Uma outra Páscoa

Como a poderia dizer Caeiro, que a disse sem lhe chamar Páscoa. Porque Páscoa é (também) passagem.

E porque, como diz o poeta, as coisas são o que são e ponto final. E, depois delas, outras coisas são.

“Passa uma borboleta por diante de mim 
E pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento, 
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta
o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta e a flor
É apenas flor.”

                                            in O Guardador de RebanhosPoema XL

 

“Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento … 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural… 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva …

O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica… 
Assim é e assim seja …” 

                                           in O Guardador de Rebanhos – Poema XXI

 

“Passou a diligência pela estrada, e foi-se; 
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia. 
Assim é a ação humana pelo mundo fora. 
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos; 
E o sol é sempre pontual todos os dias.”

                                           in O Guardador de Rebanhos – Poema XLII 

Uma Santa Páscoa!

IA

Porquê férias? Porque é Páscoa!

Também porque são bem merecidas: este segundo período, mesmo sendo mais curto do que o primeiro, foi muito trabalhoso… mas profícuo!

E porque é Páscoa, claro!

Celebrada com rituais específicos pelas diversas crenças religiosas que assentam na tradição judaico-cristã, Páscoa, no hebraico Pesach ou Pesaḥ, remete para o Éxodo, relatado no Antigo Testamento,significa passagem. Moisés, o nascido das águas, após sete pragas avassaladoras (incluindo uma delas a imolação de um cordeiro, cujo sangue, aplicado no umbral das portas das casas hebraicas, impediu a entrada da Morte), liberta o seu povo escravizado pelos egípcios: abre o Mar Vermelho, peregrina durante quarenta anos no deserto, no fim dos quais os hebreus chegam finalmente à terra prometida, Canã.

E porque Páscoa, nesta perspetiva, é também libertação deixo-vos com uma das minha peças favoritas, da autoria de Giuseppi Verdi, da sua ópera Nabucco.

Com Cristo, Páscoa ganha também outro significado  – com a ressurreição do cordeiro sacrificado, Jesus, vence-se definitivamente a Morte.

Giotto di Bondone (1266-1337), A Ressurreição, Capela Scrovegni, Pádua

Por isso, a Páscoa é também momento de recolhimento, de transformação, de renascimento.

Por acaso, coincide com a chegada da Primavera! Será por acaso?

Aqui entram outras Páscoas: aquelas que têm a ver, não com cordeiros, mas com coelhos e ovos!

E isto assim é, uma vez que estes elementos estão associados a cultos, a rituais em que se celebram a fertilidade e a renovação da natureza.

Neste site de uma turma que se diz "turminha" podem ir mais longe: http://www.turminha.mpf.mp.br/nossa-cultura/pascoa/por-que-ovos-e-coelhos-sao-simbolos-da-pascoa

Boas férias e uma santa Páscoa!

IA