Os Maias e a Sonata Patética

Façamos de conta que é o maestro Cruges que toca aqui esta sonata. A tal sonata, mal tocada no sarau do Teatro da Trindade, que D. Maria da Cunha não conhecia e que a marquesa do Soutal disse chamar-se Pateta… 

Ainda gostaria, um dia, de aqui compilar todas as referências musicais que se ouvem nessa magnífica obra queirosiana. Uma espécie de banda sonora.

Um dia, talvez…

IA

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O estilo de Eça em “Os Maias”

Neste artigo, pretende-se partir do levantamento dos recursos expressivos mais explorados no excerto publicado no post anterior e proceder à sua interpretação. 

Esses recursos estão sistematizados na ficha anexada abaixo.

O estilo de Eça de Queirós em Os Maias

Podemos verificar, pela leitura atenta da tabela presente na ficha em anexo, que os recursos expressivos que apresentam estruturas linguísticas com valor semântico negativo/depreciativo se relacionam quer com os elementos humanos observados, façam eles parte da crónica de costumes ou não (como é o caso da personagem protagonista, Carlos da Maia) quer com a paisagem humanizada, ou seja, com tudo o que é construção nas ruas de Lisboa ou no espaço reservado ao hipódromo.

A natureza, pelo contrário, aparece maioritariamente descrita como um espaço aberto, inundado de luz e de cor, convidativo à deambulação e ao deleite através da exploração de sensações, que são (ou deveriam ser) ativadas no contacto direto com  a mesma. A paisagem natural só surge descrita com vocábulos cujos traços semânticos apresentam uma carga negativa, sempre que é perspetivada enquanto espaço que permite uma identificação do estado de espírito das personagens nela integradas, acabando por se assemelhar a  elas.

O predomínio da sensação visual (principalmente a cromática) adequa-se à estética impressionista, explorada nas artes plásticas dos finais do século XIX, nomeadamente na pintura, e é recorrente na técnica descritiva queirosiana (como o será também na lírica de Cesário Verde).

Também é de salientar o efeito cómico e a técnica da caricatura presentes em certas passagens textuais, resultantes da harmonização de diversos recursos expressivos. Aqueles contribuem não só para a denúncia do provincianismo, que caracteriza, numa perspetiva ampliada pelo monóculo do autor, a sociedade lisboeta oitocentista, mas também para a revelação de outros “vícios” sociais (e mesmo morais): a precariedade das construções, a falta de higiene, o compadrio, a ausência de ética profissional… Enfim, a tal “sensaboria de rachar”, expressão com que dois brasileiros descrevem estas corridas em Lisboa.

Para já, meus caros alunos, fiquemos por aqui, que a lição já vai longa!

Bom trabalho!

IA

Os Maias – a crónica de costumes

Capítulo X

As Corridas no Hipódromo

Edgar Degas, O Desfile

 “No domingo seguinte, pelas duas horas, Carlos no seu fáeton de oito molas, levando ao lado Craft que durante os dois dias de corridas se instalara no Ramalhete, parou ao fim do largo de Belém, no momento em que para o lado do Hipódromo estavam já estalando foguetes. Um dos criados desceu a comprar o bilhete de pesagem para o Craft, numa tosca guarita de madeira, armada ali de véspera, onde se mexia um homenzinho de grandes barbas grisalhas. Era um dia já quente, azul ferrete, com um desses rutilantes sóis de festa que inflamam as pedras da rua, doiram a poeirada baça do ar, põem fulgores de espelho pelas vidraças, dão a toda a cidade essa branca faiscação de cal, de um vivo monótono e implacável, que na lentidão das horas de verão cansa a alma, e vagamente entristece.

No largo dos Jerónimos silencioso, e a escaldar na luz, um ónibus esperava, desatrelado, junto ao portal da Igreja. Um trabalhador com o filho ao colo e a mulher ao lado, no seu xaile de ramagens, andavam ali, pasmando para a estrada, pasmando para o rio, a gozar ociosamente o seu domingo. Um garoto ia apregoando desconsoladamente programas das corridas que ninguém comprava. A mulher da água fresca, sem fregueses, sentara-se com a sua bilha à sombra, a catar um pequeno. Quatro pesados municipais a cavalo patrulhavam a passo aquela solidão. E à distância, sem cessar, o estalar alegre de foguetes morria no ar quente.

