“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra”

É assim que começa o quadragésimo quarto poema da obra Mensagem, intitulado “Nevoeiro”.

1. Para começar, ouçamos Gal Costa e descubramos o seguinte:

– versos ilustrativos do tom disfórico;

– expressões que remetam para  “nevoeiro”;

– uma metonímia;

– duas expressões sugestivas de indefinição, de desorientação;

– um apelo.

2. E agora “É a hora” de partirmos para a página 115 do nosso manual e resolvermos as atividades propostas. 

Bom trabalho!

IA

"fogo-fátuo"
labareda ténue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis, que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. 

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Reino dos Céus e Alexandre, o Grande

Hoje foi dia de cinema na aula de Português. Não correu como eu esperava. Levo Reino dos Céus, de Ridley Scott, levo ficha de trabalho, mas o filme tem a imagem fragmentada. Nada se vê. Que fazer?

Viagem rápida até ao centro de recursos da ESG e trago outro realizador (Oliver Stone), outros heróis, outros tempos. Sem templários, como fora prometido! Da ficha aproveita-se a última atividade, aquela que justifica o visionamento do(s) mesmo(s).  Aqui ficam excertos de ambos. 

O primeiro: o que se queria ver.

O segundo: o que se viu.

Ficam também em comum o épico, os heróis (tipologia), duas realizações soberbas, interpretações fabulosas… E uma fragilidade única que só os GRANDES conhecem: uma enorme solidão! Porque a sua visão do mundo é demasiado estranha e inovadora (diria mesmo precoce) aos olhos dos seus contemporâneos, os comuns mortais.

IA

Ficha de trabalho: O reino dos céus

SEXTA-FEIRA 13

Por que motivo é considerado dia de azar?

Reza a História que, no dia 13 de outubro de 1307 (uma sexta-feira), o rei francês Filipe IV, em consonância com o Papa Clemente V, iniciou uma brutal perseguição contra a Ordem dos Templários. Como consequência, todos os elementos da ordem foram presos, porque acusados dos mais diversos crimes, entre os quais sodomia, heresia e adoração pagã.

Jacques de Molay, o último grão-mestre do Templo, foi torturado pela Inquisição, tendo confessado a veracidade das acusações. O Papa conseguiu com que a pena a aplicar fosse de prisão perpétua, mas no último momento, na catedral parisiense de Notre Dame, o grão-mestre negou as acusações e lançou um desabafo que foi encarado como uma maldição.

Deus sabe que fomos trazidos para o umbral da morte graças a uma grande injustiça. Não tardará chegar uma enorme calamidade para aqueles que nos condenaram sem respeitar a verdadeira justiça. Deus encarregar-se-á de enviar represálias pela nossa morte”.

Foram estas afirmações que assustaram todos os presentes e que ficaram para a posteridade. E a verdade é que, menos de um ano depois, tanto o rei Filipe IV como o Papa Clemente V morreram.

Na próxima aula, conhecerão melhor estes cavaleiros responsáveis (também) pela defesa da cidade santa de Jerusalém. Prometo.

É caso para questionar: qual o ato ilocutório presente no parágrafo anterior?

IA

Sobre os Templários e o dia dito aziago podem descobrir mais aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Templ%C3%A1rios, aqui: http://www.abc.es/internacional/20150313/abci-viernes-maldicion-templarios-201503122131.html e aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tiago_de_Molay
A imagem foi colhida no primeiro site.

MENSAGEM: curiosidades e números (simbologia)

O TÍTULO

Vejamos como  Pessoa “brincou” com a palavra MENSAGEM, descobrindo/encobrindo outros sentidos!

A erudição:

MENS/AG(ITAT MOL)EM. “Mens Agitat Molem” é uma citação de Virgílio, na Eneida, e significa que a mente move a matéria. O objetivo da Mensagem seria mover as gentes pela poesia.

