Para mergulharmos no séc. XVI

Luís de Camões e Os Lusíadas, vistos do outro lado do oceano.

Destacamos, entre o muito que haveria a realçar nesta vídeo-aula de Português, o seguinte:

“Os Lusíadas de Camões atingem uma notável harmonia entre erudição clássica e experiência prática, desenvolvida com habilidade técnica consumada, descrevendo as peripécias portuguesas, com momentos de grave ponderação, mesclados com outros de delicada sensibilidade e humanismo. (…)

Os dez cantos do poema somam 1102 estrofes, num total de 8816 versos decassílabos…”.

Cá, deste lado do Atlântico, outras perspetivas se impõem.

Mas a língua portuguesa era ainda rude e vulgar. Na corte, entre 1501 e 1536, as peças de Gil Vicente representavam-se em castelhano, as aulas eram dadas em latim, a língua erudita. A primeira gramática portuguesa data apenas de 1536. Os portugueses tinham-se afirmado como nação imperial, mas faltava à língua portuguesa idêntico prestígio no plano internacional e o poema épico representava o mais alto desígnio a que uma língua podia aspirar. (…)

Outros poetas e escritores tentaram a escrita de uma epopeia em português (…), mas apenas Camões foi capaz de levar a bom porto esse projeto nacional. (…)

Quem faz os heróis é quem escreve sobre eles! (…) Camões canta com voz segura o seu amor pela pátria. Mas será que a pátria lhe retribui o sentimento? Será que a pátria o merece, sequer?

N’ Os Lusíadas, Camões cruza a dimensão épica dos feitos de armas, das batalhas, da conquista do território com o retrato íntimo da tragédia amorosa: o mundo bruto dos homens, o mundo de morte e violência, contrasta com o impulso amoroso, a pulsão de vida do universo feminino. E, no confronto direto, é inevitável: quem perde são as mulheres! (…)

O projeto inicial, eufórico, do poema épico de Camões ganha aos poucos contornos sombrios. As palavras do velho de Restelo refletem a opinião do poeta?”

E aqui aportamos no tom disfórico da epopeia camoniana. É no plano do poeta, aquando das suas reflexões, considerações, conselhos e lamentações, que (re)descobrimos esse “bicho da terra tão pequeno”, que somos todos nós!

Segue uma ficha de trabalho a propósito, onde também consta um exercício de natureza linguística. 
considerações do poeta

Bom trabalho!

IA

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Os Lusíadas – O poeta (lamenta-se) em canção

Os Milladoiro dedicaram-se a Luís de Camões. Foram aos Cantos I e III de Os Lusíadas, selecionaram quatro oitavas, deram-lhes uma outra arrumação e fizeram cantiga:

Eis as estâncias selecionadas conforme são cantadas, sendo que a primeira é de leitura obrigatória no 12º ano, pois constitui uma das reflexões do poeta. Aqui Camões lamenta essa imensa fragilidade do ser humano, que (sobre)vive sempre sujeito a forças incontroláveis!

“No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno 
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Canto I, estância 106 

119 
Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano. 

120 
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

118
(…)
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi Rainha.” 

Canto III, estâncias 118-120

O episódio daquela “Que depois de ser morta foi rainha” também aqui está presente, pois ela, Inês, venceu o tempo e o espaço: a sua história não se perdeu no passado e rasgou fronteiras… 

E este é um belíssimo momento, um ponto de partida ou “ponto de fuga” para essa obra magnífica, que Camões nos legou…

Os Lusíadas!

Bom trabalho!

IA

Reino dos Céus e Alexandre, o Grande

Hoje foi dia de cinema na aula de Português. Não correu como eu esperava. Levo Reino dos Céus, de Ridley Scott, levo ficha de trabalho, mas o filme tem a imagem fragmentada. Nada se vê. Que fazer?

Viagem rápida até ao centro de recursos da ESG e trago outro realizador (Oliver Stone), outros heróis, outros tempos. Sem templários, como fora prometido! Da ficha aproveita-se a última atividade, aquela que justifica o visionamento do(s) mesmo(s).  Aqui ficam excertos de ambos. 

O primeiro: o que se queria ver.

O segundo: o que se viu.

Ficam também em comum o épico, os heróis (tipologia), duas realizações soberbas, interpretações fabulosas… E uma fragilidade única que só os GRANDES conhecem: uma enorme solidão! Porque a sua visão do mundo é demasiado estranha e inovadora (diria mesmo precoce) aos olhos dos seus contemporâneos, os comuns mortais.

IA

Ficha de trabalho: O reino dos céus