No entanto o trintenário continuava debruçado na guarita, sem poder arranjar lá dentro o troco de uma libra. Foi necessário Craft saltar da almofada, ir lá parlamentar, enquanto Carlos, impaciente, raspando com o chicote as ancas das éguas, luzidias como um cetim castanho, riscava no largo uma volta brusca e nervosa. Desde o Ramalhete viera assim governando, irritadamente, sem descerrar os lábios. É que toda aquela semana, desde a tarde em que combinara com o Dâmaso a visita aos Olivais, fora desconsoladora. O Dâmaso tinha desaparecido, sem mandar a resposta dos Castro Gomes. Ele, por orgulho, não procurara o Dâmaso. Os dias tinham passado, vazios, não se realizara o alegre idílio dos Olivais, ainda não conhecia Madame Gomes, não a tornara a ver, não a esperava nas corridas. E aquele domingo de festa, o grande sol, a gente pelas ruas, vestida de casimiras e de sedas de missa, enchiam-no de melancolia e de mal-estar. […] 

À entrada para o hipódromo, abertura escalavrada num muro de quintarola, o fáeton teve de parar atrás do dog-cart do homem gordo, que não podia também avançar porque a porta estava tomada pela caleche de praça, onde um dos sujeitos de flor ao peito berrava furiosamente com um polícia. Queria que se fosse chamar o Sr. Savedra! O Sr. Savedra, que era do Jockey Club, tinha-lhe dito que ele podia entrar sem pagar a carruagem! Ainda lho dissera na véspera, na botica do Azevedo! Queria que se fosse chamar o Sr. Savedra! O polícia bracejava, enfiado. E o cavaleiro, tirando as luvas, ia abrir a portinhola, esmurrar o homem, quando, trotando na grande horsa, um municipal de punho alçado correu, gritou, injuriou o cavaleiro gordo, fez rodar para ele a caleche. Outro municipal intrometeu-se, brutalmente. Duas senhoras, agarrando os vestidos, fugiram para um portal, espavoridas. E através do reboliço, da poeira, sentia-se adiante, melancolicamente, um realejo tocando a Traviata. […]

Diante deles, o hipódromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calçada e das cruas reverberações da cal, mais fresco, mais vasto, com a sua relva já um pouco crestada pelo sol de junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e além. Uma aragem larga e repousante chegava vagarosamente do rio.

Édouard Manet

No centro, como perdido no largo espaço verde, negrejava, no brilho do sol, um magote apertado de gente, com algumas carruagens pelo meio, de onde sobressaíam tons claros de sombrinhas, o faiscar de um vidro de lanterna, ou um casaco branco de cocheiro. Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de Repartição, erguiam-se as duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial. A da esquerda vazia, por pintar, mostrava à luz as fendas do tabuado.

imagem do filme Os Maias, realizado por João Botelho

Na da direita, besuntada por fora de azul claro, havia uma fila de senhoras quase todas de escuro encostadas ao rebordo, outras espalhadas pelos primeiros degraus; e o resto das bancadas permanecia deserto e desconsolado, de um tom alvadio de madeira, que abafava as cores alegres dos raros vestidos de verão. Por vezes, a brisa lenta agitava no alto dos dois mastros o azul das bandeirolas. Um grande silêncio caía do céu faiscante.

Em volta do recinto da tribuna, fechado por um tapume de madeira, havia mais soldados de infantaria, com as baionetas lampejando ao sol. E no homem triste que estava à entrada, recebendo os bilhetes, metido dentro de um enorme colete branco, reteso de goma, e que lhe chegava até aos joelhos – Carlos reconheceu o servente do seu laboratório.

Apenas tinham dado alguns passos encontraram Taveira à porta do bufete onde se estivera reconfortando com uma cerveja. Tinha um molho de cravos amarelos ao peito, polainas brancas, e queria animar as corridas. Já vira a Mist, a égua de Cliford, e decidira apostar pela Mist. Que cabeça de animal, meninos, que finura de pernas!…

– Palavra que me entusiasmou! E está decidido, um dia não são dias, é necessário animar isto! Aposto três mil réis. Quer você Craft?

– Pois sim, talvez, depois… Vamos primeiro ver o aspeto geral.

