Robin Hood – a sociedade feudal

Neste segmento fílmico do épico realizado por Ridley Scott, podemos ver uma sociedade estratificada, com regras bem precisas, destacando-se convenções sociais bem rígidas (reparem que o herói, mesmo tendo o título de “Lord”, ou seja, é fidalgo, nobre, não pode olhar diretamente para a rainha-mãe, Lady Eleanor, sua suserana,) e o princípio de vassalagem (enquanto dialoga com a rainha e o novo rei, Robin permanece ajoelhado e preferencialmente cabisbaixo). Aliás, antes do encontro ele é advertido sobre o modo como proceder.

Repare-se também no símbolo do Cristianismo – a cruz – presente nas vestes destes nobres guerreiros.

Este é um filme que recomendo a quem quiser fazer uma breve revisão sobre as sociedades medievais. As relações e as convenções sociais influenciavam as relações interpessoais e vida emotiva/emocional (como já vimos nos cantares de amor, em que o sujeito poético se comporta com a dama como um vassalo o faz para com o seu senhor). Lady Eleanore, mãe do rei falecido, é obrigada a refrear a dor da perda do filho mais velho, porque só ela pode coroar o seu segundo filho, como novo rei.

O comportamento do rei recém-coroado também é significativo: preparava-se para recompensar o nobre que lhe trouxe a coroa mas, lembrando-se de que o pai do seu vassalo estava atrasado com o pagamento do imposto que lhe era devido, recuou no gesto de gratidão.

Espero que o vosso inglês esteja bem afinado, porque não há legendas!

Boas aprendizagens!

IA

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Lírica Trovadoresca: um breve regresso e uma sistematização completa

Meus caros alunos, começo por convidar-vos a revisitar este artigo, disponível no seguinte link: 

https://isauraafonseca.wordpress.com/2015/10/16/um-cantinho-para-o-amor-cortes/

E, depois, partiremos para este pequeno filme, da autoria de Joaquim Matias da Silva e disponível no YouTube.

Aconselho o visionamento de apenas três sequências, ocorrendo, por isso, corte de informação para vós excedentária:

  • primeira sequência: do início até ao minuto 1:20;
  • segunda sequência: do minuto 13:30 até ao 21:40;
  • terceira sequência: do minuto 27:00 até ao fim.

Nestas três sequências são-vos apresentadas as principais características temáticas e formais das cantigas de amigo, de amor, de escárnio e de maldizer, que constituem o lirismo trovadoresco.

Se por acaso alunos de Literatura Portuguesa “tropeçarem” neste cantinho do Paraíso, aconselho o visionamento de todo o filme, pois é um verdadeiro “banquete”, no que diz respeito aos (sub)géneros e às respetivas características formais e temáticas do Trovadorismo Medieval.

Boas viagens literárias!

IA

Cantiga de amor do nosso tempo

Meus caros alunos, para terminarmos as cantigas de amor e passarmos às de amigo, fica aqui esta canção que, mesmo sendo do século XX, recupera “ingredientes” dos cantares de amor, tão característicos da lírica trovadoresca. É um tema interpretado por Paulo Gonzo e Olavo Bilac e é também pretexto para uma pequena tarefa. 

“Quando amanheces, logo no ar,

Se agita a luz sem querer,

E mesmo o dia vem devagar,

Para te ver.

 

E já rendido, ver-te chegar,

Desse outro mundo só teu,

Onde eu queria entrar um dia,

P’ra me perder.

 

P’ra me perder, nesses recantos

Onde tu andas sozinha sem mim,

Ardo em ciúme desse jardim,

Onde só vai quem tu quiseres,

Onde és senhora do tempo sem fim,

Por minha cruz, joia de luz,

Entre as mulheres.

 

Quebra-se o tempo em teu olhar,

Nesse gesto sem pudor,

Rasga-se o céu, e lá vou eu,

P’ra me perder.

 

P’ra me perder, nesses recantos

Onde tu andas sozinha sem mim,

Ardo em ciúme desse jardim,

Onde só vai quem tu quiseres,

Onde és senhora do tempo sem fim,

Por minha cruz, joia de luz

entre as mulheres.