 A alquimia:

De “Mensagem” Pessoa retém ainda outro significado, segmentando a palavra e reorganizando as letras para formar a expressão ENS GEMMA, ou seja, ente em gema, ou ovo. É Portugal em essência, em gema. É um significado também potencialmente mágico pois, para os alquimistas, o ovo filosófico é germe de vida espiritual, da qual deverá eclodir o ouro da sabedoria. No ovo, concentram-se todas as possibilidades de criar, recriar, renovar e ressurgir. 

A nação:

Finalmente, Pessoa pega em Mensagem, e segmenta-a, resultando o anagrama MEA GENS ou GENS MEA: isto é, minha gente ou gente minha, minha família. É a raça de heróis com que Pessoa se identifica e que nomeia ao longo do poema Mensagem.

OS NÚMEROS

8

Portugal e Mensagem têm ambas 8 letras.

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O oito é um número que representa a harmonia, mas está também associado aos Templários, mais precisamente à cruz templária, que tem 8 pontas. É essa mesma cruz que irá nas caravelas, já como cruz da Ordem de Cristo (esta ordem é “descendente” natural da dos Templários depois da extinção destes por ordem Papal).

Assim, Pessoa diz-nos também que a “Mensagem” é “Portugal” e que “Portugal” é a realização da missão da Ordem de Cristo e, consequentemente por descendência, da Ordem do Templo.

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Curiosidade: O número 8, segundo a perspetiva bíblica, sugere o cumprir de um acontecimento, de uma ação, porém dá ênfase a um novo começo. O oitavo dia é simplesmente o primeiro dia de uma nova semana. Por isso, o número 8 trata do que é novo em contraste com o que é velho ou antigo. Por causa desse significado, a circuncisão dos recém-nascidos havia de acontecer no oitavo dia (Lv 12:3).

3

O três é um número que exprime a ordem intelectual e espiritual (o cosmos no homem). O 3 é a soma do 1 (céu) e do 2 (a Terra). Trata-se da manifestação da divindade, é a manifestação da perfeição, da totalidade. Está presente na terceira parte da obra, que se subdivide em três partes. Representa também o ciclo da vida, as três fases da existência: nascimento,  crescimento e morte.

MENSAGEM, composta por três sílabas (assim como Portugal), liga-se também assim ao ciclo da vida: “Brasão” corresponde ao nascimento da nação; “Mar Português“, ao crescimento e apogeu do Império que se cumpriu; e “O Encoberto”, à morte, à qual se seguirá o renascimento, o ressurgir de um novo ciclo.

5

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É símbolo de ordem, equilíbrio e harmonia. Está presente em “Brasão“, na subparte intitulada “As Quinas”. Pessoa escolheu cinco mártires da nação (pois 5 são as chagas de Cristo), representantes da dinastia de Avis, para corresponderem às cinco quinas (D. Duarte, D. Pedro, D. Fernando, D. João e D. Sebastião).

Também a parte inicial da obra, “Brasão”, está dividida em 5 subpartes, tantas quantas as partes do nosso símbolo heráldico – Campos, Castelos, Quinas, Coroa e Grifo.

O 5 está também associado ao Quinto Império, preconizado por padre António Vieira.

Curiosidade: Se somarmos 5 e 3 (números que integram a estrutura formal da obra), obtemos 8 - o número de letras que compõe o seu título!  E, se somarmos 4 e 4 (os algarismos que perfazem 44, o número total de poemas da Mensagem), obtemos novamente 8!

7

O sete é o número da perfeição dinâmica. É o número de um ciclo completo. O 7 articula-se com o 4. Note-se que cada período lunar tem 7 dias e existem 4 fases que fecham o ciclo. Perpassa a ideia de algo que se completa, de um ciclo que se fecha. Os 7 protagonistas de “Os Castelos” vêm de 4 cantos do mundo:  Grécia (Ulisses), Ibéria (Viriato), França (Conde D. Henrique)  e Inglaterra (D. Filipa de Lencastre).

Sete foram os Castelos que D. Afonso III conquistou aos mouros; por isso também  sete são os poemas de “Os Castelos”.