No recinto em declive, entre a tribuna e a pista, havia só homens, a gente do Grémio, das Secretarias e da Casa Havanesa; a maior parte à vontade, com jaquetões claros, e de chapéu coco; outros mais em estilo, de sobrecasaca e binóculo a tiracolo, pareciam embaraçados e quase arrependidos do seu chic. Falava-se baixo, com passos lentos pela relva, entre leves fumaraças de cigarro. Aqui e além um cavalheiro, parado, de mãos atrás das costas, pasmava languidamente para as senhoras. Ao lado de Carlos dois brasileiros queixavam-se do preço dos bilhetes, achando aquilo «uma sensaboria de rachar.»

Defronte a pista estava deserta, com a relva pisada, guardada por soldados: e junto à corda, do outro lado, apinhava-se o magote de gente, com as carruagens pelo meio, sem um rumor, numa pasmaceira tristonha, sob o peso do sol de junho. […]

Edgar Degas, O Hipódromo

– Vamos nós ver as mulheres, disse Carlos.

Seguiram devagar ao comprido da tribuna. Debruçadas no rebordo, numa fila muda, olhando vagamente, como de uma janela em dia de procissão, estavam ali todas as senhoras que vêm no high-life dos jornais, as dos camarotes de S. Carlos, as das terças-feiras dos Gouvarinhos. A maior parte tinha vestidos sérios de missa.

Aqui e além um desses grandes chapéus emplumados à Gainsborough, que então se começavam a usar, carregava de uma sombra maior o tom trigueiro de uma carinha miúda. E na luz franca da tarde, no grande ar da colina descoberta, as peles apareciam murchas, gastas, moles, com um baço de pó de arroz. […]

– É um canteirinho de camélias meladas, disse o Taveira, repetindo um dito do Ega.

Carlos, no entanto, fora falar à sua velha amiga D. Maria da Cunha que, havia momentos, o chamava com o olhar, com o leque, com o seu sorriso de boa mamã.

Edouard Manet, Spring

Era a única senhora que ousara descer do retiro ajanelado da tribuna, e vir sentar-se em baixo, entre os homens: mas, como ela disse, não aturara a seca de estar lá em cima perfilada, à espera da passagem do Senhor dos Passos. E, bela ainda sob os seus cabelos já grisalhos, só ela parecia divertir-se ali, muito à vontade, com os pés pousados na travessa de uma cadeira, o binóculo no regaço, cumprimentada a cada instante, tratando os rapazes por meninos...  […]

Apenas Carlos se sentou ao pé dela, D. Maria perguntou-lhe logo por esse aventureiro do Ega.

Esse aventureiro, disse Carlos, estava em Celorico compondo uma comédia para se vingar de Lisboa, chamada o Lodaçal…

– Entra o Cohen? perguntou ela, rindo.

– Entramos todos, Sr.ª D. Maria. Todos nós somos lodaçal…

Nesse momento, por trás do recinto, rompia, com um taran-tan-tan molengão de tambores e pratos, o hino da Carta, a que se misturou uma voz de oficial e o bater de coronhas. […]

– E este hino, então, que é medonho, dizia Carlos. A Sr.ª D. Maria não sabe a definição do Ega, e a sua teoria dos hinos? Maravilhosa!

– Aquele Ega! dizia ela sorrindo, já encantada.

– O Ega diz que o hino é a definição pela música do carácter de um povo. Tal é o compasso do hino nacional, diz ele, tal é o movimento moral da nação. Agora veja a Sr.ª D. Maria os diferentes hinos, segundo o Ega. A Marselhesa avança com uma espada nua. O God save the queen adianta-se, arrastando um manto real…

– E o hino da Carta?

– O hino da Carta ginga, de rabona.”

In http://www.livros-digitais.com/eca-de-queiros/os-maias/86 (texto com supressões)

Aqui – http://portugues-fcr.blogspot.pt/2012/04/episodio-das-corridas-de-cavalos.html – podemos ver esquematizados os diferentes momentos deste episódio de Os Maias, bem como os diversos aspetos criticados.

Uma leitura bem-humorada, com “banda sonora” em fundo, e boas aprendizagens!

IA

Vamos a Sintra… em “Os Maias”

Porque Carlos queria provocar encontro casual com Maria Eduarda:

 «- Iam pelo Chiado abaixo; anteontem, às duas horas… Estou convencido que iam para Sintra. […] 

Carlos ficou ainda um momento olhando o jogo, com uma cigarette apagada nos dedos, o mesmo ar distraído: de repente, pareceu tomar uma decisão, atravessou o corredor, entrou na sala de música. Steinbroken fora ao escritório ver Afonso da Maia, e a partida de whist; e Cruges só, entre duas velas do piano, com os olhos errantes pelo tecto, improvisava para si, melancolicamente.