 

P’ra me perder, nesses recantos

Onde tu andas sozinha sem mim,

Ardo em ciúme desse jardim,

Onde só vai quem tu quiseres,

Onde és senhora do tempo sem fim,

Por minha cruz, joia de luz

Entre as mulheres.”

Atividades: retire do texto acima expressões:

  1.   que revelem o elogio superlativado da mulher amada;
  2.  que sugiram a inacessibilidade da mesma;
  3. que evidenciem o estado de espírito do sujeito poético;
  4. em que exista uma personificação.

Bom trabalho!

IA

Cantiga de Amor

Quando a literatura é (en)cantada…

O que vos nunca cuidei a dizer

O que vos nunca cuidei a dizer,
com gram coita, senhor, vo-lo direi,
porque me vejo já por vós morrer;
ca sabedes que nunca vos falei
de como me matava voss’amor;
ca sabe Deus bem que doutra senhor,
que eu nom havia, mi vos chamei.
 
E tod[o] aquesto mi fez fazer
o mui gram medo que eu de vós hei
e des i por vos dar a entender
que por outra morria – de que hei,
bem sabedes, mui pequeno pavor;
e des oimais, fremosa mia senhor,
se me matardes, bem vo-lo busquei.
 
E creede que haverei prazer
de me matardes, pois eu certo sei
que esso pouco que hei de viver
que nẽum prazer nunca veerei;
e porque sõo desto sabedor,
se mi quiserdes dar morte, senhor,
por gram mercee vo-lo [eu] terrei.
 

 El-Rei D. Dinis de Portugal

D. Dinis, hoje, poderia ser Nobel da literatura!

IA

NOTA: Também podemos revisitar esta página do Paraíso: https://isauraafonseca.wordpress.com/2015/10/16/um-cantinho-para-o-amor-cortes/

Um cantinho para o Amor Cortês

Uma viagem no tempo

Para desanuviar, recuemos 700 anos com um cantar de amor, à maneira provençal, interpretado por Amancio Prada.

 

A dona que eu am’e tenho por senhor

amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,

           senom dade-mi a morte.

 

A que tenh’eu por lume destes olhos meus

e por que choram sempr’, amostrade-mi-a, Deus,

          senom dade-mi a morte.

 

Essa que vós fezestes melhor parecer

de quantas sei, ai, Deus!, fazede-mi-a veer,

         senom dade-mi a morte.

 

Ai Deus! que mi a fezestes mais ca mim amar,

mostrade-mi-a, u possa com ela falar,

       senom dade-mi a morte.

Bernal de Bonaval (CBN, B1066)

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Bom fim de semana!

IA

Ondas do mar de Vigo

Porque é verão e o mar apetece… Porque o novo programa de Português do 10.º ano banha-nos com este mar galego, do século XIII…

E porque, sem acesso ao meu e-mail (problema recente que ainda não consegui resolver), deixo palavra amiga aos amigos que, porventura, me tenham obsequiado com mensagens estivais… Poderão –  enquanto não dou solução ao meu Gmail – continuar a fazê-lo para o meu e-mail institucional (eu sei, só deve ser usado para o trabalhinho!…)… A não ser que, como eu, também tenham “hibernado”! 🙂

É verdade que costumo retirar-me do mundo virtual, durante as férias de verão, tempo que (sinto) devo dedicar aos meus muito-meus, como compensação das sistemáticas ausências, provocadas pelas rotinas profissionais. Por isso também, este longo offline

Deixo-vos então (e “recolho o meu espírito”, como usa dizer certa personagem garrettiana) duas versões da mesma cantiga (ou cantar) d’ amigo, da autoria de Martin Codax.

Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo?

       e ai Deus, se verrá cedo?

 

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado?

       e ai Deus, se verrá cedo?

 

Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro?

       e ai Deus, se verrá cedo?

 

Se vistes meu amado,

o por que hei gram coidado?

       e ai Deus, se verrá cedo?

Tenham umas excelentes férias!

IA