O 7 corresponde aos 7 dias da criação, assim como as 7 figuras evocadas na subparte acima referida são também as fundadoras da nacionalidade portuguesa: Ulisses fundou Lisboa; Viriato, uma nação; Conde D. Henrique, um Condado; D. Dinis, uma cultura; D. João, uma dinastia; D. Tareja e D. Filipa fundaram duas dinastias. Pessoa manteve na sua obra a ideia do número sete como número da criação.

O 7 é um símbolo de totalidade, de união do feminino (4) com o masculino (3). Consciente dessa tradição, Pessoa divide o poema 7 (presente em “Os Castelos”) em dois poemas – D. João, o primeiro, e D. Filipa de Lencastre, ou seja, o masculino e o feminino, o yin e o yang, Adão e Eva, o Sol e a Lua.

12

O doze assume relevância na segunda parte da Mensagem denominada “Mar Português”: 12 são os poemas que a integram, assim como  12 são os discípulos de Cristo, 12 são os Cavaleiros da Távola Redonda, 12 são os meses do ano e 12 os signos do zodíaco.

O número 12 é o número da ação e, nesta parte da obra, Portugal está empenhado profundamente no seu crescimento, na criação de um império (na posse dos mares).

Mas 12 marca também o final de um ciclo, ao qual sucede a morte, ao qual se seguem as trevas – O ENCOBERTO.

Boas leituras!

IA

As imagens foram colhidas em Google Imagens. O texto nasceu da consulta do manual escolar e daqui: 
http://www.umfernandopessoa.com/uploads/1/6/1/3/16136746/as-mensagens-da-mensagem-2010.pdf 

MENSAGEM: a viagem continua

“Mar Português” é outro poema da obra de Fernando Pessoa que se vê musicado por quem sabe fazê-lo. 

Abaixo, segue o poema na ortografia original, para que possam relembrar que as Línguas são também seres vivos: estão, como as gentes que as falam, em permanente mudança!

MarPortuguez

Vamos agora ao manual, à página 110, para resolvermos as atividades propostas.

Bom trabalho!

IA

Eis aqui um dos resultados do nosso trabalho, extraído do caderno da Alexandra.

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Caros alunos, após uma leitura mais atenta deste trabalho, detetei dois erros de pontuação no terceiro parágrafo (faltam duas vírgulas) e, no último, uma incorreção sintática: a oração subordinada concessiva também está mal encaixada (este foi erro meu).

Desafio:

(1) repor as vírgulas que faltam; (2) encaixar corretamente a oração subordinada concessiva.

Boas descobertas!

IA

“O Infante”: ficha de trabalho

Caros alunos, vamos à página 105 do nosso manual, para ler – com olhos de ler – “O Infante”, o  vigésimo poema da obra  Mensagem.

Seguidamente e recorrendo também às anotações que fizemos, quando ouvimos Elba Ramalho e Dulce Pontes, resolvamos a ficha de trabalho, disponível aqui:

Mensagem-Infante_Ficha_de_trabalho

Bom trabalho!

IA

Mensagem

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Mensagem (1934), a única obra que Pessoa publicou em vida, ganhou um polémico 2º lugar no Prémio Antero de Quental (categoria de «poema ou poesia solta»), promovido pelo Secretariado Nacional de Informação, órgão de propaganda do Estado Novo.

Mensagem_1934

Inicialmente esteve para se chamar Portugal. Mas o poeta considerou o título redutor, dada a mensagem espiritual que queria (também) transmitir.

Entremos na obra, pela voz de Elba Ramalho, com um poema, que inicia com a palavra “Deus”, sugerindo já essa espiritualidade. E, devagarinho, tentemos descobrir outras linhas de leitura: um herói ungido e abençoado por Deus, com uma missão a cumprir; valorização de um povo e dos seus feitos passados (o épico); um lamento numa súplica (o lírico); o sonho…

Regressemos ao lado de cá do Atlântico e ouçamos Dulce Pontes, com o mesmo poema. Poderemos assim também comprovar o que já fomos descobrindo no primeiro videoclip e até mesmo ir um bocadinho mais longe… 

Boas viagens, pela mão e pelo sonho de “O Infante”!

IA