– Dize cá, Cruges – perguntou-lhe Carlos – queres vir amanhã a Sintra? […] 

Correu à Lawrence por um caminho diferente, ávido de uma certeza: – e aí, o criado que lhe apareceu disse-lhe que o sr. Salcede e os senhores Castro Gomes tinham partido na véspera para Mafra…»

Caros alunos, temos aqui uma boa parte do capítulo VIII e outros momentos da obra:

Segue também a ficha de trabalho, que será guia desta nossa visita virtual.

UmOlharDeMonóculo[1]

Boas viagens!

IA

Os Maias – algumas imagens

Já fomos ao teatro. Agora é hora de mergulharmos no romance queirosiano.

É hora de organizarmos a leitura, de atentarmos nos seguintes aspetos: 

  • história de uma família aristocrática (o título) vs crónica de costumes (o subtítulo);
  • distinguir a intriga principal (após o outono de 1875) da intriga secundária (anterior a esse outono);
  • identificar as diferentes gerações da família Maia e caracterizar as personagens, física, psicológica e socialmente;
  • perceber o papel da Educação (tradicional portuguesa e de influência inglesa) na formação do carácter das personagens e condicionador do seu percurso de vida;
  • relacionar este aspeto com o Realismo/Naturalismo presente na obra;
  • destacar os episódios fundamentais do romance relativos à crónica de costumes, dos quais também ficam aqui algumas imagens.

o título e o subtítulo

história de uma família em duas intrigas

as personagens

a educação

o tempo

jantar no hotel central

corridas no hipódromo

 

o sarau no teatro da Trindade

 

Bom trabalho!

IA

Todas as imagens foram colhidas em google imagens

Fomos ao teatro: Os Maias

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Na fotografia, vemos alunos de várias turmas do 11.º ano da Escola Secundária de Gondomar (e de uma outra escola também) misturadinhos com os atores que são (e fazem) a companhia ETCetera, que nos proporcionou um belo e  divertido momento de aprendizagem.

A imagem foi pedida “emprestada” ao facebook da companhia, como podemos ver aqui: https://www.facebook.com/EtceteraTeatro/

Depoimentos breves

“A ida ao Auditório Municipal de Gaia motivou-me para o estudo da peça queirosiana. Gostei particularmente de Dâmaso Salcede, pois é uma personagem cómica, e de Carlos da Maia, por todo o enredo se passar à volta dele e também por ser um homem culto.

Para mim, o momento mais intenso em palco aconteceu quando se descobriu que Carlos da Maia e Maria Eduarda eram irmãos.”

Maria Inês

“Pensamos que a dramatização de Os Maias pela companhia ETCetera nos motivou para a leitura da obra de Eça, pois na peça havia personagens engraçadas, como o pedante Dâmaso que era “chic a valer”. Para além deste, também gostamos da figurante que, no início da representação, vendia jornais! A nossa Catarina.

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Quanto aos diferentes momentos em palco, o mais dramático, para nós,  surgiu quando o protagonista, Carlos da Maia, descobre que a sua amada, Maria Eduarda, é, na verdade, sua irmã.

E o momento mais apreciado por nós deu-se, sem dúvida, quando Dâmaso escreve a carta para Carlos, ditada por João da Ega.”

Rita, Pedro Silva e Pedro Coelho

“Ao ver a peça de teatro fiquei mais motivada para a leitura de Os Maias. Ega foi a personagem em palco de que mais gostei, pois ele esteve presente na cena que eu considero a mais engraçada – quando foi expulso da casa do banqueiro Cohen. 

Para mim o momento mais dramático surgiu no momento em que Maria Eduarda descobre, por Ega, que era irmã de Carlos, com quem tencionava casar.”

Ana Beatriz

“Assistir à dramatização de Os Maias serviu como estratégia de incentivo à leitura e estudo da obra queirosiana. De todas as personagens aquela de que mais gostámos foi Dâmaso, devido ao seu carácter cómico.

Para nós, o momento mais intenso foi a morte de Afonso da Maia, provocada pelos desgostos da sua velhice, principalmente por ter descoberto o caso amoroso entre os dois netos.

Já o momento mais hilariante, na nossa opinião, sucedeu quando João da Ega obrigou Dâmaso a desmentir a publicação no jornal A Corneta do Diabo, através de uma carta destinada a Carlos.”

