, não dê de fuga nem descalce a luva
Muitos não morreram de cirrose, porque faltava uma uva
Lembre-se que não somos cães numa matilha
E nesta situação podia ‘tar a sua filha

Mas a esperança é a única coisa que faz remar contra maré
Porque a vida é uma injustiça, a vida é o que ela é
Não diga que acabou, não diga que é o fim
Porque eu nasci em 91 e Portugal não era assim

A pensar se guardo a guita, porque amanhã ela baza
Não ter uma cara feia cada vez que saio de casa
Acorde e volte à terra porque os problemas estão em brasa
Se prefere outros planetas, pense em trabalhar na NASA

Porque há quem pense em aproveitar a luz do dia
Pense no assunto, faça-me essa primazia
Sr. presidente, a gente precisa de harmonia
Venda o seu BM e mande para aqui alegria

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Esta é a minha carta escrita, Sr. presidente
Tenho reparado que a vida pra si é diferente
Por aí a vida muda, vê-se plenamente
Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente

Para este trabalho, solicitado pela professora, escolhemos o cantor Dillaz, com o tema “Sr. Presidente”, onde são comparadas diferentes classes sociais. O cantor salienta a facilidade com que “os ricos” conseguem tudo e as dificuldades por que passam “os menos abonados”, neste caso os que vivem nos bairros sociais.

O mesmo se passa na obra Felizmente há luar, na qual  os três governadores do reino levam vidas luxuosas e desafogadas e os pobres (o povo) vivem na rua, dormem no chão e comem e vestem-se do que lhes derem como esmola. Infelizmente, nos nossos dias isto ainda acontece, o que faz com que a obra de Luís Sttau Monteiro seja atual, a este nível também.

O cantor Dillaz chama-se André, vive na Madorna, um bairro social, que aparenta estar esquecido por aqueles que nos governam. O seu estilo musical é o Hip hop, que também não é muito valorizado socialmente, mas consegue transmitir várias ideias e críticas, de modo muito claro.

Adorámos apresentar esta canção à turma!

Alexandra, nº 1, Ângela, nº 5