Formação de palavras 2

Composição

Processo que consiste na criação de uma nova palavra a partir de duas formas de base, que podem ser radicais ou palavras simples ou complexas já existentes. Há a considerar dois tipos de composição:

1.ª morfossintática (palavra + palavra)

Ex.: lava-louça; paraquedas; maldizer

2.ª morfológica (radical + radical ou radical + palavra)

Ex.: geologia; agricultura; sociocultural

Propriedades dos radicais neoclássicos que entram na formação de compostos morfológicos (Cunha e Cintra)

  1. Alguns podem ocorrer quer à esquerda, quer à direita de um outro radical:

fonoteca; lusofonia

  1. Mas também há radicais que ocorrem apenas em posição inicial:

piscicultura

  1. E outros que ocorrem apenas em posição final:

 insecticida

  1. Ocorre frequentemente uma vogal de ligação entre dois radicais adjacentes:

herbívoro; antropomórfico

  1. Mas há dois casos em que essa vogal não ocorre,

(i) quando o radical da direita começa por vogal:

  1. ped-iatra

(ii) quando o radical da esquerda não é um modificador nominal:

  1. cali-grafia
  1. Podem associar-se a outros radicais neoclássicos ou vernáculos:

agrografia; agroindústria

  1. Podem ser modificadores do constituinte à sua direita:

psicofármaco

Bom Trabalho!

IA

a partir de http://www.clul.ul.pt/files/alina_villalva/2006categoriasmorfologicas.pdf
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Formação de palavras

Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a derivação e a composiçãoA diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical (forma de base), enquanto no processo de composição  haverá no mínimo dois radicais. Hoje, só trataremos da DERIVAÇÃO

Em anexo, segue uma listagem de prefixos e sufixos da Língua Portuguesa.

Derivação

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada forma de base. Observe o quadro abaixo:

Forma de Base

Derivada

mar marítimo, marinheiro, marujo
terra enterrar, terreiro, aterrar

 Derivação por Prefixação

Resulta do acréscimo de prefixo à forma de base, que vê o seu significado alterado. Vejamos os exemplos:

crer- descrer
ler- reler
capaz- incapaz

Derivação por Sufixação

Resulta de acréscimo de sufixo à forma de base, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical.

Exemplo:

Alfabetizar – alfabetização

No exemplo acima, o sufixo -ção  transforma em nome o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do nome alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.

Derivação Parassintética ou Parassíntese

Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à forma de base. Por meio da parassíntese formam-se nomes, adjetivos  e verbos.

Consideremos o adjetivo “triste”. Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois na nossa língua não existem as palavras “entriste”, nem “tristecer”.

NOTA 1: Não confundir este tipo de derivação com a denominada derivação por prefixação e sufixação em que a junção dos afixos não é concomitante, como é o caso de “infelizmente” (existem os vocábulos “infeliz” e “felizmente”, ao contrário do que sucede com o exemplo anterior).

NOTA 2: Ainda a propósito da parassíntese, peço emprestado ao blogue Carruagem 23 o seguinte apontamento:

“Que me dizes…? Eu digo-te…

     (…)FormaçãoPalavras

Q: Que me dizes de ‘apadrinhamento’ e ‘apodrecimento’ serem exemplos de derivação por parassíntese?
    Impõe-se a resposta, com o mesmo tuteamento de partida:
     R: Eu digo-te que não são bons exemplos, pois claro, a par de outros já aqui abordados. Fosse a resposta ‘apadrinhar’ e ‘apodrecer’ e nada teria a dizer, por se tratarem de verbos formados a partir de nome (no caso, ‘padrinho’) ou de adjetivo (no caso, ‘podre’). Estes, sim, são os casos prototípicos da parassíntese.
  “Apadrinhamento” e “apodrecimento” são casos de derivação (sucessiva e) por sufixação. O problema é sempre o de não se ver que a base ‘apadrinhar’, já de si complexa, é a derivante para ‘apadrinhamento‘ (com o acrescento do sufixo [mento]), o mesmo sucedendo com ‘apodrecer’ > ‘apodrecimento‘. Assim o ditam os elementos morfológicos sublinhados, sufixos acrescentados a uma base já por si derivada. (…)”

Um agradecimento muito especial ao professor Vítor Oliveira! 

Com base neste artigo e na sistematização proposta no manual, poderemos resolver os exercícios da página 24.

Bom trabalho!

Ia

Sufixos

Bibliografia: 
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf4.php (com adaptações)
http://carruagem23.blogspot.pt/2015/10/que-me-dizes-eu-digo-te.html

O prometido cumpre-se…

Conforme foi anunciado anteriormente, neste artigo pretende-se consolidar os conteúdos gramaticais revistos no post anterior e, para isso, são propostas atividades de aferição/consolidação de conhecimentos.

                                 ATIVIDADES

1. Seguindo o exemplo fornecido, detete a sílaba tónica das palavras abaixo e acentue aquelas em que tal operação seja necessária.

proficuo, agradavel, funil, monetario, util, amavel, utilmente, aconselhavel, criticamente, agradavelmente 

Exemplo: proficuo // proficuo // procuo


2. Justifique os casos em que procedeu à acentuação.


3. Construa frases com os pares de palavras propostos (atenção à classe de palavras a que cada elemento do par pertence).

crítico/critico 
pública/publica 
última/ultima 
evidência/evidencia 
pôr/por 
página/pagina 
conferência/conferencia 
denúncia/denuncia
próspero/prospero 
libertária/libertaria

Bom trabalho!

