“Sermão de Santo António” – Fragmentos textuais 3

“No Sermão de Santo António, a Rémora é um peixe virtuoso pois, mesmo sendo pequeno de corpo, é grande em força e poder.

Padre António Vieira compara este peixe com Santo António, porque a sua palavra guia, orienta os homens e afasta-os do perdição. Por isso, o provérbio “Quem me repreende do mal me defende!” pode relacionar-se com a Rémora e Santo António, cujo poder da palavra aconselha, orienta as almas, fazendo-as repelir o mal.”

Sérgio

 

“O Sermão de Santo António é também uma homenagem ao mesmo, pois foi pregado por padre António Vieira (PAV) no dia em que se celebrava o aniversário da morte do santo (13 de junho de 1654).

Através desta alegoria, já utilizada pelo próprio santo que a criou, PAV pretende não só comparar as qualidades (virtudes) de quatro peixes com as de Santo António mas também comparar os defeitos de outros quatro seres marinhos com os dos humanos, ou seja, mostrar que as virtudes e os defeitos dos peixes são semelhantes quer às qualidades a louvar no santo quer aos defeitos a repreender nos homens.  (…)

Apesar de já terem passado 360 anos da data em que foi pregado, este sermão continua atual, pois os homens continuam a cometer os mesmos pecados e a revelar os mesmos defeitos, infelizmente!” 

Diana

 

“O Torpedo é referido no capítulo III do Sermão de Santo António, na parte designada exposição/confirmação. É um peixe virtuoso, que, apesar de pequeno, consegue fazer tremer “a cana do pescador”. Padre António Vieira compara este pescador  do mar com os “pescadores da terra” que, com varões, bastões e cetros, “pescam” reinos e cidades sem que nada os faça “tremer”, e espera  que, tal como o Torpedo faz tremer o pescador, o seu sermão consiga fazer tremer os poderosos do Maranhão e os faça arrepender das suas ações. (…)

Ao fazer alusão aos poderosos que pescavam reinos e cidades sem que nada nem ninguém os impedisse e sem ter em conta os homens mais “pequenos”, o orador pretende chamar a atenção do auditório para o direito à igualdade, à liberdade e ao respeito do ser humano, pois ninguém deve subjugar os outros.”

João Paulo

 

“No capítulo III do Sermão de Santo António (que faz parte da exposição/confirmação), padre António Vieira (PAV), após ter explicitado as virtudes dos peixes em geral, passa ao particular e começa por nos dar, como exemplo, um peixe mitológico, bíblico: o Santo Peixe de Tobias. (…) A comparação deste peixe virtuoso com Santo António faz-se através das qualidades do santo: cristãs e de pregação. (…)

Quanto aos Roncadores, que são peixes carregados de defeitos, estes aparecem no capítulo V do sermão. PAV, nestes seres, critica a sua arrogância, o seu modo orgulhoso e soberbo de agir. Mas relembra que, por serem assim, também são mais fáceis de apanhar… Por isso, o orador aconselha-os a imitar santo António, que nunca se elevou nem vangloriou pelos seus feitos, como costumam fazer estes peixes.”

Ana Rita

“O Sermão de Santo António pode ser considerado uma espécie de resumo, um espelho da sociedade humana, tanto a do século XVII como a do séc. XXI. Digo isto, pois muitas críticas apontadas aos peixes (leia-se humanos) naquele tempo continuam atuais. Assim, este sermão torna-se intemporal e, por isso, serve de exemplo para todas as gerações, porque, independentemente de tudo o que possamos fazer para os evitar, cometeremos sempre os mesmos erros. 

Ao longo da obra está bem presente o conceito predicável inicial: “Vós sois o sal da terra.”, o que significa que os pregadores têm a grande missão de afastar o mal e conservar o bem. (…) Mas, nós, os humanos, tornamos este conceito inválido, pois o nosso sal é impuro e é-o graças à nossa falsidade, à nossa hipocrisia. Ainda há pouco tempo, passou nas notícias televisivas uma chocante: certas pessoas abandonam no hospital idosos, com o objetivo de se aproveitarem dos seus bens! (…) Aliás, os mais idosos são presas fáceis para os “polvos” que vivem disfarçados entre nós.”