Diana e Sérgio

“A dramatização de Os Maias “serviu” para nos motivarmos para o estudo da obra. É uma peça interessante, bem conseguida, que nos revela principalmente os acontecimentos da intriga principal do romance.

Dâmaso foi a personagem que mais nos “agarrou”, pois sobressai pelo seu bom humor, ou melhor, porque está bem caricaturado. 

Na nossa opinião, a cena mais dramática aconteceu quando Carlos descobre que a sua amada é, na verdade, a sua irmã. Já o momento hilariante surgiu na cena em que Dâmaso regressa da sua viagem à terra e encontra Carlos em casa de Maria Eduarda.”

Maria Alexandra e João

“Com a nossa viagem ao mundo do teatro, consegui ter uma visão resumida da obra Os Maias, de Eça de Queirós, o que me deu mais motivação para continuar a ler o romance.

Em palco houve uma personagem de quem gostei particularmente, João de Ega, pois, para além de ser hilariante (realço o momento em que o banqueiro Cohen descobre o caso da sua Raquel com Ega), é irónico e bastante consciente da sociedade portuguesa.

Para mim, houve um momento bastante dramático – quando os dois amantes, Carlos e Maria Eduarda descobrem que, na verdade, são irmãos.”

Cristina

“Esta nossa ida ao teatro deixou-me muito mais entusiasmada para continuar a ler Os Maias. Dâmaso Salcede foi, sem dúvida, a personagem de que mais gostei, sendo muito bem interpretado pelo ator que encarnou muito bem a caricatura que Eça de Queirós criou no seu romance.

O momento mais dramático, para mim e para os meus colegas (julgo eu), foi a descoberta da relação incestuosa: afinal, Maria Eduarda e Carlos são irmãos! Foi uma cena que contrastou com o cómico que dominou quase toda a dramatização.

Também gostei muito da cena em que Dâmaso é obrigado por Ega a confessar, em carta, que é alcoólico crónico e, por isso, teve de desmentir o que estava escrito no jornal A Corneta do Diabo.”

Daniela

“Após termos assistido à dramatização do romance de Eça de Queirós, sentimo-nos, sem dúvida, mais motivados para o estudo da obra. Entre as várias personagens em palco, destacamos o protagonista Carlos da Maia e a sua “sombra”, Dâmaso Salcede, devido também às excelentes representações de ambos.

Para contrastar, claro, temos um momento dramático vivido, primeiro, por Carlos e, depois, por Maria Eduarda: quando descobrem que são irmãos!

Já, para nós, o momento mais hilariante dá-se quando o conde de Gouvarinho fala com Carlos, voltado para o público, enquanto o jovem médico e a sua mulher se envolvem amorosamente sem ele dar por isso. Parece que se chama “gouvarinhar”…” 🙂

Catarina, Inês Peixoto, Inês Santos e Maria Rocha

“Ir ao teatro ver Os Maias motivou-nos para o estudo do romance, pois foi uma forma mais fácil e divertida de nos dar a conhecer as personagens e a sua história.

Gostámos muito de ver Dâmaso Salcede, João da Ega e Carlos da Maia, cujos atores, a nosso ver, representavam muito bem! Tivemos pena que o Eusebiozinho não tivesse aparecido, pois também seria bem divertido, com certeza.

Para nós a “grande” cena acontece quando Ega obriga Dâmaso a escrever uma carta para Carlos, onde se confessa alcoólico, pois para além de estar representado esse momento do romance, também houve algum improviso, ao se brincar com a ortografia de certas palavras.”

Ana Rita e Gonçalo

“O visionamento da adaptação teatral de Os Maias, de Eça de Queirós, motivou-nos para o estudo da obra. Foi uma adaptação dramática simples, com poucos atores, e, ao mesmo tempo, cómica.

As personagens em palco de que mais gostámos foram duas: Carlos da Maia, devido à sua intelectualidade e vasta cultura e ao processo de amadurecimento que revela ao longo da atuação e Dâmaso Salcede, pois, com a sua faceta extrovertida e pedante, deu grande comocidade a esta representação.

Na nossa opinião, o momento mais dramático foi a discussão entre Carlos e Maria Eduarda, quando este descobre aspetos do passado da jovem que ele desconhecia. Por outro lado, o momento mais hilariante aconteceu quando Ega obriga Dâmaso a escrever um desmentido relativamente ao que tinha mandado publicar na Corneta do Diabo.”

Jéssica, Joana Costa e Joana Rodrigues.