IA

Já cá faltava a gramaticazinha!

1 – Acentuação 

Em sequência do desafio linguístico lançado no nosso artigo intitulado “Memorial do Convento”, surge este, em que se pretende não só corrigir os erros de acentuação requeridos e outros mas também sistematizar as regras que foram infringidas. Postamos de novo o videoclipe, para agilizar esta breve exposição.

Na primeira coluna, entre parêntesis, identificam-se os minutos em que esses erros ocorrem.

ERROS DE ACENTUAÇÃO

o n d e   s e   l ê

d e v e   l e r – s e

1)  visionaria (1:30)

2) hipócrisia (2:08)

3) evidência (2:49 e 3:58)

4) críticado (3:34)

5) Aústria (4:40)

 visioria

hipocrisia

evidencia

criticado

Áustria

Nos casos dos erros assinalados em 1) e 3) estamos perante vocábulos da mesma família, cujas fonia e grafia são muito próximas, mas pertencentes a classes de palavras diferentes.

Constata-se assim, no primeiro caso (1), a confusão entre a forma verbal – 1.ª ou 3.ª pessoa do singular do verbo “visionar”, no condicional – e o adjetivo qualificativo que se pretendia. No segundo caso (3), confunde-se o nome abstrato com a 1.ª ou 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “evidenciar”.

É de relembrar que todas as palavras esdrúxulas, ou proparoxítonas  são acentuadas, como é o caso do adjetivo “visionária”.

As palavras graves ou paroxítonas geralmente não são acentuadas, sendo-o apenas em circunstâncias especiais, principalmente, quando a sua última sílaba “sugere” que a palavra seja aguda, ou oxítona. Os vocábulos adequados às situações 2),  3) e 4) são graves e, por isso, não são acentuados.

BREVE REVISÃO: 

1 - As palavras esdrúxulas, ou proparoxítonas são aquelas cuja sílaba tónica é a antepenúltima. 

EX: príncipe

2 - As palavras graves ou paroxítonas são aquelas cuja sílaba tónica  é a penúltima. 

EX: infante

3 – As palavras agudas ou oxítonas são aquelas cuja sílaba tónica é a última.

EX: ponta

É de salientar também que nas situações 2) e 4) o erro ocorre por “contágio” (chamemos-lhe assim), provocado por palavras da mesma família. Tanto “hipócrita” como “crítica” (palavras “parentes” das que apresentam erro) são esdrúxulas, sendo por isso acentuadas, o que faz com que, erradamente, mantenhamos o acento, esquecendo-nos de que a sílaba tónica da palavra que queremos não ocupa a mesma posição.

Para o fim ficou o caso 5), pois a situação parece-nos mais fácil de corrigir. O que é acentuado é o ditongo que corresponde à antepenúltima sílaba da palavra, sendo esta constituída por três sílabas –  “Áus-tri-a” – e não quatro, como sugere a acentuação errada,  o que implicaria a seguinte divisão silábica: “A-ús-tri-a”.

2 –  Maiúscula ou Minúscula e Preposições

O desafio proposto não sugeria a existência de mais erros cometidos pelas autoras do video. No entanto, há dois casos que não podemos negligenciar: um relaciona-se com o uso indevido ou inapropriado de maiúscula em meio de frase; o outro tem a ver com princípios de coesão frásica (erro de construção sintática – seleção  de preposição errada).

Ao minuto 0:58, surge, a propósito de Baltasar Mateus, “papel demiurgo, Deus criador,”. Ora, como todos sabemos, quando Deus é grafado com maiúscula é um nome próprio e designa a entidade divina adorada na tradição judaico-cristã. Como é referido no pequeno filme, uns segundos depois, Baltasar não é Deus, torna-se, sim, nessa trindade terrestre, um deus, ou seja, diviniza-se.

Ao minuto 1:26, acontece o mesmo. Desta vez, é com o vocábulo “degredo”, que aparece erradamente grafado com maiúscula, pois não se trata de nenhum acontecimento reconhecido como especial ou específico, datado, que seja historicamente nomeado como tal.

Ao minuto 2:49, surge o erro de natureza sintática, aquele que é mais penalizado nas provas de exame nacional a Português. Escrevem (e dizem) as autoras “aproximando-se ao padre António Vieira”, quando deveriam dizer “aproximando-se de padre António Vieira”. De facto, “aproximar-se” seleciona a preposição “de” e não “a”! Talvez este erro tenha ocorrido, porque “aproximar-se” aqui é sinónimo de “comparar-se”, verbo este que pode exigir quer a preposição “com” quer “a”.  Enfim, é apenas uma possibilidade que visa explicar esta ocorrência.

E, hoje, por aqui ficamos. Prometemos, contudo, que o próximo artigo deste nosso espaço virtual contemplará atividades de consolidação desta matéria. 

Mas antes… para “desanuviar”:

IA