Cristina

NOTA: As imagens presentes nestes três últimos artigos foram retiradas do Google Imagens.

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“Sermão de Santo António” – Fragmentos textuais 1

Padre António Vieira escreveu O Sermão de Santo António, com o intuito de louvar as virtudes do santo mas também de censurar os vícios/defeitos dos homens. Para isso, utiliza os peixes para chegar aos homens: quatro peixes a enaltecer e quatro, a criticar. (…) 

O pregador defendia que Santo António, tal como o Santo Peixe de Tobias, possuía um coração bom e puro e que as suas palavras tinham o poder de influenciar a audiência. (…) Tal como o peixe, Santo António tinha um coração capaz de afastar os valores, as atitudes negativas e as suas palavras “abriam os olhos”, à audiência, aos pecadores, para que estes mudassem o seu comportamento.”

Maria Santos

 

“Com os Roncadores, Padre António Vieira faz, basicamente, una crítica aos homens que são presunçosos, vaidosos, realçando que são pequenos, insignificantes, mas falam muito, gabam-se demasiado, querem parecer mais poderosos do que, realmente, são. Não têm grandes qualidades, mas precisam de se afirmar, por isso, são acusados de muita arrogância  e pouca firmeza. (…) É então que o orador apresenta alguns exemplos bíblicos que, em certos momentos (episódios), se aproximam deste “peixezinho”: S. Pedro, Golias, Caifás e Pilatos.”

Jéssica

 

“O Sermão de Santo António, de Padre António Vieira, é uma obra em que se condena os comportamentos negativos dos Homens. Este texto pode ser considerado intemporal pois, apesar de ter sido escrito no século XVII, nele repreendem-se comportamentos ainda atuais.

Vieira, ao longo do seu sermão, mostra um contraste constante entre os homens mais fracos (mais desfavorecidos) e os mais fortes (poderosos), através das repreensões que vai fazendo aos peixes, que, segundo ele, são como os homens: “comem-se uns aos outros”, isto é, os mais ricos “comem” os mais pobres. Isto continua a ser atual, infelizmente! (…)

A maioria de nós deixa-se levar pelo interesse, pela vontade de ter mais, de ser “algo” mais na vida.  (…) Mas temos de começar a pensar mais nos outros e não apenas em nós. Temos de ser mais humildes…”

Daniela

 

“Os voadores são criticados por padre António Vieira (PAV), no Sermão de Santo António pois, como muitos homens, são gananciosos e querem ser mais do que aquilo que lhes foi atribuído naturalmente, isto é, os voadores, porque têm características físicas diferentes das dos outros peixes (barbatanas maiores), usam essas características para se “tornarem” aves…

No fundo, estas críticas de PAV são um conselho aos peixes e aos homens para estes agradecerem a Deus o que lhes foi atribuído.” 

Gonçalo

Sermão de Santo António & Imagens

 Fragmentos das apresentações orais.

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A imagem representa bem o que é criticado por padre António Vieira, pois nela é possível ver um homem poderoso/rico (um dos “peixes grandes”) a tentar roubar a cesta do peixe, que foi pescado com esforço pelo homem mais pobre (um “peixe pequeno”). Enfim, é atual a realidade exposta no sermão: “Os grandes comem os pequenos…”.

Maria Alexandra

 

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O pequeno gato gostaria de parecer (ou vê no seu reflexo) uma coisa que não é, mas que quer transmitir aos outros. A fotografia ilustra o que se passa, atualmente, na comunicação on line entre desconhecidos. Tantos roncadores… É caso para dizer “Com papas e bolos se enganam os tolos!“. E um dos tolos enganados é também o enganador.

Joana Costa